Publicada em 17 de Julho de 2014 às 09h18
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, participa da Cúpula do Brics, em Brasília
A presidente da Argentina Cristina Kirchner afirmou nesta quarta-feira (16), em Bras?lia, que o pa?s vizinho ? alvo de “pilhagem internacional financeira” em rela??o ao pagamento de sua d?vida p?blica. O governo argentino tem at? 30 de julho para fechar um acordo com os credores que n?o aceitaram os termos das negocia?es da d?vida argentina, em uma disputa que deixa a terceira maior economia da Am?rica Latina ? beira do segundo calote em 12 anos.
Imagem: Evaristo S? / AFPA presidente da Argentina, Cristina Kirchner, participa da C?pula do Brics, em Bras?lia?
“Acreditamos que se deve terminar com este tipo de pilhagem internacional em mat?ria financeira como hoje pretendem fazer contra a Argentina e como v?o pretender fazer, seguramente, contra outros pa?ses do planeta”, disse a presidente a jovens que a aguardavam na porta de um hotel da capital federal.
Cristina est? em Bras?lia para participar da VI C?pula do Brics (grupo formado por Brasil, R?ssia, ?ndia, China e ?frica do Sul), no Pal?cio do Itamaraty, sede do Minist?rio das Rela?es Exteriores. Para a sess?o desta quarta, foram convidados 11 presidentes de pa?ses sul-americanos.
A chefe de Estado argentina afirmou que ? preciso criticar o espa?o de participa??o restrita dos pa?ses em desenvolvimento nos organismos internacionais. Os pa?ses latino-americanos e os integrantes do Brics criticam a aus?ncia de na?es emergentes nas esferas de decis?o do Fundo Monet?rio Internacional (FMI) e do Conselho de Seguran?a das Na?es Unidas.
“Hoje, vamos dar um passo muito importante. Ontem, demos um passo importante aqui no Brasil. Os pa?ses da Unasur tamb?m deram um passo importante quando constitu?mos o Banco do Sul. E v?o surgindo cada vez mais institui?es que questionam precisamente o funcionamento de organismos multilaterais que, no lugar de dar solu?es, n?o fazem mais do que complicar a vida dos povos”, disse, fazendo refer?ncia ao an?ncio de ontem sobre a cria??o do banco dos Brics, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que vai financiar projetos de infraestrutura em pa?ses emergentes.
A presidente do vizinho sul-americano aproveitou a presen?a de militantes da ala jovem do PC do B para falar sobre juventude e esperan?as. “Por isso ? muito importante, sobretudo a voc?s que s?o jovens e que s?o o presente e futuro, que n?o se permita que se hipotequem as esperan?as, e os sonhos de um Brasil melhor, de uma Am?rica do Sul melhor e de um mundo melhor.”
D?vida argentina
A Argentina foi empurrada para a beira de um novo calote por uma s?rie de decis?es de tribunais dos Estados Unidos, que for?aram o pa?s a negociar com investidores que n?o aceitaram participar da reestrutura??o da d?vida ap?s a crise de 2002.
Ap?s se recusar a saldar a d?vida p?blica de US$ 100 bilh?es, em 2001, o governo argentino negociou o pagamento com desconto e dividido em parcelas. Mais de 92% dos credores do pa?s aceitaram receber menos de 30 centavos para cada d?lar nas negocia?es realizadas em 2005 e 2010. Os demais credores recusaram os termos da renegocia??o e reivindicam o recebimento de 100% do principal da d?vida.
Enquanto briga na Justi?a americana contra fundos que querem receber os valores integrais, a Argentina tem pagado as parcelas aos credores que aceitaram a renegocia??o.
Justi?a dos EUA
Em discurso na c?pula do Brics, reuni?o na qual a Argentina participa como convidada, Cristina Kirchner voltou a criticar a forma como a Justi?a norte-americana vem cobrando a d?vida do pa?s da Am?rica do Sul com credores que n?o aceitaram negociar o saldo. Ela afirmou que a Argentina est? sofrendo “um fort?ssimo ataque especulativo pelos fundos abutres” e garantiu que que vai honrar suas d?vidas com “100% dos credores”.
“A Argentina est? convencida de que vai honrar suas d?vidas com 100% dos credores, mas de forma justa, equitativa e legal, e conforme as condi?es que estabelecem os prospectos de d?vida da na??o Argentina”, declarou Cristina, destacando que seu pa?s n?o vai entrar em “default”, termo tamb?m usado para designar calote da d?vida.
Ainda em discurso na reuni?o do Brics, Cristina Kirchner disse que a decis?o do bloco de criar um banco para financiar projetos de infraestrutura em pa?ses emergentes poder? “colocar ordem” ao sistema de regula??o e fomento financeiro internacional.
“Saudamos essa decis?o do Brics de constituir um banco de fomento, de desenvolvimento, que tamb?m poder?, por que n?o, colocar ordem em uma finan?a internacional deficiente. Muitas vezes, falamos da imprescind?vel reforma nos mecanismos multilaterais de cr?dito e pol?ticos. Esse ? um sinal muito positivo”, disse a presidente argentina diante da presidente Dilma Rousseff e de outros chefes de Estado.
Segundo Cristina, a cria??o do banco no ?mbito do Brics “? uma alternativa frente ? falta de repostas” dos organismos financeiros internacionais, como o Fundo Monet?rio Internacional (FMI), ? demanda de pa?ses emergentes por maior status e participa??o.
Presidente da Col?mbia critica tratamento dado ? Argentina
Para o presidente da Col?mbia, Juan Manuel Santos, a forma como a Argentina est? sendo tratada em rela??o ao pagamento de sua d?vida p?blica ? uma situa??o "irracional e ins?lita".?"Todos os pa?ses expressaram seu apoio ? Argentina e ? uma solu??o pr?tica com esse problema com esse juiz em Nova York", acrescentou ele.
Manuel Santos observou que, no encontro desta quarta, estava representada metade da popula??o mundial e 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Para ele, a reuni?o foi importante para que o crescimento e o desenvolvimento sejam efetivos na luta contra a pobreza e, ao mesmo tempo, seja "mais amig?vel" com o meio ambiente, ou seja, sustent?vel.
"? um tema fundamental para a Col?mbia. Estamos buscando a paz com prosperidade social, que precisa estar acompanhada de mais inclus?o", declarou.?Segundo Manuel Santos, tamb?m houve uma reuni?o bilateral da Col?mbia com o presidente da R?ssia, Vladimir Putin. Segundo ele, o presidente russo "expressou total disponibilidade" para ajudar no combate ?s guerrilhas na Col?mbia, quer seja por meios pol?ticos ou at? mesmo por interven?es diretas.
"Isso representa algo muito importante pelo simbolismo. Que a R?ssia esteja apoiando. Muitos dos comandantes guerrilheiros foram educados na antiga Uni?o Sovi?tica. Estamos todos interessados que esse conflito termine o quanto antes", concluiu.