?O paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, que dever? ser executado na Indon?sia, rejeitou neste domingo fazer seus tr?s ?ltimos pedidos e expressou confian?a de que a senten?a n?o ser? cumprida, disse seu advogado.
Gularte, de 42 anos, foi notificado no s?bado de que ser? executado por fuzilamento. Nenhuma data para a senten?a foi anunciada, mas ela poder? ser realizada j? na ter?a-feira ap?s o fim do aviso de 72h previsto pela lei indon?sia.
Preso em 2004 ao tentar entrar na Indon?sia com 6kg de coca?na em pranchas de surfe, Gularte foi condenado ? morte em 2005.
A defesa ainda tenta convencer autoridades a reverter sua pena, ap?s o brasileiro ter sido diagnosticado com esquizofrenia, e entrar? com um novo recurso na segunda-feira.
Gularte recebeu visita da prima, Angelita Muxfeldt, na pris?o de Nusakambangan, a cerca de 400km de Jacarta, onde ele ? mantido e as senten?as dever?o ser cumpridas. Ele poder? ser visitado todos os dias at? a data da execu??o.
O encontro foi "dif?cil", no qual ele se negou a realizar os tr?s ?ltimos pedidos a que tem direito, disse ? BBC Brasil o advogado Ricky Gunawan, que tamb?m esteve na reuni?o.
"Ele rejeitou, rindo. E disse: 'Isso ? alguma coisa como Aladdin? N?o preciso disso'", disse ele, que assumiu o caso em mar?o.
Gularte poder? ser o segundo brasileiro a ser executado na Indon?sia. Em janeiro, o carioca Marco Archer Cardoso Moreira foi fuzilado ap?s ser condenado ? morte por tr?fico de drogas.
'Pena de morte abolida'
Gularte foi diagnosticado com esquizofrenia por dois relat?rios no ano passado. Em mar?o, uma equipe m?dica reavaliou o brasileiro ? pedido da Procuradoria Geral indon?sia, mas o resultado deste laudo n?o foi divulgado, apesar de repetidos pedidos da defesa e do governo brasileiro.
Familiares e conhecidos relataram em entrevistas recentes ? BBC Brasil que Gularte passa seus dias na pris?o conversando com paredes e ouvindo vozes de sat?lites. Dizem que ele se recusa a tirar um bon?, que usa virado para tr?s, alegando ser sua prote??o.
No encontro deste domingo, Gunawan disse que o brasileiro alterou momentos de lucidez com discursos "delirantes", no qual disse acreditar que sua execu??o n?o ser? realizada.
"Quando falamos da execu??o, ele disse que houve uma confer?ncia internacional de procuradores ontem e hoje, que a pena de morte foi abolida e que ele n?o ser? executado".
"Disse, por exemplo, que a ?gua em Cilacap e em todos os lugares ? intoxicada e que a gente devia ter cuidado".
Um representante da embaixada brasileira e um pastor tamb?m participaram da visita, disse Gunawan.
"O pastor tentou dizer que ele precisava estar preparado, mas era dif?cil para ele (Gularte) entender a situa??o".
No s?bado, Gularte teria reagido com "surpresa" e "del?rio" ao ser notificado de sua execu??o, disse ? BBC Brasil um diplomata brasileiro que acompanhou o an?ncio.
Novo recurso
O advogado de Gularte tentar? um novo recurso na segunda-feira para reverter a execu??o. Na semana passada, a defesa havia pedido para que a prima que est? na Indon?sia ficasse com a guarda do brasileiro, devido ao seu estado mental.
A fam?lia alega que ele sofre de dist?rbios mentais h? anos. Segundo o advogado, a lei indon?sia pro?be que r?us com doen?as mentais sejam condenados ? morte e o recurso dever? apontar o "longo hist?rico de problemas mentais" de Gularte.
"N?o h? nenhuma prova de que ele estava bem quando ele cometeu o crime. Temos fortes evid?ncias de que ele tem problemas mentais desde 1982".
Al?m de Gularte, oito condenados tamb?m foram notificados - sete estrangeiros e um indon?sio.
Entre eles est?o os australianos Andrew Chan e Myuram Sukumaran, considerados os l?deres do grupo de traficantes "Os Nove de Bali", al?m de cidad?os das Filipinas e Nig?ria.
A Indon?sia est? sob forte press?o internacional para que reveja as execu?es, e o secret?rio-geral da Organiza??o das Na?es Unidas, Ban Ki-moon, refor?ou pedido para que as condena?es sejam revistas.
"O secret?rio-geral pede ao presidente Joko Widodo que considere urgentemente declarar uma morat?rio na pena capital na Indon?sia, tem em vista sua aboli??o", disse um porta-voz de Ban.
Widodo, que assumiu em 2014, negou clem?ncia a condenados por tr?fico, dizendo que o pa?s est? em situa??o de "emerg?ncia" devido ?s drogas. Em janeiro, seis presos foram executados, inclusive Marco Archer.
Brasil e Noruega convocaram seus embaixadores na Indon?sia em protesto e, em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff recusou temporariamente as credenciais do novo representante indon?sio no Brasil em meio ao impasse com Jacarta diante da iminente execu??o de Gularte.
Grupos de direitos humanos tamb?m t?m pressionado a Indon?sia para cancelar a aplica??o das penas.
Mais de 130 presos est?o no corredor da morte, 57 por tr?fico de drogas, segundo a ag?ncia Associated Press.