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Crescimento do Brasil em 2014 só será maior que o de Argentina e Rússia, diz Banco Mundial

Publicada em 11 de Junho de 2014 às 07h41


O Banco Mundial se juntou nesta ter?a-feira ao grupo de institui?es pessimistas com o ritmo da economia brasileira em 2014. No relat?rio “Perspectivas Econ?micas Globais” de junho, o organismo multilateral projeta crescimento de 1,5% para o Brasil este ano, praticamente um ponto percentual abaixo dos 2,4% estimados em janeiro. O desempenho brasileiro s? n?o ser? pior — entre as principais na?es emergentes e em desenvolvimento — do que o da Argentina, que ficar? estagnada, o da R?ssia, com alta de 0,5%, e o do Ir?, que ter? expans?o tamb?m de 1,5%. Entre 2014 e 2016, o Brasil crescer? abaixo da m?dia dos emergentes e da economia global, devido, entre outros, aos gargalos de infraestrutura e a aus?ncia de reformas estruturais. “Os benef?cios de uma economia global mais forte ser?o negativamente compensados por uma demanda dom?stica mais fraca, fruto da baixa confian?a empresarial e do aperto no cr?dito”, diz o Banco Mundial. “No longo prazo, entraves estruturais ao crescimento, como infraestrutura deficiente, pesadas cargas tribut?ria e trabalhista e m?o de obra pouco qualificada, ter?o que ser enfrentados para que o Brasil possa sustentar um ritmo elevado de expans?o”. saiba mais Governo engaveta projeto de cr?dito para setor automotivo ? canalhice afirmar que falta confian?a no Brasil, diz Lula Pessimismo do brasileiro vai ajudar no combate ? infla??o, diz Banco Central N?o estamos chamando capital especulativo, diz Guido Mantega F?rias coletivas chegam ?s f?bricas de eletrodom?sticos e eletr?nicos Leia mais sobre Economia brasileira O organismo multilateral, por?m, continua mais otimista do que os analistas do mercado consultados semanalmente pelo Banco Central, que preveem alta m?dia de 1,44% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil este ano. Para 2015, o organismo est? ainda mais distante do consenso. O Banco Mundial projeta crescimento de 2,7%, inalterado sobre janeiro, enquanto os economistas, em m?dia, esperam 1,8%. Em 2016, a institui??o estimou a expans?o em 3,1%. No in?cio do ano, previa alta de 3,7%. Segundo o Banco Mundial, a confian?a empresarial est? abalada no Brasil, “devido a um ambiente econ?mico desafiador”, provocando desacelera??o dos investimentos e perda de competitividade. Isso limita a capacidade de produzir e exportar, al?m de alimentar a infla??o. O Brasil, diz a equipe do organismo, est? entre as na?es que desperdi?aram a oportunidade de fazer reformas que impulsionassem o crescimento na sa?da da grande crise financeira de 2008. “Muitos pa?ses em desenvolvimento privilegiaram o est?mulo ? demanda em vez das reformas estruturais no p?s-crise. As reformas ficaram emperradas mesmo diante de gargalos estruturais em energia e infraestrutura (Brasil, ?ndia, ?frica do Sul), no mercado de trabalho (?ndia, ?frica do Sul) e no clima empresarial (Brasil, R?ssia, ?ndia, ?frica do Sul) tenham limitado o PIB e a produtividade. Parcialmente como resultado, o crescimento desapontou. ? preciso reaminar a agenda de reformas estruturais para se sustentar um r?pido aumento da renda”, escreveu a equipe do Banco Mundial. A infla??o preocupa os economistas da institui??o, para os quais o Brasil manteve por muito tempo um ambiente favor?vel ? escalada dos pre?os, com as pol?ticas expansionistas e o crescimento muito acelerado do cr?dito. Para combater a alta dos pre?os, o BC tem elevado juros desde abril de 2013, impondo freio ao consumo e desestimulando ainda mais o setor produtivo. “O aperto monet?rio no Brasil (...) contribuiu para a desacelera??o corrente e o esfriamento dos padr?es de com?rcio regionais”, disse a institui??o. A equipe do organismo tamb?m chama aten??o para os riscos associados ao aperto monet?rio nos pa?ses ricos, j? em curso nos EUA. Grande receptor de capitais, o Brasil pode enfrentar efeitos colaterais da sa?da em massa de d?lares, por exemplo na conta corrente, cujo d?ficit, lembra o Banco, continua elevado. Al?m disso, as condi?es podem mudar para a concess?o de cr?dito ?s empresas e ?s fam?lias brasileiras, com impacto para o financiamento da produ??o e a rolagem da d?vidas das pessoas f?sicas, o que pode animar calotes. J? para a economia mundial, fortalecida pela recupera??o dos pa?ses ricos, os economistas da entidade estimam crescimento de 2,8% este ano, 3,4% em 2015 e 3,5% em 2016. Os Estados Unidos, prejudicados pelo inverno rigoroso no primeiro trimestre, teve a proje??o cortada de 2,9% para 2,1% em 2014, acelerando para 3% no pr?ximo bi?nio. A zona do euro enterrou a recess?o e dever? se expandir 1,1% este ano, 1,8% em 2015 e 1,9% em 2016. Com o crescimento de China e ?ndia um pouco menor do que no passado recente, embora ainda em patamar elevado, a crise no Leste Europeu e revis?es nos PIBs de outros gigantes, como M?xico e asi?ticos, os pa?ses emergentes e em desenvolvimento ter?o expans?o m?dia no tri?nio pouco acima de 5%. O PIB conjunto dever? subir 4,8% este ano (abaixo dos 5% pelo terceiro ano consecutivo), acelerando para 5,4% em 2015 e 5,5% em 2016. Espera-se que a economia chinesa, que passa por reequil?brio entre investimento e consumo, aperto das condi?es de cr?dito e desacelera??o do setor imobili?rio, cres?a 7,6% este ano, 7,5% no pr?ximo e 7,4% em 2016. J? a indiana, que passa por reformas para aumentar investimentos, vai acelerar, segundo as proje?es: 5,5%, 6,3% e 6,6%, respectivamente. Para o Banco Mundial, as na?es emergentes precisam aproveitar a janela de oportunidade para consertar problemas macroecon?micos, fazer reformas de fundo, investir no aumento da capacidade produtiva e melhorar a infraestrutura. M?XICO PUXAR? AM?RICA LATINA A retomada dos pa?ses ricos dever? injetar US$ 6,3 trilh?es na economia mundial, em demanda por produtos e servi?os at? 2016. O volume do com?rcio global, que teve alta de apenas 2,6% no ano passado, dever? se expandir 4,2% este ano e 5,6% no pr?ximo. Pa?ses altamente industrializados como o Brasil est?o entre os com maiores chances de se beneficiarem, segundo o Banco. — O maior desafio para os pa?ses em desenvolvimento ser? sustentar um crescimento robusto no m?dio prazo. Ap?s os est?mulos do p?s-crise e anos de crescimento substancial, muitas economias em desenvolvimento est?o enfrentando estrangulamento da capacidade (produtiva). Com a recupera??o dos pa?ses ricos em curso, em meio a condi?es financeiras ainda benignas, h? agora uma janela de oportunidade para implementar reformas estruturais que assegurem uma expans?o forte e sustentada, capaz de reduzir a pobreza — afirmou Kaushik Basu, economista-chefe do Banco Mundial. Am?rica Latina e Oriente M?dio/Norte da ?frica ser?o as regi?es de crescimento menos din?mico no tri?nio 2014-2016, segundo o Banco Mundial. Entre as tr?s maiores economias latinas, a Argentina ser? o destaque negativo. Ap?s a estagna??o deste ano, dever? crescer 1,5% em 2015 e 2,8% em 2016. O M?xico puxar? a regi?o, mesmo tendo o seu ritmo sido revisto para baixo. O Banco Mundial cortou a proje??o de crescimento mexicano de 3,4% para 2,3% este ano, de 3,8% para 3,5% em 2015 e de 4,2% para 4% em 2016. CRISE NA UCR?NIA AFETA R?SSIA O organismo multilateral recomenda ? Am?rica Latina foco na produtividade: “Mesmo se as pol?ticas corretas forem implementadas agora, o aumento da produtividade levar? tempo at? se materializar. Por?m, este ? um caminho necess?rio se a regi?o quiser evitar que o crescimento med?ocre vire o novo normal e se quiser manter o impressionante progresso social da ?ltima d?cada”. A convuls?o social na Ucr?nia e a crise da anexa??o da Crimeia pelos russos ter?o graves consequ?ncias para a economia ucraniana em 2014. O Banco Mundial estima que as perdas geradas pelos conflitos resultar?o em uma severa recess?o econ?mica, com retra??o de 5% do PIB este ano. Sem novas surpresas, haver? recupera??o em 2015 (2,5%) e 2016 (4%). A R?ssia, apesar do apetite na geopol?tica, continua patinando em termos de expans?o econ?mica. O crescimento em 2014 n?o vai passar de 0,5%, recuperando-se para 1,5% no ano que vem e subindo a 2,2% em 2016. Dentro do Brics — grupo que re?ne Brasil, R?ssia, ?ndia, China e ?frica do Sul —, a economia russa ter? a pior performance no tri?nio, pelas proje?es do Banco. O Brasil vem em seguida, seguido de perto pela ?frica do Sul, cujo PIB dever? ter alta de 2% este ano, de 3% em 2015 e de 3,5% em 2016.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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