O Brasil est? entre os pa?ses mais vulner?veis do mundo quando se trata de seguran?a da informa??o. A produ??o cient?fica brasileira na ?rea ? baixa e, por isso, o pa?s ? considerado “seguidor”, por lan?ar novas tecnologias muito tempo depois dos outros pa?ses. Estas constata?es est?o no livro Tecnologias da Informa??o e Comunica??o: Competi??o, Pol?ticas e Tend?ncias, lan?ado hoje (30) por pesquisadores e colaboradores do Instituto de Pesquisa Econ?mica Aplicada (Ipea).
Do ponto de vista das pol?ticas p?blicas, o t?cnico do Ipea Luis Claudio Kubota, um dos organizadores da obra, disse ? Ag?ncia Brasil que o pa?s precisa ficar atento, pois o mercado de tecnologia da informa??o ? extremamente globalizado e dominado tanto por operadoras quanto por fornecedores de equipamentos estrangeiros.
Outra quest?o diz respeito ? converg?ncia digital, que ? uma realidade cada vez maior e une as telecomunica?es e a tecnologia da informa??o, com dispositivos m?veis, como os celulares inteligentes (smartphones) e os cont?udos. “De certa forma, as ag?ncia regulat?rias n?o est?o muito adaptadas para este novo mundo. Est?o muito focadas, cada uma na sua caixinha. Por isso, existe, hoje, por exemplo, a necessidade da Anatel [Ag?ncia Nacional de Telecomunica?es] se articular com a Ancine [Ag?ncia Nacional de Cinema]”, disse Kubota.
Para o pesquisador, embora tenha melhorado muito no aspecto de participa??o em ?rg?os de padroniza??o e? de patentes e no volume de produ?es cient?ficas, o Brasil inicia seu desenvolvimento cient?fico em uma base muito pequena. “A participa??o do pa?s em produ??o cient?fica ? muito pequena, se comparada com a de outros pa?ses. Al?m disso o mercado ? seguidor, porque lan?a as tecnologias com muitos anos de atraso.”
Segundo Kubota, s?o fatores que acabam dificultando a chegada do pa?s ? fronteira do conhecimento e da competitividade. Ele e os demais autores do livro lembram que qualquer mudan?a neste comportamento ser? de longo prazo e n?o pode escapar da educa??o.
Um deles, Samuel C?sar da Cruz Junior, que tamb?m ? t?cnico do Ipea, cita outra quest?o delicada, a da seguran?a da informa??o, e diz que s?o necess?rias v?rias a?es para evitar a vulnerabilidade do pa?s em uma ?poca em que a guerra cibern?tica constitui grande preocupa??o para muitos governos. No cap?tulo Alerta sobre Inseguran?a da Informa??o: Cen?rio Brasileiro e Recomenda?es, Samuel C?sar destaca que o grande volume de produ??o, armazenamento e transfer?ncia de dados entre diferentes dispositivos e diversas redes resulta em um aumento significativo da vulnerabilidade e das amea?as ? seguran?a da informa??o.
“A quest?o da seguran?a ? muito delicada e a solu??o depende de um conjunto de a?es, como maior regula??o, porque as redes brasileiras s?o muito vulner?veis a ataques. Hoje existem botnets [redes de computadores infectadas por bots, um programa malicioso de computador que permite controlar equipamentos ? dist?ncia] que podem ser utilizados para ataques cibern?ticos”, lembra. Hoje, operadoras e fornecedores de servi?os de acesso s?o muito vulner?veis, disse ele.
“No Jap?o, por exemplo, quando um computador ? invadido, a pr?pria operadora se encarrega de avisar ao usu?rio. At? porque as pragas virtuais s?o programadas para ficar escondidas nos computadores sem ser percebidas. Temos muitos computadores contaminados, e as pessoas n?o sabem disto”, acrescentou.
Samuel C?sar diz que uma boa estrat?gia seria alertar o usu?rio quando o sistema do computador dele est? vulner?vel, como fez recentemente o FBI, a Pol?cia Federal dos Estados Unidos, ao avisar sobre o DNSChanger. Para evitar riscos ? privacidade, n?o seria monitorado o conte?do acessado pelo usu?rio, mas sim a rede que est? sendo usada.
As mudan?as passariam tamb?m pela conscientiza??o dos usu?rios, e principalmente das empresas, que t?m, muitas vezes, sistemas que funcionam ininterruptamente, mas n?o t?m a prote??o necess?ria para perceber atividades estranhas nos sistemas. “Em novembro de 2011, quando fizemos o levantamento, o Brasil tinha nove dom?nios entre os 200 mais contaminados do mundo. Mas existe um conjunto de ferramentas que devem ser usadas, como os firewall, os antiv?rus etc. Sempre atualizados, reduzem em 95% os ataques que ocorrem.”
Os interessados em obter o livro Tecnologias da Informa??o e Comunica??o: Competi??o, Pol?ticas e Tend?ncias devem mandar um e-mail para livraria@ipea.gov.br.