Piaui em Pauta

BC sobe juro para 14,25% ao ano e indica manutenção no futuro.

Publicada em 29 de Julho de 2015 às 23h31


?Os juros b?sicos da economia brasileira subiram de 13,75% para 14,25% ao ano, um novo aumento de 0,50 ponto percentual, segundo decis?o tomada nesta quarta-feira (29) pelo Comit? de Pol?tica Monet?ria (Copom) do Banco Central. Foi a s?tima eleva??o seguida da taxa Selic, que atingiu o maior patamar desde julho de 2006, ou seja, em nove anos - quando estava em 14,75% ao ano.

? Siga-nos no Twitter



Ao mesmo tempo, a autoridade monet?ria tamb?m indicou que os juros devem permanecer neste patamar nos pr?ximos meses. "O Comit? entende que a manuten??o desse patamar da taxa b?sica de juros, por per?odo suficientemente prolongado, ? necess?ria para a converg?ncia da infla??o para a meta no final de 2016", informou a institui??o, em comunicado ? imprensa.
Com uma taxa mais alta de juros, o Banco Central tenta controlar o cr?dito e o consumo, atuando assim para segurar a infla??o, que tem mostrado resist?ncia neste ano. Por outro lado, ao tornar o cr?dito e o investimento mais caros, os juros elevados prejudicam o n?vel de atividade da economia brasileira e, tamb?m, a gera??o de empregos.
Um dos diretores optou por n?o participar da reuni?o
A reuni?o do Copom deste m?s foi marcada por uma pol?mica. O diretor de Assuntos Interncionais do Banco Central, Tony Volpon, optou por n?o participar do encontro ap?s ter declarado, na semana passada, em evento em S?o Paulo, que votaria pelo aumento dos juros at? que a proje??o de infla??o da autoridade monet?ria estivesse "de maneira satisfat?ria apontando para o centro da meta".
A declara??o de Volpon foi criticada pelo senador do PSDB, Jos? Serra, em artigo no jornal "Folha de S.Paulo". Segundo Serra, essa an?lise pr?via feita pelo diretor do BC subverteria o rito de defini??o da taxa b?sica de juros, que pressup?e que a taxa Selic seja definida somente no dia da reuni?o do Copom. O senador tucano declarou que o Copom "n?o ? lugar para amantes da vuvuzela".
Nesta quarta-feira, o BC informou que o diretor Tony Volpon decidiu se abster de participar desta reuni?o do Copom “a fim de evitar poss?veis preju?zos ? imagem do Banco Central do Brasil, sendo essa decis?o em car?ter pessoal e irretrat?vel”, conforme justificou o diretor em comunicado dirigido ao presidente do BC antes do in?cio da reuni?o.
Podem votar nas reuni?es do Copom todos os oito diretores da institui??o e o presidente da autoridade monet?ria, Alexandre Tombini, totalizando, portanto, nove votos. Os demais participantes do Copom votaram, em unanimidade, pela alta dos juros para 14,25% ao ano.
Decis?o confirma expectativa do mercado
A decis?o do Banco Central confirmou a expectativa da maior parte dos economistas do mercado financeiro. A previs?o dos analistas dos bancos, at? o momento, ? de que este seja o ?ltimo aumento do ciclo de alta dos juros iniciado em outubro do ano passado. A estimativa ? de que os juros terminem 2015 em 14,25% ao ano e que comecem a cair em janeiro do ano que vem.
O novo aumento dos juros b?sicos da economia acontece em um momento em que a economia ainda se ressente de um baixo n?vel de atividade, com o PIB encolhendo 0,2% no primeiro trimestre deste ano e o desemprego avan?ando para 6,9% em junho, maior taxa para o m?s desde 2010, indicando uma poss?vel recess?o, mas com a infla??o pressionada pelo aumento de tarifas p?blicas, como energia el?trica e gasolina.
Outro fator que tamb?m tem atuado para estimular a infla??o neste ano ? o processo de alta do d?lar - que avan?ou cerca de 25% em 2015, at? esta quarta-feira (29). D?lar mais alto barateia as exporta?es e torna as compras feitas no exterior (quer seja de insumos ou industrializados) mais caras - e os valores geralmente s?o repassados para os pre?os finais dos produtos importados.
Sistema de metas e poss?vel recess?o
Pelo sistema de metas de infla??o vigente na economia brasileira, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pr?-determinados. Para 2015 e 2016, a meta central de infla??o ? de 4,5%, mas o ?ndice de Pre?os ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de refer?ncia, pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
Em junho, a infla??o oficial ficou em 0,79%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat?stica (IBGE). Nos seis primeiros meses deste ano, a infla??o somou 6,17% (muito pr?xima do teto da meta de 6,5% para todo ano) e, em doze meses at? junho, totalizou 8,89% - a maior taxa desde dezembro de 2003, quando ficou em 9,30%
O pr?prio Banco Central j? admite que a infla??o deve estourar o teto de 6,5% do sistema de metas em 2015. A previs?o da autoridade monet?ria ? de que a infla??o fique em 9% neste ano. J? o mercado prev? um IPCA de 9,23% em 2015. A autoridade monet?ria tem dito que trabalha para evitar a propaga??o da infla??o neste ano e para trazer a o IPCA para o centro da meta, de 4,5%, at? o final de 2016.
Do lado da atividade econ?mica, ap?s a queda do PIB no primeiro trimestre, analistas acreditam na possibilidade de o pa?s entrar em recess?o, que se caracteriza por dois trimestres seguidos de contra??o da economia. A expectativa da maior parte do mercado financeiro, em pesquisa realizada na semana passada pelo BC com mais de 100 analistas de bancos, ? de que a economia brasileira tenha retra??o de 1,76% em 2015 – a maior em 25 anos.
O que dizem os analistas
Adriano Gomes, s?cio-diretor da M?thode Consultoria e professor de Finan?as da ESPM, avaliou que, com a redu??o da meta de super?vit prim?rio (economia para pagar juros da d?vida p?blica) pelo governo, o processo de alta dos juros j? n?o surte o efeito esperado de controlar a infla??o.
"Para conter a infla??o, tem que atuar com a pol?tica monet?ria [alta dos juros] e com a pol?tica fiscal [controle de gastos p?blicos]. Se a pol?tica fiscal n?o for devidamente realizada, fica uma for?a com vetores contr?rios. O resultado ? praticamente uma for?a anulando a outra. A politica fiscal acaba n?o contribuindo para o controle da infla??o com a revis?o da meta", disse o economista.
Assim como a maior parte dos economistas dos bancos, Gomes acredita que esse ser? o ?ltimo aumento de juros promovido pelo Banco Central.
"N?o vale a pena [subir mais os juros]. Voc? tem uma atitude nefasta. Se por um lado voc? arrocha ainda mais a economia, deixa um sentimento muito mais pessimista com rela??o a atividade econ?mica e isso impacta a arrecada??o do governo. Cada vez que aumentar os juros, tem que gerar mais prim?rio para pagar as despesas de juros [da d?vida p?blica]. Parece ser uma pol?tica que chegou ao seu esgotamento", concluiu ele.
Nesta semana, a Central ?nica dos Trabalhadores (CUT) realizou manifesta??o em frente ao Minist?rio da Fazenda contra a pol?tica econ?mica do governo. Na ocasi?o, Quintino Severo, secretario de Administra??o e Finan?as da CUT, disse que o ato tamb?m serviu para marcar posi??o contra a perspectiva de uma nova alta dos juros, que foi confirmada nesta quarta-feira.
"Estamos aqui para demonstrar que somos contra o aumento da taxa de juros. Estamos lutando contra isso, para que a classe trabalhadora n?o seja ainda mais prejudicada. Entendemos que dessa forma, o governo segue investido na especula??o financeira”, afirmou o representante da CUT.
Tags: BC sobe juro para 14 - Os juros básicos da

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas