Piaui em Pauta

Banco dos Brics pode ampliar influência da China no mundo

Publicada em 15 de Julho de 2014 às 10h30


?Analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que a cria??o de um banco de desenvolvimento pelos Brics (grupo formado por Brasil, R?ssia, ?ndia, China e ?frica do Sul) e de um fundo de socorro para pa?ses com problemas de liquidez financeira podem ser um ve?culo para expans?o da influ?ncia chinesa no mundo. Essas duas iniciativas ser?o anunciadas durante a reuni?o de c?pula dos Brics que come?a nesta ter?a-feira em Fortaleza. O banco deve contar com um capital inicial de U$ 50 bilh?es, US$ 10 bilh?es vindos de cada pa?s membro. Por outro lado, a China, detentora da maior reserva cambial do mundo, seria o principal financiador do fundo de socorro, contribuindo com U$ 41 bilh?es do total de U$ 100 bilh?es previstos. "A influ?ncia vai ser muito forte. A China vai contribuir com mais dinheiro que os outros pa?ses. Ainda h? a quest?o do yuan, que pode ser adotado como moeda oficial (das institui?es)", afirma Michael Wong, professor de finan?as da City University of Hong Kong. Para Lok-sang Hon, membro do conselho executivo da Associa??o Econ?mica de Hong Kong e pesquisador da Lingnan University, a China "quer contribuir significativamente para esse projeto, cuja import?ncia n?o ? apenas econ?mica. Financeiramente est? em uma posi??o melhor". Anti-d?lar Na ?ltima semana, o vice-ministro chin?s das Rela?es Exteriores, Li Baodong, afirmou que o "momento ? prop?cio" para a cria??o do novo banco, que ser? um "marco no atual sistema monet?rio internacional, dominado pelos Estados Unidos e pela Europa". Trata-se de uma refer?ncia ao fato de que o banco poderia ser uma alternativa ao Banco Mundial, uma organiza??o tradicionalmente dirigida por um representante americano, enquanto que o Fundo Monet?rio Internacional (FMI) tradicionalmente ? controlado por um representante europeu. O presidente do Banco Mundial, o sul-coreano-americano Jim Yong Kim, tamb?m se mostrou favor?vel a iniciativa de cria??o do banco dos Brics, que n?o considera como uma "amea?a", mas como um aliado na "batalha contra a pobreza" e no "est?mulo ao crescimento". "O tamanho do investimento n?o ? t?o grande comparado com investimentos feitos na China. Mas esse ? apenas o capital inicial. O banco vai atrair outros dep?sitos e crescer dez vezes ou vinte vezes, se tornando forte e constituindo uma sa?da para a China e para outras economias", prev? Wong. No futuro, outras na?es como M?xico, Turquia, Nig?ria e Indon?sia tamb?m poder?o se tornar parceiras do projeto. A China ? o maior credor dos Estados Unidos e o governo chin?s j? demonstrou interesse em diversificar as aplica?es de suas reservas, diluindo a concentra??o atual em t?tulos americanos, considerada por Pequim excessiva, o que torna o pa?s mais vulner?vel a oscila?es na economia americana. "Na perspectiva chinesa, esse ser? um importante passo para transformar o yuan em moeda institucional. A China tem forte interesse em diversificar riscos, investimentos estrangeiros e a moeda em que s?o realizados. Ela ? o maior credor dos Estados Unidos, mas quando h? tens?o entre os dois pa?ses, isso afeta Pequim". Para Wong, uma das maneiras de diversificar os investimentos seria contribuir com o FMI, o Banco de Desenvolvimento da ?sia (ADB) ou o Banco Mundial, mas essas organiza?es sofrem grande influ?ncia americana. Enquanto outro rival, o Jap?o, exerce grande press?o sobre o banco asi?tico. Acordo rublo-yuan O novo banco dever? apoiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos pa?ses membros e em outras economias emergentes. "Isso quer dizer que eles n?o precisam mais do apoio dos Estados Unidos e da Europa". Diante do bloqueio das reformas do FMI, a nova organiza??o aparece como uma resposta ? demanda dos Brics, que somam um quinto do PIB global e 40% da popula??o mundial, de representatividade dentro do cen?rio financeiro. A nova institui??o deve estar operacional at? 2016. As transa?es v?o ocorrer atrav?s da permuta de divisas entre os bancos centrais dos Brics. O mecanismo pode reagir rapidamente a sa?da de capitais e pretende facilitar o com?rcio, ignorando o d?lar. De acordo com Lok-sang Hon, os interesses comuns entre R?ssia e China e o peso dessas duas economias v?o impulsionar o projeto. Um acordo paralelo rublo-yuan vem sendo discutido nas ?ltimas semanas pelo Banco Popular da China e o Kremlin.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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