Publicada em 28 de Julho de 2014 às 20h15
Paulo Câmara, candidato ao governo de Pernambuco pelo PSB e Eduardo Campos candidato à Presidência da República pelo mesmo partido (
Imagem: Divulga??oClique para ampliarPaulo C?mara, candidato ao governo de Pernambuco pelo PSB e Eduardo Campos candidato ? Presid?ncia da Rep?blica pelo mesmo partido (
Em 2012, o ent?o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), lan?ou um novato na disputa pela prefeitura de Recife: Geraldo J?lio saiu da secretaria de Desenvolvimento Econ?mico do Estado diretamente para as urnas, sem nunca ter disputado outro cargo eletivo. Apresentado como “t?cnico da gest?o”, J?lio come?ou a disputa com apenas 4% das inten?es de voto – e acabou eleito no primeiro turno. Campos emplacava, ent?o, seu primeiro “poste”. Dois anos depois, tenta repetir o feito, agora na disputa pelo governo de Pernambuco. Candidato ? Presid?ncia da Rep?blica, o ex-governador escolheu desta vez Paulo C?mara para brigar pelo comando do Pal?cio do Campo das Princesas. Estreante em disputas eleitorais, C?mara enfrenta em Pernambuco o mesmo problema que seu mentor encara no ?mbito nacional: o desconhecimento do eleitorado – ambos t?m meros 8% das inten?es de voto, segundo as pesquisas. Para Campos, emplacar C?mara ? vital para manter sua for?a pol?tica mesmo em caso de derrota na corrida pela Presid?ncia. A pouco mais de dois meses do pleito, ele tem, portanto, dois desafios: tornar-se conhecido no restante do Brasil e evitar uma derrota em seu Estado – importante reduto eleitoral tamb?m para o ex-presidente Lula, seu conterr?neo.
Paulo C?mara ocupou tr?s pastas nos dois mandatos de Campos em Pernambuco. Seu principal advers?rio na disputa deste ano ? um antigo aliado do PSB, o senador Armando Monteiro (PTB), apoiado pelo PT. Monteiro foi o senador mais bem votado em Pernambuco em 2010, quando disputou o pleito justamente na chapa de Campos. N?o ? toa alguns eleitores pensam que o petebista ? o candidato do ex-governador, como afirmou Tadeu Alencar, ex-secret?rio da Casa Civil do governo Campos e candidato ? C?mara dos Deputados. Para o deputado federal Paulo Rubem, vice de Monteiro, por?m, a explica??o ? outra: "N?o ? a popula??o que confunde. Eles ? que n?o conseguiram consolidar a candidatura que representa o governo do Eduardo". Monteiro tem hoje, em m?dia, 43% das inten?es de voto em pesquisas recentes. saiba mais Gastos com campanhas crescem 382% em 20 anos Aliado de Paes declara ter R$ 100 mil guardados em casa Computador do Planalto p?s elogios a Dilma em p?gina da Wikip?dia C?mara do DF ? a mais disputada nas Elei?es 2014 Governadores candidatos ? reelei??o reapresentam propostas que n?o realizaram Leia mais sobre Elei?es 2014
Antes de se eleger ao Senado, Monteiro passou pela C?mara e tem forte liga??o com os setores industrial e agr?cola. De fam?lia tradicional do engenho, ele presidiu a Confedera??o Nacional da Ind?stria (CNI) por oito anos. Para enfrent?-lo, Campos consolidou alian?a de peso para C?mara: a Frente Popular engloba 21 siglas – e abrange desde o PSDB local ao PCdoB. At? mesmo o PMDB de Jarbas Vasconcelos, tradicional rival de Campos em Pernambuco, integra a coliga??o. “O fato de n?o ter nunca me candidatado ? compensado pelo n?mero de pessoas que est?o me apoiando”, defende C?mara. De fato, as alian?as render?o a ele 10 minutos e 30 segundos de palanque eletr?nico no r?dio e na TV, contra 5 de Monteiro. Ao menos nesse quesito, a situa??o do afilhado pol?tico ? mais confort?vel do que a de Campos, que tem apenas 1 minuto e 49 segundos no r?dio e TV. A presidente Dilma Rousseff (PT) ter? 11 minutos e 48 segundos e A?cio Neves, do PSDB, 4 minutos e 31 segundos.
Em discurso durante a conven??o do PSB em Pernambuco, em junho, Campos deixou claro o empenho em garantir a vit?ria de seu indicado. Disse que deixaria a vice Marina Silva cuidando da campanha nacional para viajar a Pernambuco e ajudar o candidato pessebista a se eleger. A equipe de C?mara entende que seu fraco desempenho nas pesquisas ? fruto do elevado grau de desconhecimento do eleitorado e que o resultado ser? revertido t?o logo comece a propaganda eleitoral na televis?o e no r?dio. Enquanto isso, o PSB programou uma exposi??o intensa do rosto de C?mara ao lado de Campos: cartazes e cavaletes com a foto dos dois tomam as principais avenidas de Recife.
Nova pol?tica - Como Armando Monteiro vem de uma tradicional fam?lia de empres?rios e usineiros, C?mara repete a fala que seu padrinho pol?tico usa na disputa nacional e defende a "nova pol?tica" na corrida estadual. J? o advers?rio evita o tom ofensivo nas cr?ticas ao governo do qual foi aliado. E direciona o discurso justamente em uma das bandeiras de Campos – o crescimento econ?mico de Pernambuco nos ?ltimos anos. Segundo ele, ? preciso mais desenvolvimento, com melhorias, principalmente, em educa??o e sa?de. Fica f?cil entender por que h? quem o confunda com o "poste" de Campos da vez.