Publicada em 02 de Maio de 2014 às 11h15
Imagem: Reprodu??o/TerraClique para ampliar Sandra Maria de Oliveira Souza descobriu o artesanato em papel antes de perder parte da vis?o, e hoje ganha a vida com a atividadeQuando compramos algo, raramente paramos para pensar na hist?ria daquele produto, de que maneira ele foi fabricado. Como imaginar, por exemplo, que ao adquirir um porta-joias, voc? pode estar levando para casa algo feito por ex-detentos que aprenderam seu of?cio com uma mulher que perdeu parte da vis?o? Pois ? justamente isso o que pode acontecer com quem visita a cidade de Boa Vista, em Roraima, e resolve levar uma lembran?a produzida pela empresa Artes Sandra, da artes? Sandra Maria de Oliveira Souza.
A trajet?ria de empreendedorismo de Sandra ? uma verdadeira hist?ria de supera??o. Sua rela??o com o artesanato em papel come?ou quando ela ainda trabalhava como merendeira em uma escola de Boa Vista. Para celebrar o dia de sua categoria, ela fez um cartaz que chamou a aten??o da diretora da institui??o. Com a iniciativa, ela foi convidada a trabalhar na biblioteca, e ao mesmo tempo passou a se aperfei?oar no artesanato de maneira autodidata.
No entanto, o contato constante com livros antigos fez com que seus olhos fossem infectados por um fungo. Com o tempo, ela acabou perdendo totalmente a vis?o do olho esquerdo, e parcialmente a do direito. Nada disso, no entanto, fez com que ela abandonasse sua arte com pap?is.
“Nesta ?poca, minha filha vendia cosm?ticos e ficou com dificuldades para pagar a fatura do m?s. Tudo o que ela tinha eram algumas caixas de sabonete e decidi transform?-las em porta-joias como forma de ajudar.”, explica Sandra.
A iniciativa deu certo e, apesar de seus problemas de vis?o, ela montou a empresa Artes Sandra para produzir novos itens usando papel, como canudinhos, balaios, origamis, bolsas e at? mesmo cestos com rodinhas. O passo seguinte foi dado quando ela visitou um amigo em uma penitenci?ria. No local, Sandra ficou sabendo que os detentos produziam algumas coisas em madeira, e decidiu desenvolver um trabalho social no local.
“Demorou um bom tempo para que eu conseguisse conquistar a confian?a deles, mas aos poucos eles foram se interessando. Hoje, alguns artes?os que sa?ram da cadeia trabalham comigo”, revela.
Atualmente, o grande desafio da empreendedora ? conseguir espa?os para vender suas produ?es. Nas ?pocas de maior apelo, como o Natal e o Dia das M?es, ela leva seu artesanato para as pra?as da cidade, onde as pe?as s?o bastante requisitadas pelos turistas. “Recentemente eu comprei um carro para minha filha me ajudar a fazer vendas pelo interior e consegui uma pessoa para revender os itens em Manaus”, conta Sandra.