Os mais de 61,5 mil assassinatos cometidos em 2016 no Brasil equivalem, em n?meros, ?s mortes provocadas pela explos?o da bomba nuclear que dizimou a cidade de Nagasaki no Jap?o, em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.
Sergipe registrou a maior taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes: 64, seguido de Rio Grande do Norte, com 56,9 e Alagoas, com 55,9, todos estados do Nordeste.
As capitais com maiores taxas de assassinatos por 100 mil habitantes s?o Aracaju, com 66,7, Bel?m, 64, e Porto Alegre, 64,1.
Apesar disso, os governos gastaram 2,6% a menos com pol?ticas p?blicas de seguran?a p?blica em 2016: 81 milh?es. A maior redu??o observada foi nos gastos do governo federal: 10,3%.
“Queda dos gastos chama aten??o. Passa a impress?o de que o emprego da for?a nacional ? hoje a ?nica estrat?gia do governo federal na ?rea da seguran?a. Tem mais efeito midi?tico do que pr?tico, diz Arthur Trindade, integrante do F?rum.
O 11? Anu?rio Brasileiro de Seguran?a P?blica tamb?m trouxe, pela primeira vez, os dados de desaparecidos no Brasil. Como o G1 mostrou, foram registrados oito desaparecimentos por hora de 2007 a 2016 no pa?s.
Viol?ncia policial
A letalidade das pol?cias nos estados brasileiros aumentou 25,8% em rela??o a 2015: 4.224 pessoas foram mortas em decorr?ncias de interven?es de policiais Civis e Militares.
Quase a totalidade das v?timas ? homem, 99,3%, jovem, 81,8% t?m entre 12 e 29 anos, e negra, 76,2%.
O n?mero de policiais mortos tamb?m aumentou 17,5% em rela??o a 2015: 437 policiais civis e militares foram v?timas de homic?dio em 2016. A maioria das v?timas tamb?m ? negra: 56% contra 43% de brancos e, em 32,7% dos casos, t?m de 40 a 49 anos.
Latroc?nios
De acordo com o diretor do F?rum Brasileiro de Seguran?a P?blica, Renato S?rgio de Lima, os n?meros de latroc?nios cometidos no pa?s s?o “no m?nimo, obscenos”
Os latroc?nios, que s?o o roubo seguido de morte, totalizaram 2.703 ocorr?ncias em 2016, um crescimento de 50% em compara??o com 2010. As maiores taxas est?o em Goi?s, com 2,8 mortes por 100 mil habitantes, e dois estados da regi?o Norte, o Par? e o Amap?.
“A viol?ncia se espraiou para todos os estados. N?o ? exclusividade s? de um, apesar de haver uma v?tima preferencial”, diz Lima
Estupros e feminic?dios
O n?mero de estupros cresceu 3,5% no pa?s e chegou a 49.497 ocorr?ncias em 2016. No ano passado, uma mulher foi assassinada a cada duas horas no Brasil, totalizando 4.657 mulheres. Mas apenas 533 casos foram classificados como femin?cidios, mesmo ap?s lei de 2015 obrigar registrar mortes de mulheres dentro de suas casas, com viol?ncia dom?stica e por motiva??o de g?nero.
“Primeira vez que conseguimos computar os dados de mortes por sexo. Piau? registrou 58% das mortes de mulheres como feminic?dio, que ? a estat?stica esperada pelos especialistas”, diz Samira Bueno, diretora-executiva do F?rum.
Crimes contra o patrim?nio e armas
Um carro foi roubado ou furtado por minuto no Brasil, totalizando 1.066.674 ve?culos subtra?dos entre 2015 e 2016.
Um indicador que diminuiu foi a apreens?o de armas: houve redu??o de 12,6% e, no total, 112.708 foram apreendidas em 2016.
“Maior parte dos homic?dios foi cometida por armas legais produzidas no Brasil. Ent?o, n?o ? s? quest?o da fronteira”, diz Elissandro Lotin, presidente da Anaspra, e integrante do F?rum.
For?a Nacional
Em 2016, houve aumento de 292% no n?mero de profissionais da For?a Nacional mobilizados em a?es pelo pa?s. Os gastos tamb?m foram de R$ 184 milh?es para R$ 319 milh?es, em 2016.
Apesar disso, houve redu??o de 30,8% nos gastos com o Fundo Nacional de Seguran?a P?blica, menos 63,4% em gastos com o Fundo Nacional Antidrogas e aumento de 80,6% de recursos do Fundo Penitenci?rio Nacional.
Adolescentes e escolas
O anu?rio tamb?m contabilizou o n?mero de adolescentes cumprindo medidas socioeducativas, 24.628 em 2014, sendo 44,4% por roubo e 24,2% por tr?fico de entorpecentes.
O estudo tamb?m concluiu que 40% das escolas n?o possuem esquema de policiamento para evitar viol?ncia em seu entorno e 70% dos professores e diretores presenciaram agress?o f?sica ou verbal entre os alunos.