Piaui em Pauta

Conjunto de fatores motivou queda do avião de Eduardo Campos, diz FAB.

Publicada em 19 de Janeiro de 2016 às 20h56


Oficiais do Centro de Investiga??o e Preven??o de Acidentes Aeron?uticos (Cenipa) da For?a A?rea Brasileira (FAB) divulgaram nesta ter?a-feira (18) o relat?rio final da investiga??o do acidente a?reo que vitimou sete pessoas, entre elas o ex-governador de Pernambuco e candidato ? presid?ncia da Rep?blica Eduardo Campos, em agosto de 2014 (relembre todas as v?timas do acidente).

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Sem apontar um ?nico motivo que causou a queda do avi?o, o Cenipa apontou quatro fatores que contribu?ram para a queda do avi?o: a atitude dos pilotos, as condi?es meteorol?gicas adversas, a desorienta??o espacial e a indisciplina de voo. Tamb?m h? fatores que podem ter contribu?do, mas que n?o ficaram comprovados, como ? o caso de uma eventual fadiga da tripula??o – conforme aponta o relat?rio.

Os fatores do acidente segundo a FAB

Indisciplina de voo: o Cenipa aponta que, sem motivo conhecido, houve um desvio da aeronave no momento da descida.

Atitude dos pilotos: no momento de aproxima??o do solo, o fato de os pilotos terem feito um trajeto diferente do programado mostra que eles n?o aderiram aos procedimentos previstos, o que terminou gerando a necessidade de arremeter.

Condi?es meteorol?gicas adversas: segundo o Cenipa, as condi?es do tempo "estavam pr?ximas dos m?nimos de seguran?a", mas isso, por si s?, n?o implicava riscos ? opera??o. De acordo com o ?rg?o, os pilotos deveriam ter consultado o boletim meteorol?gico mais recente, pouco antes da decolagem.
Desorienta??o: de acordo com o Cenipa, estavam presentes no momento da colis?o diversas condi?es que eram favor?veis a uma desorienta??o espacial, como redu??o da visibilidade em fun??o das condi?es meteorol?gicas, estresse e aumento da carga de trabalho em fun??o da realiza??o da arremetida, falta de treinamento adequado e uma poss?vel perda da consci?ncia situacional, entre outros.

Ap?s a apresenta??o do relat?rio, o advogado que representa as fam?lias do piloto e do copiloto, Josmeyr Oliveira, afirmou ao G1 por telefone que os parentes ficaram "inconformados” com a an?lise do Cenipa. Antes da divulga??o do relat?rio, familiares dos tripulantes e passageiros j? haviam se reunido com t?cnicos do Cenipa para serem informados das conclus?es do relat?rio.

Para o advogado, o documento deposita toda a culpa pela trag?dia sobre os pilotos e n?o avan?a sobre poss?veis falhas da pr?pria aeronave. "Um ponto diferencial do relat?rio seria realizar um simulador de voo nas mesmas condi?es daquele dia, pegando a perspectiva das aeronaves. A resposta que o Cenipa nos deu ? que tentaram [simular], mas a empresa contratada pelo fabricante n?o permitiu em raz?o da investiga??o em curso da Pol?cia Federal", declarou Oliveira.

Segundo ele, o simulador poderia confirmar as conclus?es obtidas pelo relat?rio do Cenipa ou apresentar outros cen?rios, menos relacionados ? conduta dos tripulantes.

Outros poss?veis fatores
Apesar de os quatro fatores que contribu?ram para o acidente estarem ligados ? atua??o dos pilotos, o chefe da investiga??o, tenente-coronel Raul de Souza, disse que n?o ? poss?vel dizer que houve "100% de falha humana". "N?o conseguimos colocar o que ? mais importante em rela??o a outro fator. Alguns contribu?ram, mas outros ficaram como indeterminados", disse.
Fatores que o Cenipa identificou, mas n?o confirmou influ?ncia no acidente:
Fadiga: an?lise dos par?metros de voz do copiloto identificou "sinais compat?veis com fadiga e sonol?ncia". Na semana que antecedeu o acidente, a tripula??o respeitou as horas de descanso previstas na legisla??o. O PSB informou, por meio da assessoria de imprensa, que n?o comentar? nesta ter?a-feira o resultado da investiga??o divulgada pelo Cenipa.
Caracter?sticas da tarefa: a press?o em carregar um candidato ? Presid?ncia em uma agenda apertada pode ter influenciado os pilotos a operar com "seguran?a reduzida".
Aplica??o de comandos: a alta velocidade da aeronave e a curva acentuada que ela fez ap?s a falha no pouso, segundo o Cenipa, poderiam ter sido causadas por manobras fortes demais. Isso pode ter acontecido, por exemplo, pela desorienta??o espacial dos pilotos.
Forma??o, capacita??o e treinamento: como os pilotos n?o tinham treinado o procedimento de arremetida naquela aeronave, a falta de conhecimento espec?fico pode ter prejudicado a tomada de decis?es.
Processos organizacionais: a experi?ncia pr?via dos pilotos naquele tipo de aeronave n?o foi verificada pelos contratantes. A necessidade de um treinamento mais espec?fico poderia ter evitado as dificuldades durante o voo.
Esses fatores que foram apontados pelo Cenipa como indeterminados nas causas do acidente ainda podem ser alvo de investiga??o por outros ?rg?os, como a Pol?cia Federal. O relat?rio do Cenipa n?o ? suficiente para descartar nenhuma linha de investiga??o, segundo o pr?prio ?rg?o.

Relat?rio n?o atribui culpa
Logo no in?cio da apresenta??o do relat?rio, o chefe do Cenipa, brigadeiro Dilton Jos? Schuck, afirmou que a fun??o dos t?cnicos que investigaram o acidente era identificar os fatores que contribu?ram ou que podem ter contribu?do para a queda do avi?o, e n?o atribuir culpa a ningu?m.
"N?o ? finalidade nossa identificar aqui culpa ou responsabilidades de quaisquer pessoas ou institui?es. Nosso trabalho ? voltado para preven??o", esclareceu. A comiss?o de investiga??o foi composta por 18 especialistas das ?reas operacional (pilotos, meteorologista e especialista em tr?fego a?reo, por exemplo), humana (m?dico e psic?logo) e material (engenheiros aeron?utico, mec?nico e de materiais).

Al?m da per?cia elaborada pelo Cenipa, h? uma investiga??o em curso conduzida pelo Minist?rio P?blico Federal em conjunto com a Pol?cia Federal. Os familiares dos pilotos dizem, ainda, realizar uma "terceira apura??o" particular, com base em laudos independentes.
Os fatores que foram relacionados pelo Cenipa – inclusive aqueles que tiveram influ?ncia indeterminada – podem ser alvo de investiga??o por outros ?rg?os, como a Pol?cia Federal. N?o ? fun??o do Cenipa, que investiga causas de acidente para prevenir outros casos, denunciar ou punir culpados. O relat?rio do Cenipa n?o ? suficiente para descartar nenhuma linha de investiga??o, segundo o pr?prio ?rg?o.

Trajeto diferente
No ano passado, durante apresenta??o de um relat?rio preliminar, em Bras?lia, os oficiais j? haviam afirmado que os pilotos realizaram um trajeto diferente do oficialmente previsto para realizar o pouso, n?o tendo seguido a carta oficial que determina o procedimento a ser adotado em cada aeroporto.
Tanto na descida inicial para a pista da Base A?rea de Santos, quanto na arremetida (quando o avi?o sobe de volta no momento em que n?o consegue aterrissar na primeira vez), os radares captaram um percurso diferente do recomendado no mapa. Durante esse trajeto, a tripula??o tamb?m n?o informou precisamente os locais por onde passava nos momentos em que isso ? exigido.
Nesta ter?a, o relat?rio divulgado lista o fato como um dos fatores que contribuiu para a queda do avi?o. “A realiza??o da aproxima??o num perfil de aproxima??o diferente do previsto demonstra uma falta de ader?ncia aos procedimentos, o que possibilitou o in?cio da sequ?ncia de eventos que culminaram com uma aproxima??o perdida", afirmam os t?cnicos.

Desorienta??o espacial
O tenente-coronel Raul de Souza, respons?vel pela investiga??o do acidente, informou que as condi?es meteorol?gicas ruins e a poss?vel altera??o das habilidades f?sica e mental dos pilotos ao transportar uma pessoa p?blica podem ter colaborado para o que os t?cnicos chamam de desorienta??o espacial. Al?m disso, o excesso de est?mulos no sistema fisiol?gico de orienta??o, como consequ?ncia da realiza??o de uma curva “apertada”, e as varia?es de velocidade tamb?m colaboram para desorientar um ser humano.
Tamb?m colaboraram para a desorienta??o espacial da tripula??o, segundo o Cenipa: a altern?ncia do voo visual para o voo por instrumentos, que faz os pilotos terem de olhar para dentro do avi?o e para fora, de forma alternada; a falta de treinamento adequado e espec?fico dos tripulantes na aeronave que estavam voando; al?m de "prov?vel estresse, ansiedade e sobrecarga de trabalho".
Informa?es do voo
A an?lise do Cenipa tamb?m indica que a tripula??o do voo pode n?o ter acessado o ?ltimo boletim meteorol?gico dispon?vel, ?s 9h do dia do acidente, que indicava a baixa visibilidade no local – a pista operava por aparelhos. Entre 8h e 9h, a visibilidade caiu pela metade, de 8km para 4km. As informa?es n?o foram passadas pela r?dio, nem cobradas por piloto e copiloto.
Durante a apresenta??o do relat?rio, o tenente-coronel exibiu v?deos e imagens de c?meras de seguran?a do momento da queda do avi?o, em diversos ?ngulos.

A queda
A per?cia feita nos destro?os apontou que o trem de pouso estava recolhido no momento da queda. Flaps, conchas dos reversores e speedbrakes, itens usados para reduzir a velocidade da aeronave no pouso, estavam todos fechados, diferentemente do que deveria acontecer durante uma aterrissagem.
Os sistemas hidr?ulico, pneum?tico, de pressuriza??o, de combust?vel e de piloto autom?tico foram analisados na per?cia e, segundo o Cenipa, n?o indicavam "anormalidades pr?-pouso", ou seja, falha t?cnica que poderia ter causado a queda.
O relat?rio tamb?m aponta que a aeronave n?o se incendiou durante a queda, antes do impacto. "Todos aqueles relatos dos observadores, de que viram a aeronave pegando fogo em voo, foram descartados desde o in?cio, e as imagens vieram para comprovar", disse o chefe da investiga??o.
Al?m disso, de acordo com Souza, os danos do motor esquerdo e do motor direito foram similares, o que indica que ambos estavam funcionando de forma semelhante no momento da queda.

19/01/2016 16h28 - Atualizado em 19/01/2016 20h40
Conjunto de fatores motivou queda do avi?o de Eduardo Campos, diz FAB
Desorienta??o de pilotos e mau tempo contribu?ram, diz documento.
Relat?rio final foi apresentado nesta ter?a por oficiais da Aeron?utica.
La?s Alegretti e Mateus Rodrigues
Do G1, em Bras?lia
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Oficiais do Centro de Investiga??o e Preven??o de Acidentes Aeron?uticos (Cenipa) da For?a A?rea Brasileira (FAB) divulgaram nesta ter?a-feira (18) o relat?rio final da investiga??o do acidente a?reo que vitimou sete pessoas, entre elas o ex-governador de Pernambuco e candidato ? presid?ncia da Rep?blica Eduardo Campos, em agosto de 2014 (relembre todas as v?timas do acidente).

Sem apontar um ?nico motivo que causou a queda do avi?o, o Cenipa apontou quatro fatores que contribu?ram para a queda do avi?o: a atitude dos pilotos, as condi?es meteorol?gicas adversas, a desorienta??o espacial e a indisciplina de voo. Tamb?m h? fatores que podem ter contribu?do, mas que n?o ficaram comprovados, como ? o caso de uma eventual fadiga da tripula??o – conforme aponta o relat?rio.


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Os fatores do acidente segundo a FAB

Indisciplina de voo: o Cenipa aponta que, sem motivo conhecido, houve um desvio da aeronave no momento da descida.

Atitude dos pilotos: no momento de aproxima??o do solo, o fato de os pilotos terem feito um trajeto diferente do programado mostra que eles n?o aderiram aos procedimentos previstos, o que terminou gerando a necessidade de arremeter.

Condi?es meteorol?gicas adversas: segundo o Cenipa, as condi?es do tempo "estavam pr?ximas dos m?nimos de seguran?a", mas isso, por si s?, n?o implicava riscos ? opera??o. De acordo com o ?rg?o, os pilotos deveriam ter consultado o boletim meteorol?gico mais recente, pouco antes da decolagem.
Desorienta??o: de acordo com o Cenipa, estavam presentes no momento da colis?o diversas condi?es que eram favor?veis a uma desorienta??o espacial, como redu??o da visibilidade em fun??o das condi?es meteorol?gicas, estresse e aumento da carga de trabalho em fun??o da realiza??o da arremetida, falta de treinamento adequado e uma poss?vel perda da consci?ncia situacional, entre outros.

Ap?s a apresenta??o do relat?rio, o advogado que representa as fam?lias do piloto e do copiloto, Josmeyr Oliveira, afirmou ao G1 por telefone que os parentes ficaram "inconformados” com a an?lise do Cenipa. Antes da divulga??o do relat?rio, familiares dos tripulantes e passageiros j? haviam se reunido com t?cnicos do Cenipa para serem informados das conclus?es do relat?rio.

Para o advogado, o documento deposita toda a culpa pela trag?dia sobre os pilotos e n?o avan?a sobre poss?veis falhas da pr?pria aeronave. "Um ponto diferencial do relat?rio seria realizar um simulador de voo nas mesmas condi?es daquele dia, pegando a perspectiva das aeronaves. A resposta que o Cenipa nos deu ? que tentaram [simular], mas a empresa contratada pelo fabricante n?o permitiu em raz?o da investiga??o em curso da Pol?cia Federal", declarou Oliveira.

Segundo ele, o simulador poderia confirmar as conclus?es obtidas pelo relat?rio do Cenipa ou apresentar outros cen?rios, menos relacionados ? conduta dos tripulantes.
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Outros poss?veis fatores
Apesar de os quatro fatores que contribu?ram para o acidente estarem ligados ? atua??o dos pilotos, o chefe da investiga??o, tenente-coronel Raul de Souza, disse que n?o ? poss?vel dizer que houve "100% de falha humana". "N?o conseguimos colocar o que ? mais importante em rela??o a outro fator. Alguns contribu?ram, mas outros ficaram como indeterminados", disse.
Fatores que o Cenipa identificou, mas n?o confirmou influ?ncia no acidente:
Fadiga: an?lise dos par?metros de voz do copiloto identificou "sinais compat?veis com fadiga e sonol?ncia". Na semana que antecedeu o acidente, a tripula??o respeitou as horas de descanso previstas na legisla??o. O PSB informou, por meio da assessoria de imprensa, que n?o comentar? nesta ter?a-feira o resultado da investiga??o divulgada pelo Cenipa.
Caracter?sticas da tarefa: a press?o em carregar um candidato ? Presid?ncia em uma agenda apertada pode ter influenciado os pilotos a operar com "seguran?a reduzida".
Aplica??o de comandos: a alta velocidade da aeronave e a curva acentuada que ela fez ap?s a falha no pouso, segundo o Cenipa, poderiam ter sido causadas por manobras fortes demais. Isso pode ter acontecido, por exemplo, pela desorienta??o espacial dos pilotos.
Forma??o, capacita??o e treinamento: como os pilotos n?o tinham treinado o procedimento de arremetida naquela aeronave, a falta de conhecimento espec?fico pode ter prejudicado a tomada de decis?es.
Processos organizacionais: a experi?ncia pr?via dos pilotos naquele tipo de aeronave n?o foi verificada pelos contratantes. A necessidade de um treinamento mais espec?fico poderia ter evitado as dificuldades durante o voo.
Esses fatores que foram apontados pelo Cenipa como indeterminados nas causas do acidente ainda podem ser alvo de investiga??o por outros ?rg?os, como a Pol?cia Federal. O relat?rio do Cenipa n?o ? suficiente para descartar nenhuma linha de investiga??o, segundo o pr?prio ?rg?o.

Relat?rio n?o atribui culpa
Logo no in?cio da apresenta??o do relat?rio, o chefe do Cenipa, brigadeiro Dilton Jos? Schuck, afirmou que a fun??o dos t?cnicos que investigaram o acidente era identificar os fatores que contribu?ram ou que podem ter contribu?do para a queda do avi?o, e n?o atribuir culpa a ningu?m.
"N?o ? finalidade nossa identificar aqui culpa ou responsabilidades de quaisquer pessoas ou institui?es. Nosso trabalho ? voltado para preven??o", esclareceu. A comiss?o de investiga??o foi composta por 18 especialistas das ?reas operacional (pilotos, meteorologista e especialista em tr?fego a?reo, por exemplo), humana (m?dico e psic?logo) e material (engenheiros aeron?utico, mec?nico e de materiais).

Al?m da per?cia elaborada pelo Cenipa, h? uma investiga??o em curso conduzida pelo Minist?rio P?blico Federal em conjunto com a Pol?cia Federal. Os familiares dos pilotos dizem, ainda, realizar uma "terceira apura??o" particular, com base em laudos independentes.
Os fatores que foram relacionados pelo Cenipa – inclusive aqueles que tiveram influ?ncia indeterminada – podem ser alvo de investiga??o por outros ?rg?os, como a Pol?cia Federal. N?o ? fun??o do Cenipa, que investiga causas de acidente para prevenir outros casos, denunciar ou punir culpados. O relat?rio do Cenipa n?o ? suficiente para descartar nenhuma linha de investiga??o, segundo o pr?prio ?rg?o.

Trajeto diferente
No ano passado, durante apresenta??o de um relat?rio preliminar, em Bras?lia, os oficiais j? haviam afirmado que os pilotos realizaram um trajeto diferente do oficialmente previsto para realizar o pouso, n?o tendo seguido a carta oficial que determina o procedimento a ser adotado em cada aeroporto.
Tanto na descida inicial para a pista da Base A?rea de Santos, quanto na arremetida (quando o avi?o sobe de volta no momento em que n?o consegue aterrissar na primeira vez), os radares captaram um percurso diferente do recomendado no mapa. Durante esse trajeto, a tripula??o tamb?m n?o informou precisamente os locais por onde passava nos momentos em que isso ? exigido.
Nesta ter?a, o relat?rio divulgado lista o fato como um dos fatores que contribuiu para a queda do avi?o. “A realiza??o da aproxima??o num perfil de aproxima??o diferente do previsto demonstra uma falta de ader?ncia aos procedimentos, o que possibilitou o in?cio da sequ?ncia de eventos que culminaram com uma aproxima??o perdida", afirmam os t?cnicos.
Imagem mostra o trajeto feito pelo piloto antes da queda (linha vermelha) e a trajet?ria recomendada (linha preta) (Foto: Reprodu??o/Cenipa)
Imagem mostra o trajeto feito pelo piloto antes da queda (linha vermelha) e a trajet?ria recomendada (linha preta) (Foto: Reprodu??o/Cenipa)
Desorienta??o espacial
O tenente-coronel Raul de Souza, respons?vel pela investiga??o do acidente, informou que as condi?es meteorol?gicas ruins e a poss?vel altera??o das habilidades f?sica e mental dos pilotos ao transportar uma pessoa p?blica podem ter colaborado para o que os t?cnicos chamam de desorienta??o espacial. Al?m disso, o excesso de est?mulos no sistema fisiol?gico de orienta??o, como consequ?ncia da realiza??o de uma curva “apertada”, e as varia?es de velocidade tamb?m colaboram para desorientar um ser humano.
Tamb?m colaboraram para a desorienta??o espacial da tripula??o, segundo o Cenipa: a altern?ncia do voo visual para o voo por instrumentos, que faz os pilotos terem de olhar para dentro do avi?o e para fora, de forma alternada; a falta de treinamento adequado e espec?fico dos tripulantes na aeronave que estavam voando; al?m de "prov?vel estresse, ansiedade e sobrecarga de trabalho".
Informa?es do voo
A an?lise do Cenipa tamb?m indica que a tripula??o do voo pode n?o ter acessado o ?ltimo boletim meteorol?gico dispon?vel, ?s 9h do dia do acidente, que indicava a baixa visibilidade no local – a pista operava por aparelhos. Entre 8h e 9h, a visibilidade caiu pela metade, de 8km para 4km. As informa?es n?o foram passadas pela r?dio, nem cobradas por piloto e copiloto.
Durante a apresenta??o do relat?rio, o tenente-coronel exibiu v?deos e imagens de c?meras de seguran?a do momento da queda do avi?o, em diversos ?ngulos.
A queda
A per?cia feita nos destro?os apontou que o trem de pouso estava recolhido no momento da queda. Flaps, conchas dos reversores e speedbrakes, itens usados para reduzir a velocidade da aeronave no pouso, estavam todos fechados, diferentemente do que deveria acontecer durante uma aterrissagem.
Os sistemas hidr?ulico, pneum?tico, de pressuriza??o, de combust?vel e de piloto autom?tico foram analisados na per?cia e, segundo o Cenipa, n?o indicavam "anormalidades pr?-pouso", ou seja, falha t?cnica que poderia ter causado a queda.
O relat?rio tamb?m aponta que a aeronave n?o se incendiou durante a queda, antes do impacto. "Todos aqueles relatos dos observadores, de que viram a aeronave pegando fogo em voo, foram descartados desde o in?cio, e as imagens vieram para comprovar", disse o chefe da investiga??o.
Al?m disso, de acordo com Souza, os danos do motor esquerdo e do motor direito foram similares, o que indica que ambos estavam funcionando de forma semelhante no momento da queda.
Habilita??o
Os t?cnicos que elaboraram o relat?rio tamb?m afirmam que a falta de treinamento espec?fico para operar o modelo utilizado pela campanha de Eduardo Campos (Cessna C560XLS ) pode ter contribu?do para a queda, uma vez que isso pode ter dificultado a tomada de decis?es e a opera??o da aeronave. Ambos tinham treinamento para operar apenas o modelo anterior do avi?o (Cessna C560 Encore ou C560 Encore ).



Os pilotos
O comandante Marcos Martins tinha 130 horas pr?vias de voo na categoria de aeronave do acidente e o copiloto, Geraldo Magela, pouco mais de 95 horas, todas j? na equipe de Eduardo Campos. Ao contr?rio do comandante, o copiloto n?o tinha registros de opera??o na ?rea de Santos e nem em aeronaves similares ao Cessna C560 XLS em per?odo anterior a junho de 2014.
O Cenipa afirma que Martins era visto como "piloto experiente e que sabia gerenciar condi?es adversas", com "experi?ncia em voos nacionais e internacionais". Alguns dias antes da queda, ele teria comentado com colegas que a "operacionalidade do copiloto n?o estava adequada e que isso elevava sua carga de trabalho".
Magela tamb?m era visto entre colegas, segundo o Cenipa, como um piloto experiente. No curr?culo, entretanto, apresentou notas baixas em processos seletivos para pilotar aeronaves de grande porte, como o Airbus 319/320.
"Em 2012, atuou como copiloto de aeronave Cessna C560 Citation V em uma empresa de t?xi-a?reo de S?o Paulo. Em voo, mostrou-se ap?tico, desatento e n?o alertava o comandante quando algo sa?a do perfil do voo. Na prepara??o da aeronave, esquecia alguns procedimentos sob sua responsabilidade (como fechar a porta do bagageiro)", diz trecho da apresenta??o do Cenipa, ainda sobre o curr?culo de Magela.




Tags: Conjunto de fatores - Oficiais do Centro

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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