Piaui em Pauta

Crédito volta aos poucos para financiamento de carro

Publicada em 03 de Junho de 2014 às 20h50


O n?mero de abril ?, em partes, fruto da m?o pesada da Caixa. No m?s, o Sal?o Auto Caixa em todo o Brasil negociou R$ 228 milh?es em cr?dito automotivo – valor 40% maior que a m?dia di?ria de contrata??o de 2013. Mas n?o ? s? isso. Os bancos, que vinham temerosos pela alta inadimpl?ncia desse tipo de financiamento, j? podem contar com um indicador ainda mais positivo. O ?ndice de pagamentos atrasados recuou em 0,1 ponto porcentual, chegando a 4,9%. A discreta evolu??o tem um importante significado para a ind?stria: ? o menor n?vel desde agosto de 2011. H? um ano, essa parcela era de 6,2%, ainda grande. Chegar aos 4,9% pode significar um respiro para as institui?es financeiras. “Est? entrando mais ?gua limpa agora, mais clientes adimplentes, ent?o h? uma esp?cie de saneamento do cr?dito acontecendo”, comenta o presidente da Federa??o Nacional das Associa?es dos Revendedores de Ve?culos Automotores (Fenauto), Il?dio dos Santos.O n?mero de abril ?, em partes, fruto da m?o pesada da Caixa. No m?s, o Sal?o Auto Caixa em todo o Brasil negociou R$ 228 milh?es em cr?dito automotivo – valor 40% maior que a m?dia di?ria de contrata??o de 2013. Mas n?o ? s? isso. Os bancos, que vinham temerosos pela alta inadimpl?ncia desse tipo de financiamento, j? podem contar com um indicador ainda mais positivo. O ?ndice de pagamentos atrasados recuou em 0,1 ponto porcentual, chegando a 4,9%. A discreta evolu??o tem um importante significado para a ind?stria: ? o menor n?vel desde agosto de 2011. H? um ano, essa parcela era de 6,2%, ainda grande. Chegar aos 4,9% pode significar um respiro para as institui?es financeiras. “Est? entrando mais ?gua limpa agora, mais clientes adimplentes, ent?o h? uma esp?cie de saneamento do cr?dito acontecendo”, comenta o presidente da Federa??o Nacional das Associa?es dos Revendedores de Ve?culos Automotores (Fenauto), Il?dio dos Santos. O executivo e lojista sinaliza que a seletividade dos bancos anda impedindo que algumas opera?es aconte?am. “Basta consultar o n?vel de endividamento da pessoa pelo CPF [Cadastro de Pessoa F?sica]”, explica. “Se percebem que h? muitos parcelamentos e valores em aberto com aquele cliente, negam. Est?o preferindo o cr?dito mais seguro.” Isso sem contar o mau preenchimento das fichas. “Frequentemente saem da lojas fichas mal preenchidas, sem comprova??o de renda, por exemplo. Naturalmente, agora o banco vai negar”, diz Santos. Alta inadimpl?ncia fez bancos recuarem e consumidor continua endividado Em 2012, a inadimpl?ncia chegou a 7% do total de financiamentos concedidos ? compra de ve?culos. Calejados pelo aumento do ano passado e com avers?o aos riscos da concess?o de financiamentos, as institui?es financeiras t?m buscado terreno seguro para este ano entrecortado pela Copa do Mundo e pelas Elei?es. Temem perder dinheiro. “Os bancos tomaram um preju?zo cavalar”, conta Nicolas Tingas, economista chefe da Associa??o Nacional das Institui?es de Cr?dito, Financiamento e Investimento (Acrefi). “Entre 2012 e 2013 foi necess?rio rever o conceito de exposi??o ao risco.” Foi neste momento que acabou a mamata dos “60 meses sem entrada”. A entrada de 30% passou a ser necess?ria e o parcelamento j? n?o passa dos quatro anos. “O cliente n?o conseguiu dar conta das presta?es todas que assumiu, ent?o veio a inadimpl?ncia”, diz. Desde o final do ano passado, o volume concedido para a compra de ve?culos vem caindo. Dos R$ 9,4 bilh?es liberados em dezembro, somente R$ 7,5 bilh?es foram liberados em abril, segundo o Banco Central. No mercado de seminovos, de cada dez solicita?es enviadas, apenas tr?s s?o aprovadas. Tingas explica que n?o se tratou de um aumento das exig?ncias dos bancos, mas da piora nas contas do consumidor. “A capacidade de pagamento piorou. Cresceu o n?mero de solicitantes sem condi??o de pagar”, explica. Faz sentido. A Pesquisa de Endividamento e Inadimpl?ncia do Consumidor (Peic), divulgada pela Confedera??o Nacional do Com?rcio de Bens, Servi?os e Turismo (CNC), nesta ter?a-feira, aponta um crescimento no n?mero de fam?lias endividadas no m?s de maio – a parcela chega a 62,7% dos brasileiros. Estes est?o enrolados com o cheque pr?-datado, o cart?o de cr?dito, cheque especial, carn?s, empr?stimos, entre outros. “Estamos vendo um fen?meno de consumidores endividados, com a renda mais comprometida que o adequado e sem a percep??o clara dessa situa??o”, pontua Tingas, que n?o v? excesso de zelo das institui?es financeiras. “Os bancos n?o t?m mais capacidade de arcar com preju?zos de inadimpl?ncia.” Essa tamb?m ? a opini?o de D?cio Carbonari, que preside a Associa??o Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). O executivo acredita, ainda, que o brasileiro entendeu os efeitos do endividamento excessivo. “O cliente est? se arriscando menos.” A mudan?a de comportamento estaria come?ando a dar seus primeiros resultados nos n?meros de abril do Banco Central. Montadoras, concession?rios e revendas de seminovos lamentam A falta de disponibilidade de cr?dito tem sido mencionada pelas montadoras como um importante entrave ? recupera??o das vendas de ve?culos. As empresas t?m uma certa raz?o. Com cerca de 80% das suas vendas negociadas com utiliza??o de cr?dito, os financiamentos acabam sendo fundamentais para a opera??o normal deste mercado. Fl?vio Meneghetti, presidente da Federa??o Nacional dos Distribuidores de Ve?culos Automotores (Fenabrave), ? um dos que se preocupa com essa cautela dos bancos. “Levantaram a barra de exig?ncia, ? natural”, comenta. No entanto, ele ressalta que a dificuldade para retomar o bem diante da inadimpl?ncia ? uma das principais reclama?es do setor financeiro. S?o, em m?dia, 200 dias para conseguir tomar de volta metade dos ve?culos inadimplentes – a outra metade se quer ? encontrada. “A pr?pria legisla??o dificulta que os bancos reduzam seu risco e facilitem o cr?dito”, lamenta. “Uma gest?o moderna n?o pode dificultar a tomada de um bem dado em garantia.” "Projeto do fundo de investimentos provavelmente n?o sai", diz Carbonari De olho em um poss?vel aumento de vendas de carros, governo e bancos estariam negociando a forma??o de um Fundo de Investimento em Direitos Credit?rios (FIDC) que limitaria a perda dos bancos. O projeto, ainda n?o confirmado pelo Minist?rio da Fazenda, limitaria as perdas dos bancos a 10% do teto de sua participa??o no fundo. O movimento ? similar ao que aconteceu em 2008, durante a crise financeira, em que o governo liberou os dep?sitos compuls?rios dos bancos para aquisi??o das carteiras de cr?dito de bancos menores. “Imagine esse p?blico que financia o carro em quatro anos, paga tr?s parcelas e fica inadimplente. N?o ter? como sustentar perdas desse tipo”, comenta Carbonari. "Esse projeto do fundo de investimentos provavelmente n?o sai." O executivo e lojista sinaliza que a seletividade dos bancos anda impedindo que algumas opera?es aconte?am. “Basta consultar o n?vel de endividamento da pessoa pelo CPF [Cadastro de Pessoa F?sica]”, explica. “Se percebem que h? muitos parcelamentos e valores em aberto com aquele cliente, negam. Est?o preferindo o cr?dito mais seguro.” Isso sem contar o mau preenchimento das fichas. “Frequentemente saem da lojas fichas mal preenchidas, sem comprova??o de renda, por exemplo. Naturalmente, agora o banco vai negar”, diz Santos. Alta inadimpl?ncia fez bancos recuarem e consumidor continua endividado Em 2012, a inadimpl?ncia chegou a 7% do total de financiamentos concedidos ? compra de ve?culos. Calejados pelo aumento do ano passado e com avers?o aos riscos da concess?o de financiamentos, as institui?es financeiras t?m buscado terreno seguro para este ano entrecortado pela Copa do Mundo e pelas Elei?es. Temem perder dinheiro. “Os bancos tomaram um preju?zo cavalar”, conta Nicolas Tingas, economista chefe da Associa??o Nacional das Institui?es de Cr?dito, Financiamento e Investimento (Acrefi). “Entre 2012 e 2013 foi necess?rio rever o conceito de exposi??o ao risco.” Foi neste momento que acabou a mamata dos “60 meses sem entrada”. A entrada de 30% passou a ser necess?ria e o parcelamento j? n?o passa dos quatro anos. “O cliente n?o conseguiu dar conta das presta?es todas que assumiu, ent?o veio a inadimpl?ncia”, diz. Desde o final do ano passado, o volume concedido para a compra de ve?culos vem caindo. Dos R$ 9,4 bilh?es liberados em dezembro, somente R$ 7,5 bilh?es foram liberados em abril, segundo o Banco Central. No mercado de seminovos, de cada dez solicita?es enviadas, apenas tr?s s?o aprovadas. Tingas explica que n?o se tratou de um aumento das exig?ncias dos bancos, mas da piora nas contas do consumidor. “A capacidade de pagamento piorou. Cresceu o n?mero de solicitantes sem condi??o de pagar”, explica. Faz sentido. A Pesquisa de Endividamento e Inadimpl?ncia do Consumidor (Peic), divulgada pela Confedera??o Nacional do Com?rcio de Bens, Servi?os e Turismo (CNC), nesta ter?a-feira, aponta um crescimento no n?mero de fam?lias endividadas no m?s de maio – a parcela chega a 62,7% dos brasileiros. Estes est?o enrolados com o cheque pr?-datado, o cart?o de cr?dito, cheque especial, carn?s, empr?stimos, entre outros. “Estamos vendo um fen?meno de consumidores endividados, com a renda mais comprometida que o adequado e sem a percep??o clara dessa situa??o”, pontua Tingas, que n?o v? excesso de zelo das institui?es financeiras. “Os bancos n?o t?m mais capacidade de arcar com preju?zos de inadimpl?ncia.” Essa tamb?m ? a opini?o de D?cio Carbonari, que preside a Associa??o Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). O executivo acredita, ainda, que o brasileiro entendeu os efeitos do endividamento excessivo. “O cliente est? se arriscando menos.” A mudan?a de comportamento estaria come?ando a dar seus primeiros resultados nos n?meros de abril do Banco Central. A falta de disponibilidade de cr?dito tem sido mencionada pelas montadoras como um importante entrave ? recupera??o das vendas de ve?culos. As empresas t?m uma certa raz?o. Com cerca de 80% das suas vendas negociadas com utiliza??o de cr?dito, os financiamentos acabam sendo fundamentais para a opera??o normal deste mercado. Fl?vio Meneghetti, presidente da Federa??o Nacional dos Distribuidores de Ve?culos Automotores (Fenabrave), ? um dos que se preocupa com essa cautela dos bancos. “Levantaram a barra de exig?ncia, ? natural”, comenta. No entanto, ele ressalta que a dificuldade para retomar o bem diante da inadimpl?ncia ? uma das principais reclama?es do setor financeiro. S?o, em m?dia, 200 dias para conseguir tomar de volta metade dos ve?culos inadimplentes – a outra metade se quer ? encontrada. “A pr?pria legisla??o dificulta que os bancos reduzam seu risco e facilitem o cr?dito”, lamenta. “Uma gest?o moderna n?o pode dificultar a tomada de um bem dado em garantia.” "Projeto do fundo de investimentos provavelmente n?o sai", diz Carbonari De olho em um poss?vel aumento de vendas de carros, governo e bancos estariam negociando a forma??o de um Fundo de Investimento em Direitos Credit?rios (FIDC) que limitaria a perda dos bancos. O projeto, ainda n?o confirmado pelo Minist?rio da Fazenda, limitaria as perdas dos bancos a 10% do teto de sua participa??o no fundo. O movimento ? similar ao que aconteceu em 2008, durante a crise financeira, em que o governo liberou os dep?sitos compuls?rios dos bancos para aquisi??o das carteiras de cr?dito de bancos menores. “Imagine esse p?blico que financia o carro em quatro anos, paga tr?s parcelas e fica inadimplente. N?o ter? como sustentar perdas desse tipo”, comenta Carbonari. "Esse projeto do fundo de investimentos provavelmente n?o sai." Leia tudo sobre: carros • financiamento • cr?dita concession?ria ou revenda de seminovos recentemente e saiu de l? frustrado, sem conseguir um financiamento para o seu carro novo, saiba que voc? n?o est? sozinho. Essa realidade tem sido frequente nos distribuidores de ve?culos nacionais. No entanto, surgem em maio os primeiros sinais de que este cen?rio pode melhorar em breve. O primeiro indicativo vem do Banco Central (BC). O volume total de cr?dito para autom?veis concedido em abril ? maior que em mar?o. Depois de tr?s meses consecutivos de queda no total ofertado pelas institui?es financeiras, em abril o BC apurou R$ 7,6 bilh?es concedidos ? compra de ve?culos – R$ 1 bilh?o a mais que em mar?o.

? Siga-nos no Twitter

Tags:

Fonte: Vooz  |  Publicado por:
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas