Publicada em 25 de Julho de 2014 às 22h00
Joseph Wood foi condenado à morte por duplo homicídio
?A governadora do Arizona, nos Estados Unidos, Jan Brewer, ordenou na quinta-feira (24) uma investiga??o sobre mais um caso pol?mico envolvendo a morte de um condenado por inje??o letal.
Joseph Wood agonizou por uma hora e 57 minutos at? ser declarado morto, depois do in?cio da aplica??o do sedativo midazolam e do narc?tico hidromorfona.
Imagem: AP Photo/Arizona Department of CorrectionsClique para ampliarJoseph Wood foi condenado ? morte por duplo homic?dio
O homem havia sido condenado ? pena capital por duplo homic?dio em 1989 de sua ex-namorada, Debbie Dietz, 29 anos, e do pai dela, Gene, de 55 anos.
O advogado do preso falou que "Wood respirava, se movia, agitando-se e tentando puxar a respira??o".
Seus advogados tentaram entrar com um apelo de emerg?ncia na Corte Suprema para evitar a execu??o, j? que o coquetel que seria aplicado em Wood j? tinha sido respons?vel por outra morte dolorosa, de cerca de 26 minutos, em Ohio. Mas, o pedido foi rejeitado.
Testemunhas tamb?m disseram que Wood continuou respirando agonizante centenas de vezes, quando a execu??o deveria ter sido terminada em dez minutos.
"Buscava o ar como um peixe na terra", relatou o jornalista Michael Kiefer, do jornal Arizona Republic, que foi testemunha da execu??o.
— E quando o m?dico foi examin?-lo, anunciou pelo microfone que Wood continuava sedado, mas pod?amos escutar os ru?dos que fazia, como quando o filtro de uma piscina chupa ar.
O caso reavivou o debate nos Estados Unidos sobre a pena de morte, puni??o restabelecida pela Suprema Corte em 1976 e ainda aplicada em 32 Estados.
Uma das limita?es da pena de morte ? a Oitava Emenda da Constitui??o que pro?be "puni?es cru?is e inusitados".
Em janeiro passado, Dennis McGuire, de 43 anos, condenado ? morte pelo estupro e assassinato em 1989 da rec?m-casada e gr?vida Joy Stewart, levou quase 25 minutos para morrer depois de receber a inje??o com a mesma combina??o de compostos, usada pela primeira vez nos Estados Unidos para executar algu?m.
Em abril, Clayton Lockett, de 38 anos, condenado pelo estupro e assassinato de St?phanie Neiman, morreu v?tima de um ataque card?aco quase uma hora depois ter administrado uma combina??o de tr?s drogas que inclu?a midazolam.
Os advogados de Wood tinham levado aos tribunais estaduais e federais a preocupa??o com a combina??o de compostos qu?micos e a recusa do Departamento de Corre?es do Arizona de dar informa??o sobre as verbas espec?ficas com as quais as drogas foram adquiridas.
"O Arizona se somou aos Estados respons?veis por um horror que poderia ser evitado totalmente: uma execu??o mal executada", disse Dale Baich, um dos advogados defensores de Wood.
— O p?blico deveria responsabilizar os funcion?rios e exigir que este processo seja mais transparente.
As pol?micas sobre a pena de morte em si cresceram nos EUA desde que as an?lises gen?ticas provaram a inoc?ncia de v?rios condenados, e desde que o tiopentato de s?dio, um narc?tico que fazia parte do coquetel de tr?s compostos usado nas inje?es letais, parasse de ser produzido por diversas farmac?uticas.
M?s passado a Hospira, ?nica companhia com permiss?o para fabricar o narc?tico nos Estados Unidos, anunciou que n?o produziria o tiopentato ap?s uma campanha global mobilizada por grupos contr?rios ? pena de morte.
Isto for?ou os Estados a adiarem execu?es, em busca do pouco que resta do narc?tico no mercado ou a testar compostos alternativos.
Desde 1976 foram executadas 1.385 pessoas nos Estados Unidos e h?, atualmente, 3.070 pessoas no corredor da morte. Embora os negros sejam 12% da popula??o norte-americana, foram 34% dos r?us executados e 41% da popula??o no corredor da morte.