Publicada em 15 de Julho de 2014 às 19h40
Palestino desce em túnel entre a Faixa de Gaza e o Egito
Imagem: Getty ImagesClique para ampliarPalestino desce em t?nel entre a Faixa de Gaza e o Egito Quase 200 palestinos j? morreram na faixa de Gaza nos ?ltimos 8 dias de ofensiva israelense, mas a viol?ncia n?o ? a ?nica preocupa??o dos moradores de um dos lugares mais isolados economicamente do mundo.
O pedacinho de 40 quil?metros de extens?o espremido entre o Mar Mediterr?neo e o resto do Oriente M?dio, que j? estava sujeito a uma s?rie de controles h? d?cadas, foi bloqueado por mar e terra por Israel desde 2007.
A atitude foi uma rea??o ? tomada do governo da faixa pelo Hamas - que ?, ao mesmo tempo, partido pol?tico, entidade filantr?pica e organiza??o armada, e n?o reconhece o direito de exist?ncia de Israel.
O Hamas venceu elei?es em 2006 e conquistou o controle definitivo de Gaza em 2007 ap?s uma disputa com o Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, que conta com o apoio do Ocidente e governa a Cisjord?nia, o outro territ?rio palestino.
Consequ?ncias
A justificativa para o bloqueio era que ele impederia o abastecimento de armas para o Hamas. Na pr?tica, ele acabou asfixiando ainda mais a j? fr?gil economia de Gaza.
Seu 1,8 milh?o de habitantes produzem apenas uma pequena fra??o do que precisam, ent?o dependem de bens importados que s? podem chegar ao seu territ?rio de duas maneiras oficiais: pela fronteira com o Egito em Rafah e pelas passagens com Israel.
Entre 2007 e 2010, s? era permitida a entrada de bens considerados "essenciais" e em quantidades calculadas. Cimento, considerado de poss?vel uso militar, foi banido - o que matou a ind?stria da constru??o civil, a maior fonte de crescimento no territ?rio. As exporta?es tamb?m foram restritas.
Foi neste cen?rio que t?neis clandestinos se multiplicaram e se tornaram cada vez mais centrais para a economia de Gaza, servindo como passagem para combust?vel, animais, materiais, armamentos e todo tipo de produto.
Em 2010, o bloqueio foi relaxado e a economia da faixa conseguiu crescer 15% no ano seguinte. S? que os conflitos continuaram, e no ano passado foram os t?neis que passaram a se tornar alvos - dessa vez, do Egito.
A queda de Hosni Mubarak e ascens?o da Irmandade Mu?ulmana haviam sido vistas como uma janela de oportunidade pelo Hamas, que se afastou de antigos aliados como S?ria, Ir? e o Hezbollah, do L?bano para focar na colabora??o com um Egito em ebuli??o.
S? que a esperan?a durou pouco e a estrat?gia saiu pela culatra. Quando os militares eg?pcios deram o golpe e voltaram ao poder h? exato um ano atr?s, trataram de acabar com os t?neis - at? mar?o deste ano, foram 1.370 destru?dos, segundo o ex?rcito.
Agora, apenas uma pequena parte da demanda por combust?vel ? atendida, e com pre?os muito maiores do que antes, o que significa longos blecautes de at? 16 horas por dia.
O governo, que taxava os bens contrabandeados nos t?neis, acabou perdendo uma parcela enorme de sua receita. 4 em cada 10 empregos existentes s?o no setor p?blico, e os sal?rios est?o reduzidos e atrasados h? meses.
O desemprego est? em 40% e 80% das fam?lias dependiam de ajuda humanit?ria para sobreviver j? em novembro passado, de acordo com a Oxfam. ? neste cen?rio que come?ou o novo conflito - e ? dif?cil encontrar alguma raz?o para esperan?a no futuro pr?ximo:
"A persist?ncia de restri?es israelenses para as exporta?es de Gaza e o controle da importa??o de insumos do investimento privado continuam a minar as perspectivas de crescimento de m?dio prazo", segundo um relat?rio do FMI, que prev? um crescimento de apenas 3% nos pr?ximos anos - praticamente nulo, considerando que a popula??o cresce em um ritmo parecido.