Publicada em 06 de Maio de 2014 às 15h40
João Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o presidente da Comissão Estadual da Verdade, Wadih Damous, chegam à delegacia para conversar com Rogério Pires.
O caseiro Rog?rio Pires, que havia confessado ? Pol?cia Civil envolvimento no assalto que levou ? morte o ex-coronel Paulo Malh?es, em abril, num s?tio na Baixada Fluminense, negou participa??o e autoria no crime, na manh? desta ter?a-feira (6), para integrantes da Comiss?o Estadual da Verdade e Comiss?o de Direitos Humanos e Legisla??o Participativa do Senado, na sede da Delegacia Antissequestro, no Leblon, Zona Sul do Rio.
Imagem: Guilherme Brito/G1Clique para ampliarJo?o Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o presidente da Comiss?o Estadual da Verdade, Wadih Damous, chegam ? delegacia para conversar com Rog?rio Pires. A senadora Ana Rita, presidente da Comiss?o de Direitos Humanos do Senado, disse que vai acompanhar de perto o trabalho da pol?cia e vai providenciar um defensor p?blico para o caseiro. Ela disse ainda que ? fundamental que o Rog?rio Pires tenha sua integridade f?sica resguardada.
“Ele n?o confessou participa??o no crime. Ele ? analfabeto, n?o sabe ler nem escrever. E me causa muita estranheza que nenhum defensor p?blico tenha acompanhado at? agora os depoimentos e investiga?es sobre o caso”, afirmou Ana Rita.
Segundo a comiss?o, um pedido oficial para o Defensor Geral do Rio de Janeiro ser? feito para que um advogado de defesa preste aux?lio ao indiciado. Al?m disso, os parlamentares v?o pedir uma c?pia do inqu?rito que investiga o crime para ter acesso aos depoimentos do caseiro.
"Ele negou", diz presidente da comiss?o
Rog?rio teria dito ao presidente da Comiss?o Estadual da Verdade, Wadih Damous, que, em nenhum momento, admitiu ter facilitado a entrada de criminosos no s?tio. "Ele foi perguntado expressamente por n?s se, em algum momento, ele admitiu ter participado do assalto, mas negou. Ele disse: "A imprensa perguntava e eu ficava calado.""
Ana Rita destacou que Rog?rio Pires "demonstrou firmeza no que estava falando" durante a conversa com os senadores na delegacia. O caseiro foi ouvido a portas fechadas pelos parlamentares, sem a presen?a de policiais.
Rog?rio disse na conversa que reconheceu seus irm?os durante a a??o, mas que permaneceu amarrado. Ele contou aos senadores que um dos seus irm?os estava de capuz e que o reconhecimento foi feito atrav?s de uma tatuagem. Al?m disso, Rog?rio teria dito que os participantes do assalto se comunicavam com outra pessoa pelo telefone fixo do s?tio, o que indicaria a participa??o de mais pessoas no crime.
"Ele disse que os irm?os que invadiram a casa falavam por telefone com pessoas de fora e diziam que estavam aguardando algu?m chegar. As liga?es podem ser interceptadas, mas a pol?cia j? deve ter essa informa??o", contou o senador Jo?o Capiberibe.
Para o senador Randolfe Rodrigues, Rog?rio disse que "temia pela sua vida". Diante dessa informa??o e da import?ncia dos depoimentos que Paulo Malh?es deu ? Comiss?o Nacional da Verdade antes de morrer, sobre torturas e mortes que contaram com a participa??o dele na ditadura militar, os senadores n?o descartam a hip?tese de que o ex-coronel tenha sido executado. "Essa ? uma hip?tese que n?s, nessa dilig?ncia, estamos trabalhando."
Desentendimento com policiais de manh?
A Comiss?o de Direitos Humanos do Senado amea?ou ir embora da dilig?ncia que acompanha as investiga?es da morte de Malh?es pouco antes das conversas. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que, apesar das tentativas de comunica??o, n?o houve um aviso pr?vio ? delegada de plant?o de que haveria visita ? especializada nesta manh?.
"Deveriam ter oferecido uma prote??o melhor a ele ap?s o depoimento. N?s, na condi??o de fiscais, n?o podemos nos omitir", disse Randolfe. Segundo o senador, a conversa com o caseiro Rog?rio Pires ? fundamental para determinar as circunst?ncias da morte de Malh?es.
Wadih Damous, presidente da Comiss?o Estadual da Verdade, refor?ou o pedido de participa??o da Pol?cia Federal no caso, e classificou a visita como "fundamental": "Trouxemos a visita para o Leblon porque em Belford Roxo, onde ele estava, n?o havia carceragem. Teremos muito a conversar com ele", disse Wadih.
Laudo n?o est? pronto
A assessoria da Pol?cia Civil do Rio informou na quinta-feira (1?) que o laudo da necropsia de Malh?es, assassinado no dia 25 de abril, em seu s?tio em Nova Igua?u, na Baixada Fluminense, ainda n?o est? pronto. De acordo com a pol?cia, ainda est?o sendo recolhidas informa?es sobre o suposto roubo do disco r?gido do computador do militar, citado em reportagem publicada no jornal "O Dia".
No dia 29, o caseiro Rog?rio Pires, que segundo a pol?cia confessou ter participado do crime que terminou com a morte do coronel, denunciou seus dois irm?os como sendo os homens que invadiram, no dia 25, o s?tio do militar. Malh?es, que no m?s passado contou ? Comiss?o da Verdade que havia participado de sess?es de tortura durante a ditadura, morreu enquanto o grupo estava em sua casa.