Publicada em 19 de Julho de 2014 às 17h00
A realiza??o da Copa no Brasil e a vergonhosa elimina??o de nossa Sele??o no Mundial de futebol n?o tiveram, at? aqui, nenhuma influ?ncia sobre a corrida presidencial. ? isso o que indica a pesquisa ISTO?/Sensus realizada entre s?bado 12 e ter?a-feira 15. O levantamento efetuado em 136 cidades de 14 Estados mostra que no ?ltimo m?s os principais candidatos ? Presid?ncia da Rep?blica foram incapazes de sensibilizar os eleitores. As inten?es de voto em Dilma Rousseff (PT), A?cio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) tiveram pequena varia??o negativa (leia quadro ao lado), dentro da margem de erro da pesquisa (mais ou menos 2,2%). “At? agora podemos afirmar que o eleitor brasileiro se coloca de forma bastante madura e parece ter separado muito bem a pol?tica do futebol”, diz Ricardo Guedes Ferreira Pinto, diretor do Sensus. “Nem o governo nem a oposi??o conseguiram faturar politicamente com a Copa.” Para o comando da campanha pela reelei??o de Dilma Rousseff, o resultado da pesquisa, embora mantenha a tend?ncia de queda da presidenta, dever? ser visto como positivo. At? a tarde da quinta-feira 17, muitos dos l?deres petistas acreditavam que o mau humor provocado pelo desempenho bisonho de nossa Sele??o se traduziria em uma perda acentuada nas inten?es de voto da presidenta e sustentavam que as vaias contra Dilma ouvidas no jogo final da Copa deveriam contaminar as pesquisas eleitorais. A oposi??o, por sua vez, tamb?m tende a fazer uma leitura positiva dos n?meros mostrados pela enquete ISTO?/Sensus. Na ?ltima semana, entre os tucanos e no QG da campanha do PSB havia a expectativa de que o fato de o Brasil ter conseguido organizar uma Copa elogiada em todo o mundo e a aus?ncia de grandes manifesta?es durante o campeonato mundial pudessem momentaneamente refletir uma maior aceita??o da presidenta. Os n?meros mostram que n?o foi isso o que ocorreu. Embora n?o tenha aumentado a inten??o de voto em A?cio ou Campos, a pesquisa revela que 50,9% dos eleitores reprovam a atua??o de Dilma Rousseff ? frente do governo federal e 64,9% avaliam sua gest?o como regular ou negativa. “Esses n?meros s?o preocupantes para quem busca a reelei??o”, afirma Guedes. De acordo com o diretor do Sensus, “? muito dif?cil que um governante com menos de 35% de avalia??o positiva consiga se reeleger”. A pesquisa revela que apenas 32,4% dos eleitores avaliam o governo de Dilma de forma positiva, um n?mero 2,2% menor do que o apontado pelo levantamento realizado no in?cio de junho. A an?lise conjunta desses dados permite concluir que, apesar de a Copa ter sido um sucesso, n?o houve altera??o na avalia??o que o eleitor faz do governo. “As pessoas est?o convencidas de que a Copa deu certo por outros fatores que n?o a a??o do governo”, diz Guedes. A pesquisa realizada com dois mil eleitores tamb?m mostrou que o ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva tem boas raz?es ao insistir em convocar o PT para tentar ganhar a elei??o ainda no primeiro turno. Segundo o levantamento ISTO?/Sensus, a presidenta Dilma Rousseff e o senador A?cio Neves (PSDB-MG), os dois l?deres na disputa presidencial, estariam tecnicamente empatados caso disputassem hoje o segundo turno. Nessa situa??o, de acordo com a pesquisa, Dilma teria 36,3% dos votos e A?cio, 36,2%. ? a primeira vez que os dois principais candidatos aparecem empatados em um poss?vel segundo turno. Em abril, a diferen?a a favor de Dilma era de 6,7% e, em junho, de 5,1%. Tamb?m com rela??o ao socialista Eduardo Campos, a diferen?a a favor da presidenta em um suposto segundo turno vem caindo. Era 14,3% em abril, passou para 10,6% em junho e agora est? em 7,8%. “Esse ? o resultado mais vis?vel da rejei??o que sofre a presidenta e seu partido”, diz um dos l?deres da campanha de Campos em S?o Paulo. “Quando os programas de tev? come?arem, a tend?ncia ? a de que a presidenta tamb?m comece a cair j? no primeiro turno.” Hoje, segundo a pesquisa ISTO?/Sensus, 42,4% dos eleitores rejeitam a possibilidade de votar na presidenta. “? natural que o candidato mais conhecido tenha tamb?m mais rejei??o, mas n?o conhe?o casos de candidaturas que tenham obtido sucesso com mais de 40% de rejei??o”, afirma Guedes. Se a elei??o fosse hoje, segundo a pesquisa, haveria segundo turno. Dilma teria 31,6% dos votos e seus advers?rios somariam 32,4%.
AN?LISE
Para Ricardo Guedes, do Sensus, rejei??o ? presidenta ? muito alta Registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o n?mero BR – 00214/2014, o levantamento ISTO?/Sensus constata que a defini??o dos vices dos tr?s principais candidatos n?o surtiu efeito eleitoral, pelo menos at? agora. O pior cen?rio ? para Eduardo Campos, que apostou na transfer?ncia dos votos de Marina Silva, candidata a vice. A enquete mostra que os eleitores j? sabem que Marina n?o ser? candidata a presidente, isso porque ela n?o ? mais citada quando a pesquisa aborda a inten??o de voto espont?neo (leia quadro na p?g. 38). Os votos de Marina, no entanto, n?o se transferiram para o governador pernambucano. “? prov?vel que daqui para a frente, com o fim da Copa, as pessoas comecem a olhar mais atentamente para os candidatos e os vices passem a ter maior import?ncia”, afirma Guedes. “As pr?ximas pesquisas poder?o medir melhor esse fator.” O tucano A?cio Neves acredita que a chapa com o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira possa ajudar a consolidar e ampliar uma vit?ria no Sudeste, o maior col?gio eleitoral do Pa?s. A pesquisa mostra que no Sul A?cio j? ultrapassou Dilma (27,9% contra 20,9%) e que no Sudeste ele est? na frente (24,8% contra 24,4%). No PSDB, no entanto, o entendimento ? que essas diferen?as precisam ser ampliadas. No caso da presidenta Dilma Rousseff, mais do que trazer votos, o papel do vice Michel Temer ? o de procurar manter unido o PMDB. Miss?o nada f?cil em um partido que se caracteriza como uma federa??o de interesses regionais nem sempre convergentes. Na quinta-feira 17, por exemplo, o senador Romero Juc? (PMDB-RR) disse a aliados que ir? comandar a campanha do tucano A?cio Neves em seu Estado. Mesma postura j? adotada pelo senador Eun?cio Oliveira, no Cear?. Fotos: ROBERTO CASTRO; Iano Andrade/CB/D.A Press, ANDRE DUSEK; JOA SOUZA/AG. A TARDE/FUTURA PRESS
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