
O fundador do Wikileaks, o australiano Julian Assange, que vive exilado na embaixada do Equador em Londres desde 2012, garantiu nesta quinta-feira (4) que, se o painel das Na?es Unidas (ONU) considerar que a ordem de deten??o contra ele n?o ? arbitr?ria, ele aceitar? ser detido pela pol?cia brit?nica.
A avalia??o da ONU sobre a a??o movida por Assange contra o Reino Unido e a Su?cia ser? divulgada na sexta-feira (5). “Se a ONU anunciar amanh? que perdi meu caso contra o Reino Unido e a Su?cia, deverei deixar a embaixada (do Equador em Londres) ao meio-dia de sexta-feira para aceitar a deten??o por parte da Pol?cia brit?nica, j? que uma apela??o n?o parece poss?vel", explicou, segundo a ag?ncia France Presse.
Mas se, pelo contr?rio, o painel decidir "que os Estados agiram de maneira ilegal, espero a devolu??o imediata do meu passaporte e que n?o ocorram novas tentativas de me prender", acrescentou Assange.
O australiano, de 41 anos, completou no dia 19 de junho do ano passado tr?s anos refugiado na embaixada equatoriana em Londres, ao t?rmino de um longo processo legal no Reino Unido, que decidiu por sua extradi??o ? Su?cia, onde ? investigado por crimes sexuais, segundo a ag?ncia EFE.
O Equador ofereceu asilo a ele, mas Assange pode ser preso imediatamente se pisar em solo brit?nico, e durante anos policiais permaneceram mobilizados em frente ? embaixada a um custo de milhares de libras, de acordo com a France Presse.
Assange teme que a Su?cia o entregue aos Estados Unidos, onde pode ser processado por ter revelado milhares documentos diplom?ticos e militares americanos no site WikiLeaks.
Assange fundou o WikiLeaks em 2006, e suas atividades, incluindo a divulga??o de 500.000 arquivos militares secretos sobre as guerras no Afeganist?o e no Iraque e 250.000 correspond?ncias diplom?ticas enfureceram os Estados Unidos.
A principal fonte dos vazamentos, o soldado do ex?rcito americano Chelsea Manning, foi condenado a 35 anos de pris?o por viola?es da Lei de Espionagem.
O WikiLeaks disse que a manipula??o feita pela Su?cia em seu caso manchou a reputa??o do pa?s no que diz respeito aos direitos humanos.
Assange apresentou em 2014 ante o Grupo de Trabalho sobre Deten?es Arbitr?rias (WGAD) uma demanda contra Su?cia e Reino Unido, alegando que seu confinamento na embaixada equatoriana (da qual n?o podia sair porque o Reino Unido lhe negava um salvoconduto) constitu?a uma deten??o ilegal.
Em Quito, o ministro das Rela?es Exteriores do Equador, Ricardo Pati?o, disse na quarta (3) que estava "preocupado" com a sa?de de Assange, e afirmou que o ativista sofre com problemas de sa?de pelos quais deve se submeter a uma revis?o m?dica fora da embaixada.
O respons?vel pela diplomacia equatoriana insistiu que espera "somente que o Reino Unido possa oferecer o salvo-conduto" para que Assange possa viajar ao Equador, segundo a EFE.
ONU
Na sexta-feira um grupo, integrado por seis especialistas, deve falar se a ordem de pris?o contra o fundador do WikiLeaks ? legal ou se seus direitos foram violados.
"A ?nica prote??o que ele tem... ? ficar confinado na embaixada; a ?nica forma que o senhor Assange tem de desfrutar seu direito de asilo ? estar na pris?o. Esta n?o ? uma escolha juridicamente aceit?vel", disse a apresenta??o, de acordo com um arquivo postado no site justice4assange.com.
Qualquer decis?o adotada pelo grupo n?o seria juridicamente vinculante, mas no passado foram reportados casos de pessoas liberadas com base em suas resolu?es, incluindo Aung San Suu Kyi, em Mianmar, e o jornalista do Washington Post Jason Rezaian, que foi mantido preso pelo Ir? por 18 meses.