Piaui em Pauta

Audiência na Câmara termina em tumulto após bate-boca entre Paulo Guedes e deputado.

Publicada em 04 de Abril de 2019 às 07h13


A animosidade entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e deputados da oposi??o levou ao encerramento, na noite desta quarta-feira (3), da audi?ncia na Comiss?o de Constitui??o e Justi?a da C?mara destinada ? apresenta??o para os parlamentares da reforma da Previd?ncia.

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(Na reuni?o, Guedes defendeu a reforma, dizendo que o governo gasta dez vezes mais com Previd?ncia do que com educa??o. Afirmou ainda que o sistema atual est? "financeiramente condenado" e ? "perverso". Tamb?m falou sobre o plano de cobrar grandes devedores. LEIA MAIS: destaques da audi?ncia de Paulo Guedes na C?mara.)

A audi?ncia foi encerrada ap?s mais de seis horas de dura??o, depois de uma confus?o que se formou quando o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou que o ministro age como "tigr?o" em rela??o a aposentados, idosos e pessoas com defici?ncia, mas como "tchutchuca" em rela??o ? "turma mais privilegiada do nosso pa?s".

Imediatamente, deputados come?aram a cobrar decoro por parte de Zeca Dirceu. O presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), pediu aos parlamentares respeito com o ministro.

Fora do microfone, Paulo Guedes se dirigiu a Zeca Dirceu e respondeu: "Voc? n?o falte com o respeito comigo. Tchutchuca ? a m?e, tchutchuca ? a v?".

Antes de encerrar a sess?o, Felipe Francischini pediu a Paulo Guedes e a Zeca Dirceu que retirassem as palavras.

Ainda fora do microfone, o ministro da Economia se dirigiu a Zeca Dirceu e afirmou, apontando o dedo indicador: "Eu respeito quem me respeita. Eu respeito quem me respeita, e voc? n?o me respeita. Se voc? n?o me respeita, voc? n?o merece respeito", afirmou.

"Infelizmente, tive de encerrar em fun??o de alguns desencontros. No entanto, muitos oradores falaram, muitas perguntas foram feitas, o ministro respondeu a muitos questionamentos. Acredito que a reuni?o foi muito produtiva, mas infelizmente tive de encerrar um pouco mais cedo em virtude de algumas brigas internas ali", afirmou Francischini.


Assessora levada ? delegacia
Em meio ? confus?o entre Guedes e Zeca Dirceu, a deputada Maria do Ros?rio (PT-RS) se desentendeu com Daniella Marques, assessora do Minist?rio da Economia.

A deputada ga?cha contou a jornalistas que tentou falar com o ministro para pedir a continuidade da audi?ncia, mas que a assessora tentou impedir. “N?o tenho como me lembrar agora se empurrou fisicamente ou n?o, mas meu papel de parlamentar ela impediu. Isso posso dizer com toda a certeza. Porque meu papel ? falar com o chefe dela e n?o com ela”.

A servidora do Minist?rio da Economia, ent?o, foi levada por policiais a uma sala da Pol?cia Legislativa da C?mara. "Ela [a servidora] assinou um termo de comparecimento aqui na delegacia e foi liberada. Se tiver uma acusa??o formal da deputada, a? a gente vai ouvir [a servidora] formalmente”, disse Fl?vio Queiroz, diretor-substituto da Coordena??o de Pol?cia Judici?ria da Pol?cia Legislativa. Maria do Ros?rio afirmou que n?o pretende prestar queixa.

Outros conflitos
Antes, Guedes e oposicionistas j? tinham protagonizado conflitos em outros momentos.

Em um desses momentos, houve reclama?es e gritaria quando Guedes afirmou que era preciso "internar" quem n?o considera necess?ria a reforma da Previd?ncia.

"Quem acha que n?o ? necess?ria? ? um problema s?rio. ? caso de internamento. Tem que internar", disse.


Em outro momento de confus?o, Guedes tinha sido questionado sobre os seguintes pontos: o impacto sobre as mulheres mais pobres das mudan?as nas regras de aposentadoria; a tributa??o de lucros e dividendos que incide sobre a parcela mais rica da popula??o; benef?cios fiscais para empresas; e regras diferentes para militares.

Ao responder ?s perguntas dos parlamentares, ele se referiu a um exemplo dado por um deputado de uma empregada dom?stica e afirmou que, pela regra atual, ela se aposentaria aos 61,7 anos e, pela proposta do governo, aos 62.

Quando ainda falava, o ministro foi interrompido pelo l?der do PSOL, Ivan Valente (SP). O deputado perguntou desde quando uma empregada dom?stica no Brasil consegue ter registro em carteira por tempo suficiente para conseguir 20 anos de contribui??o.

Nesse instante, se iniciou um tumulto no plen?rio devido ? rea??o de Paulo Guedes.

O ministro afirmou que os oposicionistas estiveram por quatro mandatos no poder e indagou por que eles n?o votaram a tributa??o sobre dividendos, e por que “deram dinheiro para empres?rios” e para a empresa JBS, empresa que esteve no centro de esc?ndalos apontados pela Opera??o Lava Jato.

“Voc?s est?o h? quatro mandatos no poder. Por que ? que n?o botaram imposto sobre dividendo? Por que ? que deram benef?cios para bilion?rios? Por que ? que deram dinheiro para a JBS? Por que ? que deram dinheiro para o BNDES?”, questionou Guedes.

Em seguida a essa declara??o, parlamentares governistas aplaudiram Guedes, mas ningu?m foi ao microfone para defend?-lo. Enquanto isso, oposicionistas gritavam com o ministro.

Ao reagir, Guedes afirmou: “Voc?s estiveram no governo. Voc?s s?o governo. N?s estamos h? tr?s meses. Voc?s tiveram 18 anos, 18 anos no poder e n?o tiveram coragem de mudar, n?o pagaram nada, n?o cortaram dividendos. O PSOL nasceu porque eles [PT] fecharam quest?o”.

Em seguida, instalou-se uma confus?o na CCJ, com deputados de oposi??o gritando com o ministro, que, por sua vez, respondeu: “Eu ouvi, eu respeitei a Casa. A Casa n?o est? me respeitando. A Casa n?o me d? o direito de falar”.


Depois de insistir com os deputados para permitir que Guedes falasse, que estava com a palavra, o presidente da comiss?o, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), amea?ou encerrar a audi?ncia.

"Deputados, eu vou encerrar a audi?ncia p?blica se n?o houver respeito neste momento", disse Francischini.

Sobre militares, o ministro afirmou que, se h? privil?gios na proposta em rela??o aos trabalhadores do setor privado e dos civis, que sejam cortados pelo Congresso Nacional.

“Cortem voc?s. Voc?s s?o o Congresso Nacional. T?m medo de fazer isso? Eu vou dizer para voc?s o que eu acho. Eu penso o seguinte: passou o tempo em que a Previd?ncia poderia ter sido um mecanismo, uma f?brica de desigualdades”, declarou.

Logo no in?cio da audi?ncia p?blica, por volta das 15h, houve momentos tensos. O ministro disse que a Previd?ncia ? uma “f?brica de desigualdades” e citou os exemplos dos estados de Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, e Minas Gerais, que j? enfrentam dificuldades para pagar sal?rios de servidores e aposentados.

Nesse instante, ele foi aparteado por parlamentares de oposi??o – que citaram o sistema previdenci?rio chileno, cuja previd?ncia social, com sistema de capitaliza??o (similar ao proposto por Guedes), paga benef?cios de baixo valor. Na proposta do ministro, por?m, est? assegurado ao menos um sal?rio m?nimo de benef?cio.

O ministro, ent?o, respondeu aos deputados de oposi??o: “Chile, US$ 26 mil de renda per capita, quase o dobro do Brasil. Acho que a Venezuela est? bem melhor”, disse, em tom ir?nico.

“Eu vou falar na hora em que voc? falar tamb?m. Fala mais alto do que eu. Fala alto. Eu n?o estou ouvindo. A palavra ? dos senhores”, disse, enquanto parlamentares de oposi??o gritavam.

Em seguida, por?m, o ministro afirmou ter cometido o erro de responder aos deputados.

“Eu cometi um erro s?rio quando respondi a uma indaga??o de Gleisi [Hoffman, deputada e presidente do PT], mas tentei ser atencioso e respondi. Sou muito respeitoso. Os senhores t?m muita familiaridade com esse ambiente, eu n?o. Os senhores poderiam considerar que eu posso cometer erros. Eu cometi o erro de interagir, eu s? deveria ter falado. Ent?o, eu n?o vou interagir”, afirmou.

Tags: Audiência na Câmara - A animosidade entre

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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