Piaui em Pauta

Armênia lembra 100 anos das mortes de 1,5 milhão pelo Império Otomano.

Publicada em 24 de Abril de 2015 às 07h57


?A Arm?nia recorda nesta sexta-feira (24) os 100 anos dos massacres que deixaram 1,5 milh?o de mortos entre seus ancestrais pelo Imp?rio Otomano, apesar das cr?ticas da Turquia que continua a rejeitar o termo "genoc?dio" para designar uma das p?ginas negras do s?culo XX.

? Siga-nos no Twitter

Centenas de milhares de pessoas s?o esperadas em Erevan para uma cerim?nia no Memorial ?s v?timas do genoc?dio arm?nio. Entre os convidados, est?o os presidentes russo Vladimir Putin e o franc?s Fran?ois Hollande.
Este memorial imponente, que inclui 12 estelas de basalto, junto a uma chama eterna, e uma flecha de 44 metros de altura, simbolizando o renascimento do povo arm?nio, foi inaugurado em 1967, dois anos ap?s as manifesta?es em Erevan pedindo pela primeira vez o reconhecimento do termo "genoc?dio".



Em 24 de abril de 1915, milhares de arm?nios suspeitos de hostilidade ao governo central do Imp?rio Otomano foram presos em Constantinopla (atual Istambul), a maioria dos quais foram executados ou deportados.

Os arm?nios afirmam que at? 1,5 milh?o de pessoas foram mortas entre 1915 e 1917 nos massacres realizados pelo Imp?rio Otomano, precursor do atual Estado turco, durante a Primeira Guerra Mundial.
Ancara insiste que n?o houve um plano de exterm?nio da popula??o arm?nia e que se tratou de um conflito civil, no qual morreram entre 300 mil e 500 mil arm?nios, mas que houve a mesma quantidade de v?timas turcas.

Em Istambul, uma pequena reuni?o est? programa para sexta-feira para lembrar o centen?rio do genoc?dio. E em todo o mundo, v?rias cerim?nias organizadas por muitos di?sporas arm?nios ser?o realizadas, de Los Angeles a Estocolmo, passando por Paris e Beirute.
A Igreja Ortodoxa Arm?nia canonizar?, por sua vez, as 1,5 milh?o de v?timas dos massacres
Reconhecimento de 'genoc?dio'
Enquanto os arm?nios de todo o mundo se preparam para recordar os 100 anos do massacre, tentam fazer com que todos os pa?ses, especialmente a Turquia, passe a utilizar a palavra genoc?dio, um termo que continua a provocar pol?mica, para referir-se ao acontecido.

Antes das manifesta?es de amplitude sem precedentes na Arm?nia, que era uma das 15 rep?blicas sovi?ticas da URSS, os arm?nios se referiam aos massacres como "Medz Yeghern" ou a "grande cat?strofe".

No entanto, o termo genoc?dio foi tipificado pelas Na?es Unidas em 1948, no 50? anivers?rio, e os arm?nios come?aram a exigir o reconhecimento de que os massacres em quest?o tinham a inten??o de destruir esta comunidade.

"O termo genoc?dio n?o ? s? uma palavra acad?mica, mas tem um significado legal. Isso implica que um crime foi cometido e sugere que deveria haver uma puni??o e compensa??o", diz Ruben Safrastyan, diretor do Instituto de Estudos Orientais de Yerevan.

Atualmente, o genoc?dio arm?nio ? reconhecido por 20 pa?ses, incluindo Argentina, Uruguai, Fran?a, Su??a, R?ssia, e desde 1987 pelo Parlamento Europeu.

Declara??o do Papa irrita Ancara
A menos de duas semanas para a cerim?nia desta sexta em Erevan, o Papa Francisco empregou pela primeira vez o termo "genoc?dio" para falar sobre os massacres dos arm?nios durante a missa eucar?stica celebrada com o patriarca arm?nio Nerses Bedros XIX Tarmouni no Vaticano.
A declara??o enfureceu Ancara, que retirou seu embaixador no Vaticano. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu ao Papa para n?o repetir esse "erro".

O Parlamento Europeu "encorajou" a Turquia a reconhecer o "genoc?dio" arm?nio e apelou para Erevan e Ancara para "trabalhar no sentido de uma normaliza??o das rela?es" que permanecem congeladas.
Mas as autoridades turcas parecem n?o estar dispostas a ceder a este apelo. "A Turquia n?o pode reconhecer um tal pecado ou um tal crime", reiterou Erdogan antes mesmo da reuni?o de Bruxelas.
No entanto, o chanceler turco declarou nesta semana que seu pa?s compartilha o sofrimento dos filhos e netos dos arm?nios mortos sob o Imp?rio Otomano durante a Primeira Guerra Mundial e expressou a eles suas condol?ncias.
Turquia gera pol?mica
Por outro lado, as autoridades turcas tamb?m geraram pol?mica ao programar as cerim?nias do centen?rio da Batalha de Gallipoli, tradicionalmente comemorada em 25 de abril, para o dia 24, o mesmo dia em que a Arm?nia lembrar? as v?timas do genoc?dio.

Para os turcos, a batalha de Gallipoli representa um acontecimento precursor da funda??o da Turquia moderna. O coronel Mustafa Kemal, que proclamaria em 1923 a Rep?blica turca moderna, nascida ap?s a queda do Imp?rio otomano, participou com honras em Gallipoli.

O presidente arm?nio Serge Sarkisian acusou o presidente turco, conservador-isl?mico, de tentar "manipular a hist?ria e desviar a aten??o do mundo das atividades sobre o centen?rio do genoc?dio".

O abismo entre os dois pa?ses ? profundo, como demonstra o bloqueio do hist?rico processo de normaliza??o das rela?es entre Ancara e Yerevan, esbo?ado desde 2009.
Para os presidentes dos Estados Unidos, onde h? uma forte comunidade arm?nia, a quest?o sempre foi complicada. Barack Obama, que antes de sua elei??o fez um apelo pelo reconhecimento do genoc?dio de 1915, n?o ? uma exce??o ? regra, utilizando agora o termo arm?nio "Medz Yeghern".

Atualmente, 3,2 milh?es de arm?nios vivem na Arm?nia, e a di?spora ? calculada em mais de oito milh?es de pessoas, que residem agora nos Estados Unidos, Oriente M?dio, Fran?a, Canad? e Am?rica Latina.
Tags: Armênia lembra 100 - A Armênia recorda

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas