?A BBom repassou a outras empresas ao menos R$ 82,7 milh?es que foram alvos de bloqueios determinados pela Justi?a Federal. Parte desse montante, R$ 61,5 milh?es, diz respeito a dois neg?cios firmados semanas antes de a empresa ter os bens congelados sob suspeita de ser uma pir?mide financeira. Numa terceira opera??o, mais de R$ 20 milh?es foram para uma companhia com liga??o a um para?so fiscal. Os bloqueios foram determinados pela 6? Vara Criminal de S?o Paulo em 2013, numa decis?o que tamb?m congelou bens que ainda estavam em posse da BBom. No ?ltimo dia 30, o Superior Tribunal de Justi?a (STJ) liberou parcialmente bens da empresa. O pedido havia sido negado pelo Tribunal Regional Federal da 3? Regi?o (TRF-3), que abrange os Estados de S?o Paulo e Mato Grosso do Sul. Os R$ 82,7 milh?es que j? haviam sa?do das contas da BBom antes do bloqueio equivalem a dois ter?os dos R$ 130 milh?es que o dono da empresa, Jo?o Francisco de Paulo, disse, em novembro, dever a quem n?o conseguiu recuperar seus investimento no neg?cio. Os valores foram divulgados na decis?o do TRF-3 que negou o pedido de libera??o de bens da BBom, publicada em 28 de mar?o. At? ent?o, as decis?es j? publicadas revelavam apenas o destino R$ 31,5 milh?es do total, pagos a uma empres?ria de Campinas (SP). O juiz-substituto da 6? Vara Federal Criminal de S?o Paulo, Marcelo Costenaro Cavali, determinou o bloqueio dos recursos de empresas que receberam verbas da BBom ap?s escrever que as opera?es financeiras dela "representam ind?cios de que os respons?veis pelo esquema piramidal estariam cometendo atos de lavagem de capitais". Lan?ada como um bra?o de marketing multin?vel da Embrasystem, empresa que atua no mercado de rastreamento, a BBom ? acusada de ser uma pir?mide financeira milion?ria que se sustenta das taxas de ades?o pagas pelos associados, e n?o da venda de produtos e servi?os. O neg?cio foi totalmente bloqueado e teve as contas congeladas em julho de 2013 por uma decis?o da 4? Vara Federal C?vel de Goi?nia. Em agosto, a 6? Vara Criminal de S?o Paulo tamb?m determinou um congelamento de bens. As atividades da BBom foram parcialmente liberadas em novembro de 2013, por decis?o do Tribunal Regional Federal da 1? Regi?o, com sede em Bras?lia. ?s v?speras do bloqueio, BBom fechou neg?cio de R$ 30 milh?es Do total de R$ 87,2 milh?es identificados, R$ 20 milh?es passaram pela M-Cor Holding, fundada e administrada at? 2012 pelo dono da BBom, Jo?o Francisco de Paulo. Como o iG mostrou em reportagem, a atual propriet?ria da M-Cor ? uma empresa administrada por uma ex-funcion?ria da BBom, e que tem como controladora uma companhia com sede nas Ilhas Virgens Brit?nicas – um dos para?sos fiscais mais sigilosos do mundo. Outros R$ 30 milh?es foram pagos ? Quanta Educa??o, que tem como s?cio o administrador da M-Cor Holding, Cesar Augusto Santos Pereira. O neg?cio que justificaria a transa??o foi firmado em 26 de junho de 2013, duas semanas antes do primeiro bloqueio ? BBom, expedido em 10 de julho de 2013. No dia seguinte ? transfer?ncia de R$ 30 milh?es, a Quanta repassou R$ 245 mil para a Autostar, uma concession?ria de ve?culos. Foi identificado, ainda, o pagamento de R$ 1.241.693,57 a Cristina Dutra Bispo. Segundo o Minist?rio P?blico Federal em Goi?s (MPF-GO), ela ? mulher de Edinaldo Bispo, diretor de marketing da BBom. A Justi?a determinou congelamentos de valores nas contas de quem recebeu recursos da BBom, mas o volume de fato encontrado ainda ? incerto. Dos R$ 31,5 milh?es transferidos para a conta da empres?ria de Campinas, Juliana Costabile, pouco mais da metade (R$ 17,3 milh?es) foi congelada. A transa??o ocorreu firmada duas semanas antes do bloqueio da empresa. Jo?o Francisco de Paulo, dono da Embrasystem, respons?vel pela BBom, acusada de ser uma pir?mide financeira O advogado da Quanta e de seus s?cios negou irregularidades na transa??o. O defensor da M-Cor Holding e de Cesar Pereira informou que se pronunciaria apenas no processo. Um funcion?rio da Autostar informou que a concession?ria j? estava ciente do caso e que o departamento jur?dico tinha tomado as medidas cab?veis. Os advogados de Juliana, Cristina e BBom n?o responderam aos contatos da reportagem. Empresas eram pequenas antes de aporte da BBom Num caso, o tamanho da empresa que recebeu recursos da BBom chamou a aten??o do juiz Cavali, respons?vel pelas determina?es de bloqueios. Em outro, foi a data de abertura da empresa. A M-Cor, que recebeu R$ 20 milh?es, tinha faturamento anual bruto declarado de R$ 61 mil, segundo a decis?o judicial. A Quanta tamb?m n?o registrava “opera?es expressivas” antes de fechar o contrato de R$ 30 milh?es com a BBom, diz o documento. ? Justi?a, a M-Cor declarou que tinha um contrato de consultoria e assessoria com a Embrasystem, que ? empresa dona da marca BBom. A Quanta informou que os R$ 30 milh?es eram referentes a uma proposta de fornecimento de acesso ao plano de educa??o para empresas. “Nos autos do inqu?rito policial j? estamos provando a licitude da origem dos bens”, diz Jair Jaloreto, advogado da Quanta, que n?o confirma o valor de R$ 30 milh?es. “Todo dinheiro transferido ? decorrente de um contrato de presta??o de servi?os executados e tudo isso foi comprovado. Negamos peremptoriamente a acusa??o de lavagem de dinheiro.” Outra transa??o questionada pela Justi?a foi o pagamento de R$ 10 milh?es feito pela M-Cor Holding ? Forte Administra??o e Incorpora??o. A empresa, que assim como a Embrasystem tem sede na cidade de Indaiatuba (SP), foi constitu?da em abril de 2013, meses antes de receber a transfer?ncia. Segundo a decis?o, um dos s?cios da construtora, Fabio Conde, recebeu R$ 1 milh?o da Embrasystem. Advogado de Conde e da construtora, Daniel Catuzzi afirma que a empresa foi procurada pela M-Cor no in?cio de 2013, e fechou contratos para a constru??o de um galp?o de grandes propor?es e para a compra de uma ?rea destinada ? implementa??o de duas torres residenciais. "Neste per?odo n?o havia qualquer investiga??o em andamento ou not?cia sobre as atividades da BBom, Embrasystem etc.", afirmou. Catuzzi tamb?m ressalta que os recursos recebidos da M-Cor ficaram por semanas nas contas da Fortes – o que indicaria n?o haver interesse dos empres?rios em lavar dinheiro. “D? pra imaginar que dois empres?rios com d?cadas de hist?ria e prest?gio na regi?o, bem sucedidos muito antes do surgimento dessas empresas investigadas, tentassem lavar dinheiro utilizando bens em seus pr?prios nomes, e que, ap?s terem acesso ao dinheiro, nada fazem com ele?”, questionou Catuzzi.