Publicada em 30 de Julho de 2014 às 16h00
Presidente do PT, Rui Falcao, durante entrevista à Reuters, em Brasília. 29/07/2014.
O presidente nacional do PT, Rui Falc?o, procurou minimizar em entrevista ? Reuters os altos ?ndices de rejei??o da presidente Dilma Rousseff, argumentando que s?o compat?veis com os de outras candidaturas petistas e que a campanha eleitoral que come?a a engrenar agora ser? o momento para combat?-la.
Imagem: REUTERS/Ueslei MarcelinoClique para ampliarPresidente do PT, Rui Falcao, durante entrevista ? Reuters, em Bras?lia. 29/07/2014. Para Falc?o, que tamb?m ? deputado estadual e coordenador-geral da campanha, os candidatos do PT nunca tiveram rejei??o inferior a 30 por cento e a da presidente, que se encontra em 35 por cento segundo a ?ltima pesquisa do Datafolha, ceder? por conta da presen?a de Dilma em eventos de campanha, do envolvimento da milit?ncia e do programa eleitoral no r?dio e na TV.
A propaganda na TV e no r?dio, argumentou Falc?o, vai permitir mostrar as realiza?es do governo Dilma --"as pessoas n?o t?m dimens?o de tudo que foi feito". E tamb?m fazer um comparativo com o passado, com o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, partido do principal advers?rio de Dilma, o senador A?cio Neves.
"Esse neg?cio do passado ? fazer disputa de projetos; nosso projeto contra o projeto do (ex-presidente do Banco Central) Arm?nio Fraga, nosso projeto contra o projeto do FHC, o nosso projeto contra o projeto do Eduardo Gianetti da Fonseca", disse Falc?o, citando dois dos principais economistas das equipes de A?cio e do ex-governador Eduardo Campos (PSB), que t?m uma linha econ?mica claramente liberal.
"Esse ? um comparativo que n?o ? para gerar medo, mas ? para as pessoas refletirem que n?o vale a pena voltar ao passado", disse, depois de ser questionado se a campanha pretende investir no discurso do medo, como foi o caso de uma propaganda do PT meses atr?s, que mostrava um cen?rio bastante sombrio para contrastar "como ? hoje" e "como era antes dos governos do PT".
Mesmo n?o investindo explicitamente no temor do eleitorado, um exemplo usado por Falc?o para mostrar as diferen?as de projetos indica que o resultado final n?o ser? t?o diferente.
"Estamos reduzindo o que eles chamam de custo Brasil, sem precisar reduzir o custo Brasil pela via liberal, que ? arrochar sal?rio, ter uma taxa razo?vel de desemprego."
Falc?o relevou at? mesmo a alta rejei??o de Dilma em S?o Paulo, maior col?gio eleitoral do pa?s, que est? em 47 por cento segundo o Datafolha, e onde o candidato do PT ao governo do Estado, o ex-ministro Alexandre Padilha, est? com apenas 4 por cento das inten?es de voto.
"O Padilha vai crescer, pode apostar; n?o tem como o Padilha ter s? 4 por cento", disse Falc?o, acrescentando que o movimento beneficiaria a presidente.
MUDAN?AS
Mesmo o desejo de mudan?a da grande maioria da popula??o, mostrado nas pesquisas eleitorais, que ganhou corpo a partir das grandes manifesta?es populares de junho de 2013 e que muitos analistas veem como um fator a pesar contra Dilma, foi defendido por Falc?o como um ponto a favor do governo.
"A popula??o percebeu que ? poss?vel mudar a partir das mudan?as que n?s promovemos nesses 12 anos", disse o presidente do PT, referindo-se aos dois governos de Luiz In?cio Lula da Silva e ao mandato de Dilma.
Entre as mudan?as que o PT defende na campanha, Falc?o citou a reforma pol?tica proposta por Dilma em resposta ?s manifesta?es e outras tr?s que tamb?m est?o no programa de governo da candidata: reforma federativa, urbana e dos servi?os p?blicos.
A reforma federativa englobaria mudan?as tribut?rias, que exigem um pacto com os governadores, e a altera??o do sistema de seguran?a p?blica, com um novo papel do governo federal.
Citando o que classificou de opera??o bem-sucedida da integra??o das for?as de seguran?a durante a Copa do Mundo, Falc?o defendeu o debate com os Estados, para "ver se ? poss?vel ampliar" isso.
Num momento de pessimismo com a economia, ele admitiu que a infla??o ? um problema, mas acredita n?o ser? um empecilho para a reelei??o de Dilma, que ser? a pr?pria porta-voz da campanha para essa ?rea.