Publicada em 22 de Maio de 2014 às 08h34
?Pelo quarto ano seguido, o Brasil perdeu competitividade no cen?rio internacional. O pa?s ficou no 54? lugar em uma lista de 60 pa?ses no ?ndice de Competitividade Mundial da escola su??a IMD. H? quatro anos, o pa?s ocupava a 38? posi??o. "Este ano n?o s? perdemos em rela??o aos outros pa?ses como tivemos perda absoluta", diz Carlos Arruda, professor da Funda??o Dom Cabral, respons?vel pelos dados do Brasil na pesquisa. "Foi nosso pior desempenho. Desde 1996, nunca estivemos no ?ltimo quartil do relat?rio [entre os 25% piores]." saiba mais Brasileiros gastam menos com lazer e mais com comida e roupa Brasil perde for?a em disputa na OMC contra subs?dio dos EUA ao algod?o Clima econ?mico no Brasil n?o era t?o ruim desde 1999 Setor p?blico inchado atrapalha competitividade do Brasil, diz Financial Times Economista dinamarqu?s detona o Brasil e indica melhor investimento para fugir do caos Leia mais sobre Economia brasileira O estudo ? publicado desde 1989 e baseia-se na an?lise de dados estat?sticos relativos a mais de 300 indicadores e em pesquisas de opini?o com 4.000 executivos. No Brasil, de 1.000 executivos procurados, 100 responderam ao question?rio. Segundo Arruda, o desempenho do Brasil reflete a deteriora??o dos n?meros da economia e tamb?m a percep??o da classe empresarial. "Pesou muito a perda de participa??o do Brasil no com?rcio internacional, diante da nossa falta de capacidade de exportar. Mantivemos a capacidade de compra das fam?lias, mas estamos deixando de ser um player global", diz Arruda. Este ano, o Brasil ficou na ?ltima posi??o no indicador Taxa de Com?rcio Internacional pelo PIB. E na pen?ltima posi??o no indicador Exporta??o de Produtos pelo PIB. Como ponto a favor do pa?s Arruda destaca o tamanho da economia. "Apesar da queda relativa em 2014, o tamanho da economia dom?stica (7? posi??o no indicador consumo das fam?lias), a atra??o de investimentos diretos (7? posi??o) e o emprego (6? posi??o) s?o dados de destaque para o Brasil. Esses resultados positivos s?o significativos, mas, sozinhos, j? n?o sustentam o crescimento do s?timo maior PIB do mundo", diz Arruda. Na avalia??o do professor da Funda??o Dom Cabral, o que mais pesou para o mau desempenho do pa?s foi a perda de efici?ncia empresarial, resultante da combina??o de baixo crescimento do PIB com crescimento do emprego de menor valor agregado. "N?o geramos emprego de alto valor e estamos perdendo exporta??o de produtos de maior tecnologia. O emprego e o consumo dom?stico crescem, mas a riqueza n?o cresce na mesma propor??o." Imagem: Editoria de Arte/Folhapress VIOL?NCIA Pela primeira vez desde o in?cio da pesquisa, quest?es como seguran?a p?blica e viol?ncia urbana surgem como temas que, na percep??o dos empres?rios, afetam a competitividade brasileira. "Energia sempre aparece como um item caro. Mas neste ano, al?m da quest?o do alto custo, h? uma percep??o de que o recurso pode se tornar escasso, prejudicando o crescimento", afirma. N?o foi s? o Brasil que perdeu em competitividade. De modo geral, os pa?ses latinos e tamb?m os mais populosos, como China e ?ndia, ficaram est?veis ou ca?ram um pouco. "? inconceb?vel para o um pa?s como o Brasil ficar entre os dez ?ltimos e seguir perdendo espa?o a cada ano", diz ele. "N?s mudamos de vizinhan?a. Antes est?vamos ao lado de Col?mbia, M?xico e Turquia e agora nossos vizinhos de ranking s?o Argentina, Venezuela, Cro?cia e Gr?cia." Para Arruda, o diagn?stico e o planejamento para destravar o pa?s j? existe. O problema est? em tirar os projetos do papel. "H? uma enorme dist?ncia entre a inten??o de fazer a o que ? feito na pr?tica em termos de investimento em infraestrutura. Estamos perdendo competitividade por falta de implementa??o dos projetos." EFICI?NCIA DO GOVERNO Desde 2011, o Brasil est? entre os cinco piores pa?ses em termos de ambiente institucional e regulat?rio. "Historicamente, este ? ponto mais cr?tico da competitividade do pa?s", afirma. "Temos um dos piores ambientes para se fazer neg?cios no mundo, com alta carga tribut?ria direta e indireta, taxas de juros de curto e longo prazos que desestimulam o investimento na produ??o e no crescimento das empresas." Do lado positivo, ele destaca o papel do BNDES no fomento ao setor privado.