Publicada em 13 de Maio de 2014 às 08h48
Fábrica da GM em Rosario, na Argentina. Freio na economia e restrições cambiais afetam a indústria Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/crise-
Imagem: O GloboClique para ampliarF?brica da GM em Rosario, na Argentina. Freio na economia e restri?es cambiais afetam a ind?stria Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/crise-nas-montNos primeiros dias de maio, a f?brica da Peugeot-Citro?n, na prov?ncia argentina de C?rdoba, comunicou o afastamento tempor?rio, mas por tempo indeterminado, de mil trabalhadores. Dias antes, outros 1.100 tiveram seus contratos de trabalho suspensos pelas empresas automobil?sticas Iveco e Renault, tamb?m em C?rdoba.
Depois, vieram medidas similares na Fiat e na Volkswagen. Trabalhadores do setor est?o em estado de alerta e afirmam que a crise em que est?o mergulhadas as montadoras na Argentina se deve a uma somat?ria de motivos, entre eles, a dr?stica queda das exporta?es de autom?veis para o mercado brasileiro. saiba mais Governo prepara pacote para ajudar montadoras, diz jornal Leia mais sobre Montadoras
Dos dois lados da fronteira, o setor ? o mais castigado pela expressiva deteriora??o do com?rcio entre os principais s?cios do Mercosul. No Brasil, as montadoras tamb?m se queixam do freio na economia dom?stica e das quedas nas exporta?es para a Argentina, que levaram as empresas a afastarem centenas de trabalhadores.
Em abril deste ano, o com?rcio bilateral entre Brasil e Argentina recuou 24%, em rela??o ao mesmo per?odo do ano passado. E o setor mais afetado ? justamente a ind?stria automobil?stica.
— Estamos profundamente preocupados, a crise de nosso setor tamb?m se deve ? queda das vendas no mercado interno. Mas a retra??o das exporta?es para o Brasil ? uma p?ssima not?cia para n?s — disse Fabian Basile, trabalhador da f?brica da Volkswagen, em C?rdoba.
No primeiro bimestre de 2014, as importa?es brasileiras de autom?veis da Argentina ca?ram 14,3% em rela??o ao mesmo per?odo do ano passado, ao contr?rio das aquisi?es de carros de outros mercados, tend?ncia que levou o ministro da Economia, Axel Kicillof, a queixar-se com o ministro do Desenvolvimento, Ind?stria e Com?rcio Exterior, Mauro Borges, em recente encontro, em Buenos Aires.
Entre janeiro e fevereiro, as importa?es de autom?veis da China e da Alemanha, por exemplo, aumentaram quase 190% e as provenientes do M?xico, 35,25%. O Brasil tamb?m tem motivos para chiar: nos primeiros tr?s meses deste ano, as exporta?es de carros para o mercado argentino despencaram 32%.
— Tamb?m est?o sendo muito prejudicadas as fabricantes de autope?as — contou Basile, que ? delegado do Smata, o sindicato dos trabalhadores do setor.
Setor representa 49% do com?rcio entre os dois pa?ses
De acordo com a empresa de consultoria Abeceb, comandada pelo ex-secret?rio da Ind?stria argentino Dante Sica, entre janeiro e mar?o a Argentina registrou uma queda 17% em seu com?rcio com o Brasil, mas, mesmo assim, obteve um super?vit bilateral de US$ 35 milh?es. Nesse per?odo, as importa?es de produtos brasileiros recuaram 13%, frente ao mesmo per?odo do ano passado.
— O setor mais castigado por este mau momento do com?rcio bilateral ? o automotivo — confirmou Sica.
Segundo ele, “as barreiras ?s importa?es e a demora na discuss?o sobre um novo regime automotivo” contribu?ram para levar as montadoras a uma situa??o cr?tica.
— A desacelera??o das duas economias tamb?m ? importante, mas n?o tanto como as medidas protecionistas e as restri?es no mercado cambial argentino — afirmou o diretor da Abeceb.
O setor automobil?stico representa 49% do com?rcio bilateral entre Brasil e Argentina. E as dificuldades enfrentadas pelas ind?strias automobil?sticas impedem que os dois pa?ses entrem, finalmente, em um regime de livre com?rcio de autom?veis. O acordo automotivo em vigor terminar? no pr?ximo dia 30 de junho, mas as empresas n?o est?o preparadas. Por isso, o ministro brasileiro Mauro Borges afirma que as regras atuais devem ser mantidas por pelo menos mais um ano.
Na quarta-feira, haver? um encontro entre representantes do setor dos dois pa?ses para fecharem uma proposta. Segundo uma fonte, a ideia ? que seja fechado um acordo de transi??o para o livre com?rcio, com a volta do sistema flex, ou seja, para cada determinada quantia de carros importados com tarifa zero, um volume de ve?culos deve ser exportado.
— A proposta brasileira ? de prorroga??o do acordo por um ano — disse Borges.
O presidente da Associa??o Nacional dos Fabricantes de Ve?culos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse estar otimista sobre a reuni?o. Segundo ele, o setor trabalha, junto com os governos do Brasil e da Argentina, pela integra??o da produ??o e dos mercados:
— Entre Brasil e Argentina n?o pode haver simplesmente um acordo de com?rcio, mas de integra??o da produ??o e dos mercados.
Acordo automotivo expira no dia 30
Nesta ter?a-feira, no Rio, o presidente da Associa??o de Com?rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos? Augusto de Castro, defendeu a liberaliza??o do com?rcio de autom?veis entre Brasil e Argentina, lembrando que o acordo automotivo expira no dia 30 de junho.
— No caso de autom?veis ? um mercado em que n?s n?o temos alternativa, ? Argentina ou Argentina. Al?m de autom?veis, tem autope?as, uma cadeia produtiva grande na qual n?o somos competitivos em outros mercados — disse Castro, que participou do XXVI F?rum Nacional.
Nas primeiras semanas deste m?s, o saldo da balan?a comercial brasileira est? positivo em US$ 226 milh?es, informou hoje o governo. Em abril, o saldo foi positivo em US$ 506 milh?es.