Piaui em Pauta

Avião que caiu em São Paulo era experimental e não tinha caixa-preta.

Publicada em 20 de Março de 2016 às 14h55


A aeronave que caiu no bairro da Casa Verde, na Zona Norte de S?o Paulo, no s?bado (19), matando o empres?rio Roger Agnelli, cinco pessoas de sua fam?lia e o piloto era norte-americana e voava no Brasil de forma experimental - ou seja, em teste para verifica??o de crit?rios de seguran?a e opera??o.
Morreram no acidente Agnelli, ex-presidente da Vale, Andrea Agnelli, sua mulher, Anna Carolina e Jo?o Agnelli, seus filhos, Parris Bittencourt, marido de Anna, Carolina Marques, namorada de Jo?o, e o piloto, Paulo Roberto Bau. A presidente Dilma Rousseff e a Vale lamentaram a morte do empres?rio por meio de notas.
O modelo CA-9, da norte-americana Comp Air Aviation, de prefixo PR-ZRA, n?o tinha nenhuma caixa-preta, caixa de voz e de dados, segundo a For?a A?rea Brasileira. Por ser um monomotor e estar em car?ter experimental, os dispositivos n?o s?o necess?rios, conforme a legisla??o brasileira, para este modelo de aeronave.

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O modelo foi comprado por Agnelli e pertencia a ele desde dezembro de 2012, conforme os dados da Ag?ncia Nacional de Avia??o Civil (Anac). O modelo estava com a documenta??o em dia e tinha capacidade para at? 3.900 kg e 7 pessoas (incluindo o piloto). Ele ? feito de fibra de carbono, tem asa alta e trem de pouso fixo. No site da companhia consta a informa??o de que a aeronave ainda n?o tem data para certifica??o nos Estados Unidos.
"Aeronave n?o certificada, voando em car?ter experimental, n?o possui um n?vel de seguran?a confirmado para estar voando, ? como se estivesse em teste, por conta e risco do propriet?rio", explica o comandante Carlos Camacho, que atua na ?rea de seguran?a operacional na avia??o civil.

"Toda aeronave voando representa um risco, mas uma aeronave experimental ele ? bem maior. ? uma grande irresponsabilidade manter este tipo de quesito, deveriam ser criados ao menos crit?rios b?sicos para garantir a seguran?a de uma aeronave experimental, certificando-as e aprovando-as para voarem no pa?s", defende Camacho.


'Risco'
O advogado Augusto Fonseca da Costa perdeu o filho em janeiro de 2015 em queda de aeronave experimental em Toledo, no Paran?. Ele criou a Associa??o Brasileira de V?timas da Avia??o Civil, defendendo uma campanha contra a avia??o experimental no pa?s.

"Isso ? uma irregularidade e iresponsabilidade absurda da Anac ao enquadrar aeronaves como experimentais para se furtar a crit?rios de seguran?a. Isso ? uma bagun?a total. V?rios tipos de aeronaves de teste est?o voando por a? no pa?s sem crit?rios. S?o prot?tipos de laborat?rio, em fase de teste, que s?o colocados aos milhares no mercado, representando um risco ao consumidor", afirma Augusto da Costa.

"Quem compra l? que ? experimental mas n?o tem ideia do que isso significa, n?o sabe o que ?. S?o produtos sem regras que matam pessoas todos os dias, foi o que matou meu filho", defende o advogado.

O G1 questionou a Anac os crit?rios para a libera??o de uma aeronave experimental e o prazo para a certifica??o, mas at? a publica??o desta reportagem n?o recebeu posicionamento. A reportagem telefonou para a ag?ncia v?rias vezes e tamb?m mandou e-mails.
No site da Anac consta a informa??o de que, para a homologa??o do avi?o como experimental, ser? feita uma vistoria t?cnica ap?s um processo de an?lise. Para que seja expedida a matr?cula e permitido o voo, ? necess?rio uma ap?lice de seguro.

Neste domingo, investigadores da For?a A?rea voltaram ao local da trag?dia para coletarem novos ind?cios e buscarem imagens que podem ajudar a levar a fatores que contribu?ram para o acidente.

"A per?cia encontrou um alto grau de destrui??o, um n?vel de destrui??o muito alto", afirma o coronel Madison Almeida do Servi?o Regional de Investiga??o e Preven??o de Acidentes Aeron?uticos (Seripa) 4, ?rg?o subordinado ao Centro de Investiga??o e Preven??o de Acidentes Aeron?uticos (Cenipa), que responde pela ?rea de S?o Paulo.
Entre as supeitas para a causa do acidente est? uma falha no motor ou um problema em rela??o ?s bombas de combust?vel. O piloto poderia, por exemplo, n?o ter ligado as bombas para bombeamento ao motor.
A aeronave decolou ?s 15h20 da cabeceira 12 de Campo de Marte e seguia com destino ao Santos Dumont, no Rio de Janeiro, caindo tr?s minutos ap?s a decolagem.

N?o h? informa?es ainda sobre se o piloto alertou ? torre do Campo de Marte ap?s a decolagem que havia pane.

Outro fator analisado pelos investigadores ? o hist?rico do piloto Paulo Roberto Bau, de 33 anos. Ele teria que ter uma habilita??o espec?fica para o modelo que era de Agnelli. A investiga??o tamb?m quer saber se o piloto reportou panes nos voos anteriores ou se a aeronave passou por alguma manuten??o recente.
O major Henguel Ricardo Pereira, que coordenou a a??o do Corpo de Bombeiros no resgate, afirmou que os corpos estavam "bem prejudicados e mutilados". "No local, a aeronave foi destro?ada pelo choque e os corpos estavam multilados e queimados", disse ele. Foram recolhidos sete cr?nios no local.

Tags: Avião que caiu - A aeronave que caiu

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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