Piaui em Pauta

Chegada do Spotify traz otimismo para negócio da música online no País

Publicada em 02 de Junho de 2014 às 11h00


No Spotify, a música da Beyoncé vale o mesmo que a minha, todos são iguais, acredita o cantor Marcelo Jeneci No Spotify, a música da Beyoncé vale o mesmo que a minha, todos são iguais, acredita o cantor Marcelo Jeneci Imagem: Reprodu??o/Estad?oNo Spotify, a m?sica da Beyonc? vale o mesmo que a minha, todos s?o iguais, acredita o cantor Marcelo Jeneci Na Su?cia, o fen?meno do download ilegal de m?sica que estourou no in?cio da d?cada passada com servi?os como Napster, Kazaa e SoulSeek, foi especialmente forte. O pa?s contou com banda larga de qualidade muito antes que os Estados Unidos, com velocidades como 10 MB j? comuns nessa ?poca. “Fui da primeira gera??o que passou a adolesc?ncia na internet”, lembrou em entrevista ao Financial Times, Daniel Ek, fundador do Spotify. “Vi tudo isso dez anos antes de todo mundo”. saiba mais Streaming de m?sica no Brasil ? mais barato que na Europa e nos EUA Spotify faz convite para evento no Brasi Spotify libera acesso a alguns usu?rios brasileiros Spotify tem dificuldade para estrear no Brasil Leia mais sobre Spotify Antes de fundar o Spotify em 2008, Ek foi CEO do uTorrent, ferramenta de compartilhamento de arquivos condenada pela ind?stria. O executivo s? tinha 24 anos, mas j? acumulava uma longa experi?ncia em neg?cios, iniciada com uma pequena empresa de design aos 14. Segundo Ek, m?sico desde a inf?ncia, o Spotify surgiu para solucionar uma situa??o em que “voc? tinha um produto legal que era pior que o roubado”. Na Su?cia, onde m?sica ? produto nobre na pauta de exporta??o, pode-se imaginar a preocupa??o causada pelo consumo ilegal de m?sica. “Me perturbava que a ind?stria musical tinha descido pelo ralo, apesar de que pessoas estavam ouvindo mais m?sica do que nunca”, disse Ek ? Forbes. O Spotify se tornou uma for?a dominante na m?sica sueca. “Em meu pa?s, o Spotify ? respons?vel n?o apenas por 70% da receita da m?sica digital, mas de toda a m?sica, incluindo venda de ?lbuns f?sicos”, declarou Ek. Em 2009, o servi?o come?ou a ser lan?ado em outros pa?ses. Hoje, em 53 na?es diferentes, o Spotify ? considerado o l?der global do mercado de streaming musical pago e traz playlists de m?sicos famosos e canais de marcas como Rolling Stone, Victoria’s Secret e Disney Pixar. Al?m disso, fez nascer uma comunidade de sites, blogs, aplicativos e ferramentas que se integram com o site. O barulho ? grande, mas ainda h? muito o que percorrer para materializar isso em n?meros de usu?rios. Em todo o mundo, s?o 10 milh?es de usu?rios pagos e 40 milh?es de usu?rios totais. Embora sejam quantidades que colocam a empresa como l?der no segmento de streaming pago, eles encolhem diante da audi?ncia do YouTube, considerado o maior site de streaming musical do mundo. Totalmente gratuito e com muito conte?do extra-musical, o site de v?deos pertencente tem 1 bilh?o de visitantes ?nicos por m?s. Esperado desde meados de 2013, o Spotify foi lan?ado oficialmente no Brasil na ?ltima quarta-feira, 28, depois de ser oferecido para testes para formadores de opini?o e artistas. Estrat?gia A principal meta do Spotify por aqui ? arrebanhar os usu?rios de servi?os ilegais de m?sica, seguindo o exemplo de outros pa?ses por onde passou. “Nosso principal concorrente ? a pirataria”, declarou Diament no lan?amento. Como aconteceu em outros mercados, a ind?stria aplaude. Para o presidente da Associa??o Brasileira dos Produtores de Disco (ABPD), que representa as gravadoras do Pa?s, Paulo Rosa, “o melhor rem?dio contra a pirataria online ? o licenciamento de meios de acesso por streaming, e o Spotify e servi?os similares s?o nossos grandes aliados”. O YouTube ? outro rival. O Brasil tem a segunda maior audi?ncia do site de v?deos do Google, e foi nele que se popularizou um dos principais g?neros de sucesso no Pa?s hoje, o funk ostenta??o. Como armas nessa briga, o Spotify aposta na optimiza??o e na personaliza??o para o ouvinte. “Temos investimento pesado em algoritmos e curadoria humana para oferecer ao usu?rio o que ele pode querer ouvir daqui a um minuto”, acredita Gustavo Diament. O servi?o tamb?m p?e suas fichas na aproxima??o entre artistas e f?s — pela plataforma, ? poss?vel saber o que cantores como Gilberto Gil e Lorde est?o ouvindo e escutar listas feitas pelos m?sicos — e no lado social, com for?a na integra??o com o Facebook e no compartilhamento de playlists com os amigos. “O Spotify foi social desde o in?cio, com ferramentas que te deixam dividir a m?sica com quem voc? quiser”, disse Ek ? revista Forbes. Segundo Maur?cio Bussab, diretor da distribuidora independente Tratore, al?m do lado “humano”, o Spotify tem a vantagem de ser um servi?o mais espec?fico. “O YouTube tem variedade, com vers?es raras, mas ? desorganizado. O Spotify vai direto ao ponto”. Bussab, entretanto, n?o v? diferen?as entre o Spotify e servi?os concorrentes, como o franc?s Deezer, o tamb?m sueco Rdio (fundado pelos criadores do ilegal Kazaa) e o Napster, que depois dos processos, se tornou legal. “Tecnicamente, s?o todos semelhantes. A diferen?a ? a maneira de se comunicar com o usu?rio, que, aqui no Brasil, ? algu?m que hoje faz a troca ilegal de arquivos”, diz o diretor da Tratore. Baixa renda O Spotify e seus concorrentes j? foram muito criticados por artistas como Thom Yorke, do Radiohead, pelo baixo pagamento oferecido pela execu??o de cada m?sica – cerca de R$ 0,015, segundo dados divulgados pela empresa no final de 2013. Para Gustavo Diament, o baixo pagamento ? um problema de escala, que ser? resolvido com o crescimento da plataforma. “? preciso fazer crescer a torta”, diz ele, que afirma que a empresa reverte 70% de sua receita para pagar aos donos dos direitos sobre as m?sicas (muitas vezes, fatiados entre gravadoras, editoras musicais e os artistas). O representante das gravadoras tamb?m defende o modelo proposto. “? algo muito novo, pulverizado em bilh?es de micro-transa?es”, diz o presidente da ABPD. Outra cr?tica frequente ao servi?o ? a de que ele n?o oferece oportunidades iguais a artistas novos e consagrados, ao contr?rio do que propagandeia. Questionado sobre o assunto, Marcelo Jeneci, que participou do lan?amento, diz apreciar a horizontalidade da plataforma. “A minha m?sica vale o mesmo que a da Beyonc?”, embora o m?sico afirme que o pagamento oferecido pela m?sica digital, seja no YouTube, iTunes ou via streaming, “ainda nem faz c?cega no bolso”. Para o produtor Pena Schmidt, veterano da ind?stria brasileira, a igualdade proposta pelo servi?o ? uma fal?cia. “A maioria dos artistas ? colocada num oceano horizontal de irrelev?ncia, onde todos s?o iguais. No fim, as sugest?es que o site faz acabam sendo cheias de estrelas comerciais na primeira p?gina”. Entretanto, a oportunidade de aparecer para mais gente ? vista com bons olhos, seja qual for a plataforma. “A m?sica independente ? uma m?sica incerta. No iTunes, poucos usu?rios v?o gastar alguns centavos para ouvir algo novo, enquanto o streaming prop?e uma experimenta??o maior, e faz com que os artistas novos sejam ouvidos”, avalia Maur?cio Bussab, da Tratore. “? bom ter mais gente no tabuleiro”, avalia Jeneci. Tecnologia Outro tema bastante discutido acerca do Spotify ? que, apesar de lucrar com a m?sica, a empresa n?o nega sua origem no setor da tecnologia. “Somos a jun??o de duas paix?es, mas somos uma empresa de tecnologia. 70% dos nossos funcion?rios s?o programadores”, explica Diament. A tomada da m?sica digital por companhias da ?rea tecnol?gica, entretanto, n?o ? uma novidade: desde o iTunes at? o streaming, passando pelo YouTube, todas as grandes iniciativas desse mercado t?m partido de tecnologia, e n?o da ind?stria fonogr?fica.? Para Bussab, essa determina??o ? um fator positivo. “As gravadoras tentaram emplacar servi?os, mas tinham rabo preso. As empresas de tecnologia est?o distantes do neg?cio da m?sica, mas s?o capazes de fazer um servi?o ?til para o usu?rio”, diz ele. O presidente da ABPD tamb?m v? esse movimento como algo ben?fico: “os produtores de m?sica precisaram de parceiros dentro do contexto digital, e essa solu??o me parece mais que natural”. Entretanto, h? quem acredite que a parceria n?o mostra nada de novo, mas sim repete velhos modelos da ind?stria fonogr?fica. Thom Yorke j? disse que o Spotify ? “a ?ltima flatul?ncia de um cad?ver desesperado”, fazendo men??o ?s gravadoras. O produtor Pena Schmidt segue a mesma linha: “a velha ind?stria agora manda e lucra porque se mudou para o reino virtual da venda de licen?as, cada vez mais imprescind?veis para qualquer que seja a tecnologia que transporte a m?sica”.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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