?A comiss?o de Direitos Humanos do Senado vai conversar nesta ter?a-feira (6) com Rog?rio Pires, caseiro do ex-coronel Paulo Malh?es, que confessou ter matado o militar no dia 25 de abril. Semanas antes, Malh?es assumiu ter cometido torturas e outros crimes durante a ditadura no Brasil em depoimento para a Comiss?o Nacional da Verdade.
Ana Rita (PT-ES), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Jo?o Capiberibe (PSB-AP) ir?o se encontrar com a Comiss?o Estadual da Verdade, presidida por Wadih Damous, ?s 8h30, no Centro do Rio. ?s 9h30, as duas comiss?es estar?o na Divis?o Anti-Sequestro, no Leblon, na Zona Sul do Rio, para conversar com o caseiro Rog?rio Pires, que confessou ter matado Malh?es com a ajuda de dois irm?os. Depois, ?s 11h, o grupo ir? se encontrar com o chefe da Pol?cia Civil, Fernando Veloso, na sede da corpora??o, no Centro do Rio. saiba mais Comiss?o da Verdade pede que PF acompanhe investiga??o da morte de Malh?es Coronel recua e nega ter ocultado corpo Comiss?o da Verdade do Rio investiga "liga??o" entre atentados na OAB e Riocentro Dilma assina instala??o da Comiss?o da Verdade Ministra considera normal press?o de advogado ? Comiss?o de ?tica Leia mais sobre Comiss?o da verdade
Randolfe Rodrigues, membro da Comiss?o do Senado, acredita que houve uma falha na prote??o a Malh?es ap?s o depoimento do ex-coronel ? Comiss?o Nacional da Verdade, e diz que a comiss?o acompanhar? a investiga??o passo a passo.
"Deveriam ter oferecido uma prote??o melhor a ele ap?s o depoimento. N?s, na condi??o de fiscais, n?o podemos nos omitir", disse Randolfe. Segundo o senador, a conversa com o caseiro Rog?rio Pires ? fundamental para determinar as circunst?ncias da morte de Malh?es.
Wadih Damous, presidente da Comiss?o da Verdade, refor?ou o pedido de participa??o da Pol?cia Federal no caso, e classificou a visita como "fundamental": "Trouxemos a visita para o Leblon porque em Belford Roxo, onde ele estava, n?o havia carceragem. Teremos muito a conversar com ele", disse Wadih.
Laudo n?o est? pronto
A assessoria da Pol?cia Civil do Rio informou nesta quinta-feira (1?) que o laudo da necropsia do coronel reformado Paulo Malh?es, assassinado no dia 25 de abril, em seu s?tio em Nova Igua?u, na Baixada Fluminense, ainda n?o est? pronto. De acordo com a pol?cia, ainda est?o sendo recolhidas informa?es sobre o suposto roubo do disco r?gido do computador do militar, citado em reportagem publicada no jornal O Dia.
No dia 29, o caseiro Rog?rio Pires, que segundo a pol?cia confessou ter participado do crime que terminou com a morte do coronel, denunciou seus dois irm?os como sendo os homens que invadiram, no dia 25, o s?tio do militar. Malh?es, que no m?s passado contou ? Comiss?o da Verdade que havia participado de sess?es de tortura durante a ditadura, morreu enquanto o grupo estava em sua casa.
At? a noite desta quinta, os irm?os do caseiro – identificados como Rodrigo Pires e Anderson Pires Teles – ainda eram procurados pela pol?cia. Os tr?s tiveram a pris?o tempor?ria decretada.
Segundo o delegado William Pena J?nior, da Delegacia de Homic?dios da Baixada Fluminense (DHBF), os investigadores tentam descobrir quem ? o quarto homem que participou do crime.
De acordo com o delegado, o caseiro participou do crime dando informa?es, mas n?o teria planejado a a??o.
"O caseiro foi a fonte de informa?es para que a a??o toda pudesse acontecer, mas os irm?os dele foram os mentores", disse.
Pris?o
Rog?rio foi preso na manh? da ter?a-feira ap?s prestar depoimento na Delegacia de Homic?dios da Baixada Fluminense, durante a noite de segunda. De acordo com a pol?cia, ele facilitou a a??o dos bandidos que fizeram o militar e a mulher dele, Cristina Batista Malh?es, ref?ns durante 13 horas. Antes de prender o caseiro, a pol?cia ouviu Rog?rio e a vi?va mais de uma vez. Os tr?s filhos do coronel tamb?m prestaram depoimento.
Cachorro ajuda investiga??o
O comportamento de um cachorro que vigiava a casa de Malh?es tamb?m foi um elemento que a pol?cia levou em considera??o para prender o caseiro. "O cachorro ? feroz, pudemos constatar isso, e foi estranho ele n?o ter reagido quando a casa foi invadida por criminosos", explicou Medina.
Ap?s o laudo que vai identificar as circunst?ncias que levaram ? morte do coronel, a pol?cia vai poder refor?ar a tese de latroc?nio ou acreditar na possibilidade de uma morte natural. Segundo policiais da DHBF, no caso de a morte n?o ter sido causada por asfixia ou outra a??o direta dos criminosos, o crime poder? ser classificado apenas como roubo.
Perfil do coronel
A pol?cia disse que, com os depoimentos, est? tra?ando um perfil do coronel. "Estamos trabalhando para criar uma rotina da vida dele, de desafetos, vizinhos." Maia disse que, com o que a pol?cia colheu at? agora, ? poss?vel dizer que Malh?es era uma pessoa reclusa, at? pelo local em que vivia. "? uma miscel?nea. H? pessoas que falam que ele tinha um problema de relacionamento social, mas tem tamb?m quem disse que ele ajudava vizinhos a pagar d?vidas e era um cara sol?cito", afirmou.
Segundo Maia, o laudo cadav?rico vai ajudar a tirar d?vidas sobre a causa morte do coronel. "A gente quer ser preciso e t?cnico", disse.
Invas?o ao s?tio
De acordo com depoimento prestado pela vi?va do coronel, pelo menos tr?s homens – um deles com o rosto coberto – invadiram o s?tio de Malh?es . A mulher disse que a invas?o ocorreu por volta das 13h e que, at? as 22h, ela e o caseiro foram mantidos ref?ns em c?modos separados. Os criminosos fugiram levando armas que o oficial colecionava e dois computadores.
O coronel foi encontrado morto depois que os invasores deixaram a propriedade.
Segundo o delegado Pena J?nior, a pol?cia desconhece informa?es que apontem para poss?veis amea?as sofridas pelo coronel antes de ser encontrado morto.
H? cerca de um m?s, Malh?es havia admitido na Comiss?o Nacional da Verdade, em Bras?lia, que participou de torturas e desaparecimentos durante a ditadura militar, inclusive no caso do ex-deputado Rubens Paiva – que foi preso em 20 de janeiro de 1971 e ? um dos 183 desaparecidos pol?ticos com o paradeiro a ser investigado pela comiss?o.
A Comiss?o Nacional da Verdade foi criada pelo governo federal para examinar e esclarecer viola?es de direitos humanos praticadas durante o regime militar, que vigorou no pa?s entre 1964 e 1985.
Em depoimento ? comiss?o, Malh?es disse que o corpo do ex-deputado foi jogado em um rio de Itaipava, na Regi?o Serrana do Rio, por agentes da ditadura. Cerca de uma semana depois, em outro depoimento, ele negou o fato.