Piaui em Pauta

Artista faz campanha contra assédio de rua à mulher disfarçado de elogio

Publicada em 29 de Abril de 2014 às 18h30


Tatyana Fazlalizadeh e sua arte Tatyana Fazlalizadeh e sua arte Assobios, vulgaridades e coment?rios gratuitos fazem parte do dia a dia de milh?es de mulheres no mundo. ? a forma de ass?dio mais tolerada socialmente e que acontece na rua, espa?o eleito por Tatyana Fazlalizadeh, de 27 anos, para uma campanha que aborda os homens: "Pare de dizer ?s mulheres para que sorriam". Imagem: Reprodu??o/InternetTatyana Fazlalizadeh e sua arte Com um rolo, cola e um grupo de volunt?rias que n?o para de crescer, a criadora americana imprimiu nas paredes das principais cidades do pa?s os rostos de mulheres reais – inclusive o dela pr?pria – que sofreram ass?dio na rua junto de fortes mensagens em ingl?s e em espanhol que respondem ?s agress?es verbais mais comuns. "Meu nome n?o ? "pequena"", "Minha roupa n?o ? um convite", "N?o estou aqui para voc?" e "As mulheres n?o buscam sua aprova??o". Essas s?o algumas das frases que a artista levou a um espa?o, a rua, onde as mulheres se sentem frequentemente "incomodadas e inseguras", explicou no manifesto de sua campanha. O ass?dio verbal de rua ? a agress?o ? mulher menos documentada e a mais dif?cil de classificar em termos legais, apesar de sua incid?ncia superar os 80% entre adolescentes e jovens, segundo os estudos da organiza??o sem fins lucrativos Stop Street Harassment (SSH). Uma de cada quatro meninas j? foi v?tima desse tipo de ass?dio aos 12 anos e 90% das meninas de 19 anos respondeu afirmativamente quando perguntadas se j? se sentiram intimidada pelas "palavras e a?es desrespeitosas de desconhecidos em um espa?o p?blico". Essa ? a defini??o que a SSH d? ao "ass?dio de rua", um termo muito menos estudado e regulado do que "ass?dio sexual" ou "agress?o sexual", j? que se refere em boa medida a comportamentos que, embora ofensivos e perturbadores, n?o s?o tipificados como crime. E mais, chamar a aten??o das mulheres na rua e fazer coment?rios obscenos sobre seu corpo em muitos casos ? tratado com condescend?ncia, como um elogio ou uma piada inofensiva. Mudar esta vis?o ? o que moveu Fazlalizadeh a pegar sua c?mera, seu rolo e sua tinta no outono de 2012, quando come?ou a ocupar as ruas do bairro nova-iorquino do Brooklyn com rostos, frases e uma mensagem clara: este comportamento n?o ? aceit?vel. O que come?ou ent?o como uma modesta iniciativa individual se transformou agora em uma campanha nacional que envolveu centenas de mulheres. "Apesar de sua incid?ncia, a viol?ncia e o ass?dio contra as meninas e as mulheres nos espa?os p?blicos continua sendo um assunto amplamente ignorado, do qual poucas leis ou pol?ticas se ocupam", escreveu a ex-presidente do Chile Michele Bachelet quando era diretora-executiva de ONU Mulheres, a entidade da Organiza??o das Na?es Unidas para a igualdade de g?nero. Para reverter esta situa??o, Fazlalizadeh ofereceu v?rias formas de participa??o em sua campanha, atrav?s de um site que recruta volunt?rias tanto para pegar o rodo como para dar a conhecer a iniciativa nos meios de comunica??o e nas redes sociais. A pintora e ilustradora, nascida em Oklahoma e de ascend?ncia iraniana e afro-americana, fotografou primeiro as volunt?rias, depois desenhou seus rostos, sempre com olhar desafiante. Por ?ltimo, imprimiu tudo em cartazes em branco e preto junto de mensagens em letras mai?sculas: "As mulheres n?o saem ? rua para o entretenimento dos homens". Esses textos n?o s?o fruto da imagina??o de Fazlalizadeh, nasceram das hist?rias reais que as volunt?rias revelaram nas entrevistas que fez por todo o pa?s. A falta de conscientiza??o social sobre o ass?dio verbal de rua pode ser comprovada com a rea??o que alguns homens tiveram diante da campanha: em alguns cartazes apareceram pintadas sobre a mensagem "Pare de dizer ?s mulheres para que sorriam" o texto ""Obriguem-nas". Muitas das protagonistas desta iniciativa pertencem ?s minorias afro-americana, asi?tica e latina, grupos onde a incid?ncia deste tipo de agress?es ? ainda maior. Por esse motivo, alguns dos cartazes estejam escritos em espanhol.. A escolha dos muros p?blicos em lugar das paredes de uma sala de exposi?es n?o foi casual. Fazlalizadeh quis levar as mensagens das mulheres ao mesmo cen?rio em que s?o v?timas do ass?dio, a rua. Como advert?ncia a eles, e de lembran?a para elas: "N?o est?o sozinhas".

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Fonte: Vooz  |  Publicado por: Da Redação
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