
A tarefa, no entanto, n?o ? f?cil. Ainda que o acordo estabelecido em 2015 aponte 2?C como um aquecimento m?ximo, o ideal, segundo cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudan?as Clim?ticas (IPCC, em ingl?s), ? que a Terra n?o esquente mais do 1,5?C at? o fim do s?culo. A entrega do relat?rio do IPCC tamb?m deve ser um dos principais pontos da COP 24.
Al?m do compromisso de minimizar o aquecimento terrestre, o Acordo de Paris tamb?m reiterou o combinado de que os pa?ses ricos deveriam investir 100 bilh?es de d?lares por ano at? 2020 para atender ?s necessidades dos pa?ses em desenvolvimento.
Trump diz ser 'conceb?vel' que EUA retornem ao Acordo de Paris sobre mudan?as clim?ticas
Por ?ltimo, todos os pa?ses tamb?m se comprometeram a enviar, a cada cinco anos, as chamadas “contribui?es nacionais” — o quanto cada um poderia contribuir para atingir os objetivos do Acordo. Ao contr?rio do Protocolo de Kyoto, o Acordo de Paris n?o estabeleceu metas para cada pa?s: cada um decidiu, por si, quais compromissos deveria assumir.
Para especialistas ouvidos pelo G1, os tr?s principais pontos a serem debatidos na COP 24 s?o:
O “livro de regras” do Acordo de Paris, ainda n?o estabelecido.
Como os pa?ses ricos dever?o ajudar os mais pobres a se adaptarem ?s mudan?as clim?ticas, investindo 100 bilh?es de d?lares anualmente at? 2020.
O relat?rio 1.5 do IPCC, que estabeleceu que os esfor?os devem se concentrar para que a Terra n?o esquente mais do que 1,5?C at? o fim do s?culo.
O 'livro de regras'
O objetivo do chamado “livro de regras” ? dar transpar?ncia sobre como as regras do Acordo de Paris ser?o cumpridas, explica D?lcio Rodrigues, diretor do Instituto ClimaInfo.
“? basicamente dizer como ? que cada pa?s vai dizer que j? cumpriu o compromisso — explicar a transpar?ncia do processo, como os outros v?o acreditar no que voc? est? dizendo. Como s?o compromissos nacionais, n?o ? f?cil fazer uma regra comum, que d? transpar?ncia, credibilidade”, avalia Rodrigues.
Para Tasso Azevedo, do Observat?rio do Clima, existem tr?s principais pontos que precisam ser estabelecidos no “livro de regras”:
de que forma os pa?ses v?o comunicar aos outros o andamento dos compromissos que foram assumidos individualmente;
como revisar as metas assumidas por cada um, que devem ser refeitas a cada cinco anos e, de prefer?ncia, aumentadas.
o que deve ser feito no relat?rio final, de todos os pa?ses. Por isso, segundo Azevedo, ? necess?rio haver uma padroniza??o de como reportar os avan?os — para que possam ser comparados.
A expectativa era de que o livro de regras tivesse sido aprovado na confer?ncia do ano passado, mas n?o aconteceu. Ele ? necess?rio porque o que ficou combinado no Acordo de Paris entra em vigor em 2020.
Financiamento
Os especialistas ouvidos pelo G1 acreditam que outra grande quest?o a ser debatida ? o dinheiro — o investimento de 100 bilh?es anuais at? 2020 que os pa?ses desenvolvidos devem fazer para ajudar aqueles em desenvolvimento a lidar com as mudan?as clim?ticas.
“Os pa?ses pobres precisam de recursos financeiros para enfrentar o problema. Tem uma grande discuss?o sobre dinheiro. J? foi pior — t? se chegando mais oyu menso num certro consenso em como contar o que j? foi investido, mas ainda n?o est? totalmente resolvido”, avalia D?lcio Rodrigues.
Os pa?ses t?m diverg?ncias sobre que "tipo" de dinheiro deve ser contabilizado nessa meta de 100 bilh?es anuais: se somente novos investimentos ser?o v?lidos ou se os antigos tamb?m entrar?o para a conta.
Relat?rio 1.5 do IPCC
Um relat?rio do IPCC divulgado em outubro deste ano, que deve ser apresentado na COP 24, constatou que a temperatura do planeta deve aumentar, no m?ximo, 1,5?C para que os efeitos negativos sejam menos intensos. Para Thelma Krug, vice-presidente do IPCC, ainda ? poss?vel garantir essa meta, mas medidas dr?sticas ser?o necess?rias.
“N?s j? aquecemos o planeta 1?C desde a ?poca pr?-industrial. A gente espera que esse conhecimento cient?fico traga ? tona a import?ncia de limitar esse aquecimento a 1,5?C. Se isso n?o acontecer, vamos ter que usar tecnologia que n?o temos atualmente. As consequ?ncias v?o ser bem maiores do que as que voc? tem hoje”, diz.
Entre os efeitos adversos citados pelos cientistas que participaram da elabora??o do relat?rio est?o, inclusive, o aumento da fome, a destrui??o de zonas costeiras e ?rticas e de corais, por exemplo. Para Andr? Nahur, coordenador de mudan?as clim?ticas do WWF Brasil, o relat?rio do IPCC deve ser um dos destaques da COP 24.
"Os v?rios estudos do IPCC refor?aram, principalmente, que a janela que n?s temos para tentar reduzir as emiss?es para tentar garantir est? se fechando cada vez mais f?cil. O que a gente teria ? em torno de 12 anos — at? 2030 — para garantir que o acordo de Paris seja alcan?ado", avalia.
Onde entra o Brasil na hist?ria?
Depois da desist?ncia do Brasil de sediar a confer?ncia do ano que vem, a perspectiva, afirmam especialistas, ? de que a discuss?o do clima n?o ser? uma prioridade no novo governo.
"Recebemos com preocupa??o a not?cia. Receber uma COP sinaliza que esse tema ? priorit?rio, ent?o o governo brasileiro ter recuado mostra que esse tema n?o ser? uma prioridade para o governo nacional. A preocupa??o ? com os efeitos econ?micos para o Brasil. N?o ? uma discuss?o ambiental, ? uma discuss?o de desenvolvimento. Seria uma grande oportunidade que est? sendo perdida", avalia Nahur.
O pa?s tem, no entanto, exemplos a dar em diversas ?reas, avalia Krug, como no uso de bioenergia. "? uma produ??o de maneira sustent?vel, considerada menos agressiva quanto ?s quest?es do carbono. Dependendo do uso, voc? n?o necessariamente ter? a bioenergia mitigando a mudan?a do clima. E a gente consegue fazer isso. O Brasil evoluiu muito para minimizar os impasctos de produ??o da energia", diz.
J? Rodrigues, do Instituto ClimaInfo, n?o v? a desist?ncia do Brasil como t?o negativa.
"O pa?s que sedia tem duas obriga?es — a da log?stica e a de presidir a COP. Se voc? n?o tiver um pa?s proativo, buscando solu?es, querendo resolver o problema, n?o ? bom . Do ponto de vista do acordo em si, como a gente tem muitas d?vidas sobre como ser? o governo Bolsonaro em si, ? melhor que n?o seja aqui", avalia.
O encontro ser? sediado em Katowice, na Pol?nia — pa?s que tem 80% da eletricidade produzida por carv?o, segundo relat?rio do Instituto ClimaInfo. Al?m disso, ? costume no pa?s queimar carv?o para aquecer casas. A pr?pria Katowice abriga, ainda, a maior feira comercial do setor de minera??o, diz o Instituto.
Rodrigues avalia que a escolha do pa?s ? ruim. "N?o ? bom que seja na Pol?nia. Vai ser porque eles se ofereceram, e existe uma rotatividade entre continentes. Mas o pa?s n?o ? um dos mais proativos. Defende muito o carv?o", comenta. O pa?s tem, inclusive, novas minas de carv?o em constru??o.
J? para Andr? Nahur, do WWF Brasil, a disposi??o em sediar o evento indica boa vontade do pa?s.
"Mostra que, apesar de terem essa matriz, eles mostram que de alguma maneira est?o tentando. Do compromisso pra pr?tica existe uma lacuna grande. Atualmente temos muito compromissos na mesa, e precisamos de a?es pr?ticas, que n?o est?o acontecendo na velocidade que o mundo precisa", diz.
ONU