
?“E o palha?o o que ??” Ao menos nesta quinta-feira (8), h? duas respostas. A primeira: ? o tema de uma audi?ncia p?blica na comiss?o de Educa??o e Cultura na C?mara dos Deputados. A segunda: ? presidente desse encontro, com o ex-profissional circense e atual parlamentar Tiririca (PR-SP).
Foi a primeira oportunidade em que ele falou longamente depois de ter sido eleito com mais de 1 milh?o de votos em 2010 –neste ano, ele n?o subiu ? tribuna nenhuma vez. Ele presidiu a sess?o no lugar de F?tima Bezerra (PT-RN).
No encontro convocado por ele, para debater a concess?o de alvar?s a circos, Tiririca discorreu sobre sua trajet?ria, ganhou afagos e se permitiu fazer algumas piadas que, se n?o arrancaram gargalhadas de cerca de 80 pessoas presentes, serviram para descontrair.
Tiririca admitiu ainda que os deputados “trabalham muito e produzem pouco”. Teve aux?lio de um assessor da C?mara e cedeu prioridade ?s mulheres, por cavalheirismo n?o previsto pelo regimento interno.
Beirando a falta de decoro parlamentar –chamou o amigo deputado Chiquinho Esc?rcio (PMDB-MA) de “cara de joelho” e ironizou um convidado de sobrenome Kornowski–, Tiririca s? foi ?cido contra o Cirque du Soleil. “N?o devemos nada a esse circo a?. Tem muito brasileiro nesse circo.”
Tiririca amea?ou criticar os colegas menos pr?ximos. Mas desistiu no meio do caminho. “Para eles [deputados], esse palha?o vinha fazer palha?ada. Realmente eu fa?o. Mas n?o, n?o fa?o. Tem a quebra de decoro”, afirmou, para depois emendar, citando colegas de quem ficou mais pr?ximo. “A gente brinca para caramba.”
Bandeira
Ao assumir o mandato, Tiririca disse que lutaria pelos circos, estimados em 3.000 em todo o pa?s pela associa??o do setor. O deputado mais votado das ?ltimas elei?es admitiu que depois da vit?ria se escondeu do ass?dio em Guararema, no interior paulista, e que teve dificuldades no in?cio do mandato. “Nos primeiros tr?s meses eu estava estressado”, disse. “Eu estou me adaptando.”
Ele repetiu que ainda n?o sabe se disputar? outro mandato. Mas j? sabe o que um deputado faz, ao contr?rio do que sinalizou no in?cio do hor?rio eleitoral gratuito.
“Eu realmente sei o que um deputado faz. Trabalha muito e produz pouco. O regime da Casa ? engessado. Dentro do regime ? complicado. Hoje estou dando baile, aprendendo para caramba. Mas foi mais dif?cil”, disse.
Apesar de uma representante do setor ter afirmado que “2011 foi um ano perdido para o circo”, ele se comprometeu a continuar na defesa da bandeira.
“Para mim, o circo ? tudo na minha vida. ? minha educa??o, minha viv?ncia. Comecei com oito anos. Um artista de circo tem de fazer quase tudo. Fui trapezista, malabarista, fiz saltos mortais, fui m?gico e me firmei palha?o. Mas eu achei palha?o legal porque ficava no ch?o, sem risco nenhum”, contou. “Eu deixei o circo, mas o circo n?o me deixou.”
Ao longo de mais de tr?s horas de audi?ncia, Tiririca n?o usou nenhuma vez o costumeiro “vossa excel?ncia”, com o qual os deputados costumam come?ar suas frases. E n?o escondeu sua empolga??o com o momento. “Voc? n?o sabe o quanto eu estou feliz de ser chamado de presidente”, disse a um colega. No fim da audi?ncia, foi al?m: “Como presidente, encerro os trabalhos desta sess?o. Eeeee. A???, garoto”, concluiu.
Novas audi?ncias devem ser realizadas em 2012 para tratar do assunto. Tiririca ainda n?o programou sua primeira subida ? tribuna da C?mara.