?Em 2008, dois sargentos do Ex?rcito ganharam as capas de jornais e revistas ap?s assumirem publicamente a rela??o homoafetiva existente entre eles. Desde a revela??o Fernando Alc?ntara e Laci Marinho de Ara?jo dizem sofrer persegui??o e discrimina??o dentro das For?as Armadas.
A agressividade contra o casal pode ser avaliada por alguns coment?rios veiculados aqui mesmo, no Congresso em Foco, quando a dupla reagiu contra afirma?es homof?bicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Com medo de retalia?es e amea?as, o casal desistiu de procurar ajuda no pa?s e recorreu ? Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organiza??o dos Estados Americanos (OEA) para obter seguran?a internacional. A inten??o ? sair do Brasil e garantir “uma vida normal”, de acordo com Fernando.
Os temores da dupla v?o al?m das ame?as que sofreram ou de manifesta?es de intoler?ncia ? la Bolsonaro. Os dois tamb?m se preocupam com os crescentes atos de viol?ncia contra homossexuais. “Temos visto cada vez mais casos de agress?es nas grandes cidades, e, querendo ou n?o, somos o casal gay mais visado do pa?s, por sermos militares e termos assumido nossa rela??o. N?o aguentamos conviver com tantas amea?as. Ficamos em casa, n?o podemos sair. S? queremos garantir uma vida tranquila, como qualquer pessoa tem direito”, afirma Fernando.
Com uma rela??o que j? dura mais de 13 anos, eles dizem que recorreram ? ajuda internacional por terem desistido de lutar por seus direitos nos ?rg?os p?blicos brasileiros. “N?o acreditamos em mais nada que venha do Ex?rcito e n?o conseguimos nos sentir ? vontade em nosso pr?prio pa?s. Queremos prote??o internacional porque as pessoas que nos amea?aram de morte ainda continuam recebendo dinheiro dos cofres p?blicos. E tudo fica por isso mesmo. Como vamos acreditar que aqui haver? alguma solu??o?”, indagam.
Eles apresentaram a den?ncia contra o Brasil em 17 de maio do ano passado, baseando-se principalmente nos problemas que enfrentaram no Ex?rcito, mas responsabilizam o Estado brasileiro como um todo pelos percal?os que t?m enfrentado desde que assumiram seu relacionamento. “O Ex?rcito ? uma institui??o do governo brasileiro e essa estrutura governamental foi complacente com tudo o que nos aconteceu”, resume Fernando.
O casal diz n?o ter prefer?ncia por nenhuma na??o em especial para residir. Procura, sim, um lugar seguro, onde a sua rela??o afetiva seja aceita. O casamento civil tamb?m n?o est? entre os seus planos atuais, nem ser? decisivo na op??o por um pa?s. Questionado a respeito, Fernando, que n?o pertence mais ao Ex?rcito e luta na Justi?a para ser reconhecido como dependente econ?mico de Laci, se limita a responder: “A import?ncia do casamento civil tem rela??o com o reconhecimento de depend?ncia. O que nos importa ? que nossa fam?lia nos aceita”.