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Brasil chega a 250 mil mortos com ritmo acelerado de óbitos por Covid-19.

Publicada em 24 de Fevereiro de 2021 às 23h50


Prestes a completar um ano de pandemia, o Brasil ultrapassou a marca de 250 mil mortes devido ? Covid-19, segundo boletim extra do cons?rcio de ve?culos de imprensa divulgado nesta quarta-feira (24). Foram 1.390 novos ?bitos registrados at? as 18h18, totalizando 250.036 no pa?s.

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At? esse hor?rio, 22 estados e o Distrito Federal que divulgaram atualiza?es de dados: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Cear?, Distrito Federal, Esp?rito Santo, Goi?s, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Par?, Para?ba, Pernambuco, Paran?, Rio de janeiro, Rio Grande do Norte, Rond?nia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe S?o Paulo e Tocantins.

O n?mero mortes foi atingido em meio ? falta de campanha de vacina??o e com novas variantes circulando. Especialistas citam o ritmo acelerado de transmiss?o e de mortes, consequ?ncia da falta de medidas de isolamento e de restri?es impostas pelo Estado.

O registro do primeiro ?bito por Covid-19 no Brasil ocorreu em 12 de mar?o, e foram necess?rios 100 dias para que o n?mero chegasse a 50 mil – marca atingida em 20 de junho do ano passado.

Entre a cifra de 200 mil, atingida em 7 de janeiro de 2021, e a de 250 mil, passaram-se 48 dias. O ritmo das mortes deve continuar acelerando. O pa?s pode atingir 300 mil mortes ainda no m?s de mar?o.

"Desde 22 de dezembro, a m?dia m?vel de mortes, com algumas flutua?es, ? maior do que a primeira onda. Quer saber quando vamos chegar a 300 mil? Vamos chegar no final de mar?o ou in?cio de abril. Isso ? aritm?tica simples. Estamos acima de 1 mil mortes por dia", afirmou Domingos Alves, pesquisador da faculdade de medicina da Universidade de S?o Paulo (USP) em Ribeir?o Preto.
'Enxugar gelo'
H? um consenso entre epidemiologistas, m?dicos e virologistas de que as medidas de isolamento do Brasil n?o s?o suficientes, sendo a aus?ncia delas o principal fator para altas taxas de transmiss?o e mortes. Nesta quarta-feira, por exemplo, o estado de S?o Paulo determinou a restri??o de circula??o das 23h ?s 5h. Para Ethel Maciel, p?s-doutora em epidemiologia, ? "melhor que nada", mas est? longe de ser uma medida eficaz.

"O problema ? que estamos com pouqu?ssimas medidas de restri??o. Restringir de 23h ?s 5h ? melhor que nada, mas ? muito ruim. As pessoas andam em transporte coletivo lotado, entram em outros lugares sem nenhum controle", disse.

Entre os erros cometidos pelo estado que acarretaram a marca de 250 mil mortes, Maciel lista:

demora para fechar as fronteiras;
implementa??o ineficaz – quase nula - de barreiras sanit?rias;
pol?tica inexistente de testes e rastreamento de contatos e de assintom?ticos;
queda na taxa de testagem; e
falta de lideran?a e incentivo ao isolamento por parte do presidente, governadores e prefeitos.
J? Alves resumiu essas medidas – na verdade, a aus?ncia delas – com uma express?o: toda a pol?tica nacional ? de "enxugar gelo". Segundo ele, cientistas avisaram sobre uma nova alta nos casos e mortes com dois meses de anteced?ncia, em setembro do ano passado. Em novembro, com a alta no n?mero de casos, o ministro da Sa?de Eduardo Pazuello descartou o in?cio de uma segunda onda e preferiu chamar de "repique".


"Quando a pandemia estava na It?lia ainda, a gente achou que n?o chegaria no Brasil. A? come?ou a segunda onda na Europa e o governo disse que n?o tinha retornado no Brasil. ? falta de compet?ncia", avaliou Maciel.
Outro fator que pode impulsionar as transmiss?es ? a chegada de novas variantes do Sars CoV-2. Nesta ter?a-feira (23), o Minist?rio da Sa?de divulgou que rastreou 204 casos de pacientes infectados com as variantes do Reino Unido e do Brasil, inicialmente detectada no Amazonas. Ainda n?o h? uma confirma??o definitiva de que as muta?es deixam o v?rus mais transmiss?vel, mas ? uma possibilidade que est? sendo investigada pelos cientistas e que causa preocupa??o.

Existem, no entanto, tr?s centros de sequenciamento do v?rus que enviam informa?es para o minist?rio: Funda??o Oswaldo Cruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas. Outros laborat?rios p?blicos e privados tamb?m t?m feito a an?lise do material, mas n?o existe uma centraliza??o dos resultados. No final, o pa?s n?o tem no??o da real dissemina??o das novas variantes, nem se elas j? s?o dominantes.

Z? Gotinha?

O Brasil n?o fez uma campanha publicit?ria de incentivo ? vacina??o como em outros tempos. A chegada das primeiras doses foi bastante divulgada pelos governos estaduais e federal, mas parou por a?. Por enquanto, n?o ? poss?vel definir a data para aplica??o da primeira dose em cada faixa et?ria ou grupo de risco.

O Minist?rio da Sa?de faz uma recomenda??o para aplica??o, mas governadores distribuem as doses com crit?rios diferentes. Nesta semana, o governo liberou aplica??o da reserva dos lotes para a segunda dose da CoronaVac em novos grupos priorit?rios. No ritmo de vacina??o em que estamos, de acordo com os entrevistados pelo G1, vamos sentir o impacto da vacina no final do ano, em uma previs?o otimista.

"A falta de informa??o d? a entender que com a chegada da vacina n?s temos um vi?s de salva??o, mas tudo indica que o processo vai ter um efeito s? no final do ano. At? l? o cen?rio vai piorar, e isso ? um cen?rio real. Os dados que est?o se apresentando mostram isso. E as nossas medidas que est?o sendo tomadas s?o, volto a dizer, de enxugar gelo", disse Alves.
Tags: Brasil chega a 250 - Prestes a completar

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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