Piaui em Pauta

Cunha diz a aliados ser beneficiário, mas não titular de contas na Suíça.

Publicada em 05 de Novembro de 2015 às 22h36


?Deputados aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) relataram nesta quinta-feira (5) ao G1, sob condi??o de anonimato, que o presidente da C?mara admitiu ser benefici?rio de contas banc?rias na Su??a, mas destacou que n?o ? o “titular”.

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Segundo esses relatos, Cunha descreveu qual ser? a linha de defesa que apresentar? no processo por quebra de decoro parlamentar ao qual responde no Conselho de ?tica.
Ele ? acusado em representa??o dos partidos PSOL e Rede de ter mentido em depoimento ? CPI da Petrobras. ? comiss?o, ele afirmou n?o ter contas no exterior. Documentos enviados ? Procuradoria Geral da Rep?blica pelo Minist?rio P?blico da Su??a dizem que ele ? o controlador de contas naquele pa?s. Em raz?o das supostas contas em bancos su??os, o deputado tamb?m responde a inqu?rito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

A informa??o sobre a argumenta??o apresentada por Cunha a colegas foi divulgada na edi??o desta quinta do jornal “Folha de S.Paulo”.

Conforme os relatos ao G1, o argumento central que o presidente da C?mara vai utilizar em sua defesa no Conselho de ?tica ? que, embora benefici?rio das contas, n?o mentiu ? CPI por n?o ser o controlador direto nem titular dessas contas.

Em entrevista pela manh?, o presidente da C?mara negou ter antecipado a aliados a defesa que far? ao Conselho de ?tica.
“Isso ? igual ao parecer do impeachment da semana passada que ningu?m viu at? hoje. Ent?o, ? exatamente a mesma situa??o. Ent?o, n?o tem o que comentar porque n?o existe para mim essa... isso que t? colocado”, afirmou.

De acordo com os deputados ouvidos pelo G1 que conversaram com Cunha, o presidente da C?mara quis antecipar a eles os argumentos de defesa para que possa ser respaldado quando as informa?es forem divulgadas oficialmente.

"O processo ? pol?tico, ent?o ele tem que sustentar um discurso pol?tico, para que a gente possa defend?-lo e ter o que dizer nas nossas bases", disse um desses parlamentares.

Outra estrat?gia do peemedebista seria ganhar tempo e postergar ao m?ximo o processo no Conselho de ?tica, cujo relator foi anunciado nesta quinta – o deputado Fausto Pinato (PRB-SP). A inten??o ? postegar a vota??o do relat?rio para depois de fevereiro, na esperan?a de que as den?ncias percam for?a e espa?o no notici?rio.
'Caixeiro-viajante'
Segundo os parlamentares ouvidos pelo G1, o peemedebista confirmou que abriu contas no exterior antes de assumir cargos pol?ticos, na d?cada de 1980, quando atuava como uma esp?cie de “caxeiro viajante”, negociando mercadorias fora do Brasil.

Posteriormente, ainda segundo a vers?o relatada ao G1 por deputados, as contas na Su??a passaram a ser controladas por trustes, entidades legais que administram propriedades e bens em nome de um ou mais benefici?rios.

O grau de independ?ncia dos trustes varia conforme o caso, podendo haver maior ou menor grau de autonomia e possibilidade ou n?o de o propriet?rio dos bens revogar essa outorga.

De acordo com um dos parlamentares, na conversa que teve com Cunha chegou a ser citado um exemplo para que os aliados do presidente da C?mara usem em suas bases eleitorais: "Se o seu pai faz um seguro sa?de e voc? ? o benefici?rio, voc? n?o ? titular nem respons?vel por esse seguro", relatou o deputado.
Aos deputados aliados, o presidente da C?mara admitiu ainda a exist?ncia de uma conta controlada por sua atual mulher, Cl?udia Cordeiro Cruz. Segundo um desses parlamentares, a conta ligada ? esposa n?o foi declarada ? Receita Federal e ao Banco Central, porque a lei “n?o exige”, j? que teria menos de US$ 100 mil depositados.
No entanto, de acordo com a Receita Federal, qualquer conta mantida no exterior deve constar da declara??o de Imposto de Renda. Com rela??o ? comunica??o ao Banco Central, a legisla??o diz que contas que, no dia 31 de dezembro, ultrapassem US$ 100 mil devem ser declaradas anualmente por meio da Declara??o de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE).

Dinheiro 'l?cito'
O presidente da C?mara refor?ou aos aliados que os recursos movimentados nas contas de que ? benefici?rio s?o “l?citos” e resultado de neg?cios que manteve no exterior na d?cada de 1980.
Ele admitiu, por?m, a exist?ncia de um dep?sito de US$ 1 milh?o feito por determina??o de Felipe Diniz, filho do deputado Fernando Diniz, ex-l?der do PMDB na C?mara, morto em 2009.

Esse dep?sito, em uma das contas na Su??a, foi apontado em depoimento ao Minist?rio P?blico Federal por Jo?o Augusto Henriques, lobista supostamente ligado ao PMDB.
Investigado na Opera??o Lava Jato, Jo?o Augusto Henriques disse que o dinheiro seria de um contrato da Petrobras para a explora??o de petr?leo em Benin, na ?frica.

A deputados, Cunha disse que s? soube do dep?sito de US$ 1 milh?o muito depois de o dinheiro ter sido depositado. De acordo com o relato de parlamentares que conversaram com Cunha, esses recursos seriam pagamento de uma d?vida que o pai de Felipe Diniz, Fernando Diniz, teria contra?do com Cunha antes de morrer.

O presidente da C?mara alegou que, com a morte de Fernando Diniz, n?o pensava mais em cobrar o dinheiro, mas Felipe Diniz resolveu pagar e depositar os valores na conta da Su??a.


Tags: Cunha diz a aliados - Deputados aliados de

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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