Piaui em Pauta

Cada cadeira em estádio da Copa pagaria despesas de quase seis alunos por ano

Publicada em 05 de Maio de 2014 às 12h30


Itaquerão, estádio custará pouco mais de R$ 1 bilhão Itaquerão, estádio custará pouco mais de R$ 1 bilhão Os protestos contra os gastos do governo com a Copa do Mundo, que ser? organizada no Brasil a partir de junho, trouxeram ? tona o clamor da popula??o pelo aumento do investimento em educa??o. Cartazes com frases como “Quantas escolas valem um Maracan?” ou “N?o quero a Copa, quero sa?de e educa??o” t?m sido avistados nos atos de rua organizados no Pa?s. Imagem: Divulga??oClique para ampliarItaquer?o, est?dio custar? pouco mais de R$ 1 bilh?o A cr?tica ? justific?vel. O governo federal prev? que o Fundeb (Fundo de Manuten??o e Desenvolvimento da Educa??o B?sica e de Valoriza??o dos Profissionais da Educa??o) dever? repassar para as escolas pouco mais de R$ 2.285,57 por aluno do ensino fundamental em 2014. No ano passado, o gasto m?nimo por aluno da educa??o b?sica p?blica foi de R$ 2.287,87, segundo portaria divulgada pelo MEC (Minist?rio da Educa??o) no DOU (Di?rio Oficial da Uni?o) da ?ltima ter?a-feira (29). Fazendo uma compara??o com um levantamento da ONG dinamarquesa Play The Game, que estimou que cada assento dos est?dios da Copa no Brasil custar? R$ 13.500 (US$ 5.800), ? poss?vel determinar que o dinheiro gasto por assento paga as despesas anuais de quase 6 estudantes. Al?m disso, se os R$ 25,7 bilh?es usados na organiza??o da Copa [dado do portal da transpar?ncia] tivessem sido aplicados nas escolas, o Pa?s poderia promover o acesso de todos os alunos que est?o fora das creches e do ensino m?dio. A ONG Todos pela Educa??o apontou que o Brasil tinha pouco mais de 3 milh?es de crian?as na faixa et?ria que vai dos 4 aos 17 anos fora das institui?es de ensino no ano passado. O valor necess?rio para criar todas essas vagas seria de R$ 11,7 bilh?es nas creches e R$ 4,7 bilh?es no ensino m?dio, de acordo com dados de 2012 do CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial) da ONG Todos pela Educa??o. O levantamento determina qual o investimento necess?rio para promover o acesso e a qualidade de ensino no Pa?s. Qualidade e investimento em infraestrutura Al?m da inclus?o, o CAQi apontou que cada aluno matriculados nas creches em tempo integral deveriam receber R$ 8.288,28 de investimento do governo por ano. Em 2013, por?m, o Fundeb destinou R$ 2.285 por aluno destas unidades. No ensino m?dio a diferen?a tamb?m aponta um aporte menor. Foram empregados cerca de R$ 2.500 por aluno enquanto o ?ndice de qualidade determinava investimento de pouco mais de R$ 3.000. Especialistas consultados pelo R7 foram un?nimes ao constatar que a educa??o tem recursos insuficientes. Para Jos? Marcelino de Rezende Pinto, professor de pol?tica educacional da USP (Universidade de S?o Paulo), o dinheiro da Copa deveria ter sido aplicado em projetos para melhorar a infraestrutura das escolas brasileiras. — Os est?dios de Manaus, Bras?lia e Cuiab?, por exemplo, foram constru?dos para um evento que vai durar cerca de 30 dias. Depois eles correm o risco de se tornarem verdadeiros “elefantes brancos”. Este dinheiro deveria ter sido usado para melhorar milhares de escolas. Hoje, menos de 1% dos col?gios brasileiros funcionam em condi?es ideais. O dado citado pelo professor veio de um estudo realizado pelos pesquisadores Joaquim Jos? Soares Neto, Girlene Ribeiro de Jesus e Camila Akemi Karino, da UnB (Universidade de Bras?lia), e Dalton Francisco de Andrade, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Juntos, eles criaram uma escala para medir a qualidade da infraestrutura escolar a partir de dados divulgados pelo Censo Escolar 2011 do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An?sio Teixeira), com informa?es de 194.932 col?gios da rede p?blica e privada, de ?reas rurais e urbanas. Hoje apenas 0,6% das unidades de ensino no Pa?s apresentam condi?es avan?adas, ou seja, pr?dios com sala de professores, biblioteca, laborat?rio de inform?tica, quadra esportiva, parque infantil, laborat?rio de ci?ncias e ?reas adequadas para atender a estudantes com necessidades especiais. A maioria dos col?gios (84,5%) tem apenas o que os pesquisadores classificaram como estruturas elementares ou b?sicas: ?gua, banheiro, energia, esgoto, cozinha, sala de diretoria e equipamentos como TV, DVD, computadores e impressora. O professor da UnB e ex-diretor do Inep, Joaquim Jos? Soares Neto, explicou que a constata??o mais preocupante da escala foi a descoberta de que 44% das escolas funcionam em condi?es elementares, ou seja, em pr?dios quase sem equipamentos ou recursos para atender os alunos. Elas representam quase metade das unidades de ensino e atendem, no geral, alunos da pr?-escola at? o nono ano que vivem em munic?pios pequenos ou na ?rea rural. — Descobrimos que quase sete milh?es de brasileiros, ou seja, 13% dos alunos, estudam em locais com infraestrutura elementar. A quantidade de estudantes que enfrentam condi?es m?nimas de infraestrutura pode parecer baixa, mas ? igual a da popula??o da Su?cia. Isso ? muito preocupante. Neto explica que o problema do financiamento da educa??o ? muito complexo e que fazer uma compara??o com os recursos empregados na Copa pode ser um caminho inadequado. Para ele, antes de polemizar se ? corretor usar recursos para sediar grandes eventos esportivos, ? preciso pensar maneiras de resolver os problemas e determinar uma nova pol?tica de investimento nas escolas. Mesmo assim, o especialista foi enf?tico ao frisar que o dinheiro aplicado pelo governo na ?rea da educa??o est? muito abaixo do necess?rio.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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