Piaui em Pauta

Brasileiro ganha Nobel da matemática

Publicada em 12 de Agosto de 2014 às 20h10


O matemático Artur Avila, de 35 anos, premiado com a Medalha Fields  O matemático Artur Avila, de 35 anos, premiado com a Medalha Fields  Imagem: Am?rico MarianoO matem?tico Artur Avila, de 35 anos, premiado com a Medalha Fields? Um carioca de 35 anos se tornou o primeiro brasileiro a receber a prestigiada Medalha Fields, considerada o pr?mio Nobel da matem?tica. Artur Avila foi anunciado como merecedor da l?urea m?xima da Uni?o Internacional de Matem?tica (IMU, na sigla em ingl?s), durante o Congresso Internacional de Matem?ticos, nesta ter?a-feira, quarta de manh? em Seul, na Coreia do Sul, onde o evento acontece. A medalha ? entregue a cada quatro anos, a no m?nimo dois e no m?ximo quatro profissionais com menos de 40 anos cujos trabalhos um comit? secreto julga terem sido fundamentais para o avan?o da matem?tica. Junto com Avila, este ano a Fields foi entregue tamb?m ao canadense Manjul Bhargava, ao austr?aco Martin Hairer e ? iraniana Maryam Mirzakhani. “Artur Avila fez not?veis contribui?es no campo dos sistemas din?micos, an?lise e outras ?reas, em muitos casos provando resultados decisivos que resolveram problemas h? muito tempo em aberto. Quase todo seu trabalho foi feito por meio de colabora?es com cerca de 30 matem?ticos de todo mundo. Para estas colabora?es, Avila traz um formid?vel poder t?cnico, a engenhosidade e tenacidade de um mestre em resolver problemas e um profundo senso para quest?es profundas e significativas. Os feitos de Avila s?o muitos e abrangem uma ampla gama de t?picos. Com sua combina??o de tremendo poder anal?tico e profunda intui??o sobre sistemas din?micos, Artur Avila certamente continuar? um l?der na matem?tica ainda por muitos anos”, escreveu o comit? da IMU na sua justificativa para o pr?mio. Ex-aluno de duas escolas tradicionais do Rio, os col?gios Santo Agostinho e S?o Bento, o calculista coleciona medalhas desde os 13 anos, quando ganhou um bronze na Olimp?ada Brasileira de Matem?tica (OBM) de 1992. De l? at? receber a sonhada Fields, Avila conquistou alguns ouros em outras edi?es da olimp?ada e concluiu seu doutorado no Instituto de Matem?tica Pura e Aplicada (Impa), em 2011, aos 21 anos. Hoje, divide seu tempo entre o Impa, onde atua como pesquisador extraordin?rio, e o trabalho de diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisas Cient?ficas da Fran?a, em Paris. "Sentia isso como uma press?o" ? diferen?a do Nobel, cujos vencedores s? sabem da premia??o ap?s o an?ncio oficial na Su?cia, os ganhadores da Medalha Fields s?o informados previamente. O carioca, que j? havia sido cogitado para o pr?mio em 2010, recebeu a not?cia h? dois meses, com um certo al?vio. — H? v?rios anos existia uma expectativa nessa dire??o, e realmente eu sentia isso como uma press?o sobre mim, tamb?m pela sua import?ncia para o Brasil, que de maneira um pouco estranha nunca teve pr?mios internacionais desse porte, como um Nobel. Assim, ficava um pouco pesado. A not?cia da medalha teve, para mim, um primeiro efeito de al?vio — conta Avila. O matem?tico trabalha com a ?rea de sistemas din?micos, mais conhecida como a teoria do caos, que busca descrever e prever como evoluem todos os sistemas que mudam com o tempo. A forma??o de uma nuvem, por exemplo, desenvolve-se como base em um sem-n?mero de fatores. Trata-se de um campo de mais alta complexidade. No Impa, a not?cia sobre o pr?mio foi recebida com muita festa: — Essa medalha para o Artur vem primeiro coroar o trabalho individual dele, mas, ao mesmo tempo, ? coerente com a situa??o da matem?tica brasileira — pondera C?sar Camacho, diretor-geral do Impa. — N?o ? como um salto qu?ntico. Um feito excepcional, sim, mas n?o fora da curva. ? resultado de um longo trabalho de constru??o do Impa como centro de excel?ncia da matem?tica mundial nos ?ltimos 62 anos. Somos uma institui??o aberta, com muitos contatos e intera??o com outras no exterior, e na qual tudo ? feito com base no m?rito. Avila e os outros tr?s ganhadores deste ano se juntam ?s outras 52 pessoas laureadas desde a primeira Medalha Fields, em 1936. O pr?mio foi criado pelo canadense John Charles Fields, para “reparar” o erro do sueco Alfred Nobels, que, ao elaborar o Pr?mio Nobel, em 1895, desconsiderou a matem?tica como ci?ncia importante. Hoje, os ganhadores da Medalha Fields recebem 15 mil d?lares canadenses (R$ 31 mil). Valor bem menor do que as 8 milh?es de coroas suecas (cerca de R$ 2,7 milh?es) pagos aos premiados com o Nobel. Nas 17 edi?es anteriores da Fields, os americanos foram os mais premiados (12 vezes). A medalha de ?vila ? a primeira de um matem?tico da Am?rica Latina. Orientador do pesquisador em seu doutorado no Impa, Welington de Melo afirma que o trabalho dele j? o credenciava ? medalha no congresso de 2010, na cidade indiana de Hyderabad (a pr?xima edi??o, ali?s, acontece no Rio, em 2018.). — Ele s? n?o ganhou porque tinha outra chance. Os trabalhos que tinha feito j? eram mais do que suficientes — avalia. — O Brasil nunca teve um ganhador do Nobel antes, e a Fields ? algo at? mais dif?cil. Espero que o Artur sirva como est?mulo para outros jovens se esfor?arem para serem grandes matem?ticos e continuarem a levar a matem?tica brasileira e mundial a um alt?ssimo n?vel. Ex-professor e hoje colaborador de Avila, Marcelo Viana, pesquisador do Impa e presidente da Sociedade Brasileira de Matem?tica, diz que um dos talentos dele ? a capacidade de transitar por muitas ?reas da matem?tica avan?ada. — Artur pegou a bagagem que acumulou no Impa e foi al?m. Ele ? muito produtivo, tem grande capacidade de concentra??o e n?o faz nada que n?o seja profundo — elogia. Presidente da IMU e primeira mulher nesse posto, a belga Ingrid Daubechies v? em Avila versatilidade e esp?rito colaborativo. — Ele trabalha com sistemas din?micos, um campo muito interessante que se conecta com uma ampla gama de aplica?es, mas tamb?m com diversas dificuldades t?cnicas e quest?es em aberto das quais muitas ele simplesmente derrubou ou desbloqueou. — explica. — Artur surpreendeu pela abrang?ncia de suas colabora?es. Antes, era frequente que os mais fortes resultados fossem obtidos por matem?ticos isoladamente ou em colabora??o com apenas uma pessoa, mas isso est? mudando. Muitos dos melhores e mais jovens matem?ticos gostam de colaborar entre si. Esta ? uma caracter?stica de Artur. Assim como Camacho, Ingrid v? na escolha de Avila para o pr?mio um reconhecimento da comunidade matem?tica internacional ao trabalho realizado pelo Impa. - O Impa tem sido um forte centro de produ??o de pesquisas em matem?tica j? h? muitos anos e isso ? um reconhecimento de que o Brasil agora chegou ao mais alto n?vel poss?vel – diz. - A matem?tica ? a mais antiga das ci?ncias e ? maravilhoso ver o seu desenvolvimento em locais fora dos centros tradicionais, como na Europa e Am?rica do Norte.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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