Piaui em Pauta

Com sequestro de meninas, Boko Haram viola limite de extremistas

Publicada em 20 de Maio de 2014 às 07h26


 Imagem: Reprodu??oClique para ampliar ADAM NOSSITER DAVID D. KIRKPATRICK DO "NEW YORK TIMES", EM ABUJA (NIG?RIA) ? medida que se espalhava pelo Twitter e o Facebook a not?cia de que militantes nigerianos se preparavam para leiloar mais de 200 estudantes sequestradas em nome do islamismo, outra rede na internet, muito diferente, come?ava a fervilhar discretamente. saiba mais L?der nigeriano promete vender as mais de 200 estudantes sequestradas Americano e australiano s?o principais gurus dos jihadistas da S?ria Amea?a isl?mica na ?frica vira preocupa??o global Acusados de terrorismo s?o presos na Irlanda do Norte Leia mais sobre Terrorismo "Uma not?cia dessas ? difundida para macular a imagem dos mujahideen", escreveu comentarista num f?rum usado por militantes isl?micos, cujo administrador usa uma foto de Osama bin Laden. O grupo nigeriano Boko Haram, que realizou os sequestros, j? foi h? muito tempo rejeitado por estudiosos isl?micos e partidos mu?ulmanos mais tradicionais no mundo todo, pela sua crueldade aparentemente sem sentido e pelos caprichos de viol?ncia contra civis. Mas o rapto coletivo de estudantes no m?s passado -um ato impressionante, mesmo aqui, onde a escravid?o infantil n?o ? incomum- parecia ser demais para colegas militantes normalmente ?vidos em aprovarem atos terroristas contra o Ocidente e seus aliados. "O fato de eles terem atacado uma escola para meninas ? not?cia!", escreveu outro usu?rio, at?nito, sugerindo delicadamente que a Boko Haram poderia, talvez, estar matando n?o combatentes demais, em vez de inimigos armados. Ele orou para que Deus "os mantenha firmes no caminho" do islamismo. A perplexidade dos colegas jihadistas ? um reflexo das redes cada vez mais d?spares de grupos radicais isl?micos. "A viol?ncia que a maioria dos grupos rebeldes africanos pratica faz a Al Qaeda parecer um bando de meninas", disse Bronwyn Bruton, um estudioso da ?frica no Conselho Atl?ntico, em Washington. "? preciso se perguntar sobre como lidar com gente que est? fazendo coisas t?o hediondas que nem mesmo os l?deres da Al Qaeda se disp?em a tolerar." A reputa??o do Boko Haram de assassinar indiscriminadamente inocentes ? incompat?vel com a iniciativa dos l?deres da Al Qaeda de evitar essas mortes, por medo de alienar potenciais apoiadores. Esse foi o motivo da pol?mica que levou recentemente a rede terrorista a romper com uma ex-filial sua, o Estado Isl?mico do Iraque e do Levante. Formada no come?o da d?cada de 2000, o Boko Haram surgiu a partir de um movimento isl?mico ultraconservador de estudantes com boa forma??o. O grupo mais tarde se tornou abertamente pol?tico, sob a lideran?a de Mohamed Yusuf. Yusuf e o Boko Haram aproveitaram a f?ria dos nigerianos do norte contra sua pobreza e os abusos sofridos nas m?os das for?as de seguran?a do governo, segundo Paul Lubeck, professor da Universidade da Calif?rnia, em Santa Cruz. No in?cio, embora usasse a viol?ncia para mostrar oposi??o, o grupo evitava matar civis. Isso mudou em julho de 2009, quando cerca de 70 combatentes atacaram uma mesquita e uma delegacia de pol?cia em Bauchi. Estima-se que 55 pessoas tenham sido mortas na batalha. No dia seguinte, as for?as de seguran?a nigerianas retaliaram com uma repress?o brutal que matou mais de 700 pessoas, incluindo muitos inocentes. Os agentes desfilaram com Yusuf diante das c?meras de televis?o e, em seguida, executaram-no diante de uma multid?o -um epis?dio que os seguidores do grupo muitas vezes lembram com horror como sendo o momento decisivo na sua guinada para a viol?ncia generalizada. No final de 2010, sob a nova lideran?a de Abubakar Shekau, antes o segundo na hierarquia do grupo, o Boko Haram come?ou a promover ataques mais letais. Combatentes come?aram a realizar uma campanha de assassinatos por armas de fogo a partir de motocicletas. Sa?ram com caminh?es equipados com artilharia. E passaram a agir de modo cada vez mais indiscriminado. Shekau, um l?der que diz se comunicar com Deus, afirma que o prop?sito da viol?ncia ? demonstrar a incapacidade do Estado. Por mais ultrajante que seja, a imagem de um mercado escravagista evocada por Shekau poderia se destinar em parte a chamar a aten??o, segundo o acad?mico Benjamin Lawrance, do Instituto de Tecnologia de Rochester, no Estado de Nova York. Mas, acrescentou ele, "n?o ? um exagero imaginar" esses lugares. Numa visita a qualquer pa?s da ?frica Ocidental, afirmou, "eu n?o teria nenhuma dificuldade em encontrar, em quest?o de horas, um lugar para adquirir crian?as". O tr?fico de crian?as ? considerado um problema t?o insidioso que o Conselho de Direitos Humanos da ONU h? quase 25 anos designa relatores para investig?-lo. O ?ltimo deles, a marroquina Najat Maalla M"Jid, disse em um relat?rio em dezembro que os casos de tr?fico infantil representaram 27% de todo o tr?fico humano detectado entre 2007 e 2010. Na ?frica e no Oriente M?dio, segundo o relat?rio, mais de 60% das v?timas de tr?fico detectadas eram crian?as. Ativistas de direitos humanos dizem que muitos casos passam despercebidos. Susan Bissell, diretora de prote??o ? crian?a do Unicef ??, diz que h? 1,2 milh?o de casos de tr?fico infantil no mundo todos os anos, e "? uma estimativa por baixo". Bissell disse que parte do problema ? que muitas das v?timas carecem de identifica??o -230 milh?es n?o t?m certid?o de nascimento, o que torna praticamente imposs?vel rastre?-las. "Estamos em 2014", disse ela, "temos a capacidade tecnol?gica e estamos interligados, e ainda assim n?o conseguimos proteger as nossas crian?as". Ela disse que, para cada 800 v?timas, uma pessoa ? condenada, um poderoso indicador da impunidade com que os traficantes costumam agir. Grupos como a Boko Haram, disse ela, "est?o funcionando em uma parte do pa?s onde simplesmente parece n?o haver regras". Colaboraram MAYY EL SHEIKH e RICK GLADSTONE, reportagem Tradu??o de RODRIGO LEITE

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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