Publicada em 14 de Julho de 2014 às 12h04
Muros amanheceram pichados com
Imagem: O GloboMuros amanheceram pichados com
?Os argentinos acampados no Samb?dromo e no Terreir?o do Samba ter?o que deixar o local at? quarta-feira. De acordo com a Empresa de Turismo do Munic?pio do Rio, a Riotur, os torcedores ser?o informados sobre a decis?o ao longo desta segunda-feira. Nesta manh?, muros do Samb?dromo estavam pichados com ofensas aos Brasil e a Pel?.
Aos poucos, os hermanos que viveram dias de festa na cidade come?am a voltar ? realidade. Enquanto alguns j? est?o retornando, outros arrumam as malas. Alguns deles at? pedem R$ 1 a curiosos que passam pelo local. Apesar do c?u azul, o dia n?o est? muito bonito para eles que est?o cabisbaixos. Desde as 5h desta segunda-feira, os torcedores que acamparam o Terreir?o do Samba e na Pra?a da Apoteose, abasteceram o porta-malas dos ?nibus e carros para a longa viagem de volta para casa.
Em clima de ressaca depois da derrota, Terreir?o amanhece com lixo acumulado no ch?o - Fabio Rossi / Ag?ncia O Globo
Da Rodovi?ria Novo Rio, pelo menos 36 ?nibus devem sair com destino a Argentina. O movimento no terminal, segundo a concession?ria respons?vel, come?ou ?s 7h, mas a maioria das sa?das est?o previstas a partir das 15h. As partidas ser?o de cinco em cinco minutos at? as 16h50m. A Novo Rio firmou uma parceria com o Consulado da Argentina, que estar? na rodovi?ria para atendimento aos hermanos.
A experi?ncia dos torcedores no Rio, apesar de nada confort?vel, n?o tirou a vontade de voltar um dia, nem que seja para uma viagem mais curta, sem Copa do Mundo, para aproveitar os pontos tur?sticos.
?s 6h, o casal Ernesto Luques e Victoria Medina j? estava pronto para partir. O ?nibus estava estacionado, mas ainda aguardavam a chegada de outras duas pessoas que n?o cumpriram o hor?rio marcado. Inicialmente, o ?nibus daria partida ?s 23h de domingo.
— Foi uma experi?ncia muito bonita que, com certeza, nos deixou com vontade de voltar — disse Victoria, aguardando a sa?da do ?nibus, ainda sem previs?o de hor?rio.
Outros quatro amigos, que tamb?m chegaram apenas para curtir a festa da final, j? estavam com o bagageiro abastecido. Essa foi a primeira vez do grupo no Rio, mas sem tempo de conhecer a cidade.
— Chegamos h? dois dias e n?o conseguimos conhecer o melhor que o Rio tem. Vamos planejar uma nova viagem e voltar para, principalmente, desfrutar das praias — contou Juan Carlos, de 56 anos, enquanto fechava o porta-malas do carro.
Para alguns argentinos, a vida normal vai voltando aos poucos. O casal Hebe Recalde e Federico Cavallero se despediu da Copa e do Rio, mas a pr?xima parada ? Costa do Sau?pe, na Bahia. Em cen?rio carioca, a experi?ncia para eles foi inesquec?vel.
— Nos sentimos em casa. Foi uma experi?ncia perfeita. Estaremos de volta numa pr?xima oportunidade.
Apesar dos preparativos para deixar a cidade, houve quem ainda achasse tempo para uma partida de “altinho”, tocar m?sicas no viol?o e uma ?ltima piada com a goleada que o Brasil levou da Alemanha. O argentino Diego Carriso j? estava dentro do carro para encarar 36 horas de estrada at? La Plata com mais tr?s amigos. O grupo estava muito triste com o resultado do jogo.
— Compramos comida para a viagem, mas vamos parar no caminho para dormir - disse.
Os ocupantes do “Flor de Bondi”, um ?nibus de 1965, verificavam o motor, a ?gua e o ?leo do ve?culo, comprado especialmente para a viagem ao Brasil, por cerca de R$ 10 mil. Antes de seguir viagem, seria preciso soldar o escapamento, que se soltou. Romina Quiroga estava confiante que o problema seria resolvido em pouco tempo para que o grupo de doze pessoas pegasse a estrada ainda nesta segunda-feira
— Cumprimos dois sonhos, vir ao Rio e participar de uma Copa do Mundo. N?o estamos tristes. Viemos pela festa e fizemos uma viagem linda — contou.
No Samb?dromo, Ariel Molfino tamb?m vai precisar fazer consertos em seu ve?culo, uma vespa de 1957, para seguir viagem. Sujo de graxa, o argentino tentava encaixar uma pe?a da embreagem que havia quebrado. Ele chegou h? dois dias no Rio, depois de um m?s na estrada:
— Se eu conseguir consertar tudo hoje (segunda-feira), volto amanh?, mas vou passeando. Pretendo parar em Angra dos Reis e Paraty.
No meio de tantos argentinos, n?o poderia faltar o tradicional chimarr?o. Humberto Ag?ero espantava o cansa?o com um pouco do ch? que ? um costume nacional. Ele tamb?m n?o pretende ir embora nesta segunda-feira.
— Chegamos no s?bado e s? tivemos tempo de dar um mergulho na Praia de Copacabana e assistir ao jogo no Fifa Fan Fest. Ainda vamos ao Maracan? e ao Cristo Redentor — disse.
HERMANOS ESPERARAM O AMANHECER PARA A VIAGEM DE VOLTA
Durante a madrugada, a maioria, dos cerca de 70 mil que se instalaram na cidade, preferiu dormir e esperar o nascer do sol para resolver as ?ltimas pend?ncias e seguir viagem. Em Copacabana, o clima ainda era intenso no in?cio da madrugada, apesar do t?tulo perdido. Entretanto, o panorama era diferente do que podia ser visto na madrugada de domingo, que antecedeu a partida final. Antes, enormes bandeiras com mensagens de apoio aos jogadores estavam espalhadas pela Avenida Atl?ntica, movimento que n?o foi encontrado p?s-jogo. Embora a Alemanha tenha garantido o tetracampeonato, alguns argentinos insistiram em aproveitar a noite carioca - a ?ltima da temporada. A maioria, por?m, preferiu recuperar o sono perdido e dormia dentro dos carros ao longo da Avenida Atl?ntica.
As amigas J?ssica Pantano, de 27 anos; e Jenifer Rodriguez, de 23, chegaram ao meio-dia deste domingo ao Rio. Elas sa?ram da Prov?ncia de Entre R?os, situada ao Norte da Prov?ncia de Buenos Aires, para assistir ? final no clima da arena Fifa Fan Fest, em Copacabana. O ?nibus com outras 38 pessoas de v?rias regi?es da Argentina, estava estacionado na orla com previs?o de sa?da ?s 5h desta segunda-feira. A sensa??o de vit?ria n?o poderia estar entre eles, mas a felicidade ainda dominava, j? que chegaram ? final.
— Merec?amos ganhar. Fizemos um jogo muito bonito. Mas, estamos felizes por ter chegado ? final. Acho que nenhum argentino esperava isso, tendo em vista as outr as edi?es — declarou J?ssica, que vestia a camisa argentina com sorriso no rosto.
As delegacias da Zona Sul receberam v?rios registros de perda e/ou roubo de documentos. As v?timas, em sua maioria, eram argentinos que participaram da festa em Copacabana, onde tamb?m houve registros de brigas e confus?es ap?s a partida final.