Piaui em Pauta

De Bariloche a Santorini, a geografia do casamento bancado pela Lei Rouanet.

Publicada em 28 de Junho de 2016 às 13h24


Realizado em um espa?o classe A chamado Beach Club, na praia de Jurer? Internacional, em Florian?polis, Santa Catarina, o casamento que, segundo a Pol?cia Federal, teria sido bancado com recursos desviados da Lei Rouanet, tem como protagonistas os noivos Felipe e Caroline Amorim. Segundo inqu?rito da PF, Felipe teria parentesco com Antonio Carlos Bellini, dono da Bellini Cultural, cabe?a do esquema de fraudes na Lei Rouanet e alvo da Opera??o Boca Livre da PF deflagrada nesta ter?a-feira. Antonio Carlos e a sua mulher foram presos em S?o Paulo.

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Os pombinhos de conheceram h? cinco anos, durante uma viagem a Bariloche, na Argentina. L?, o irm?o de Felipe teria percebido que Caroline e suas amigas eram brasileiras. O rapaz, ent?o, teria abordado Caroline no bar e a conversa teria engatado logo de cara, no melhor estilo amor ? primeira vista. A mo?a, ent?o, seguiu para Buenos Aires com as amigas. Mas na volta ao Brasil, Caroline adoeceu e passou por uma cirurgia, em S?o Paulo, antes de voltar a Roraima, sua terra natal. Hospitalizada, Caroline enviou um email a Felipe, que foi visit?-la.


Ao lado de sua amada durante todos os dias de recupera??o da cirurgia, Felipe e Caroline se separaram quando ela teve de voltar a Boa Vista. No entanto, foi iniciada ali a maratona de viagens a?reas de um relacionamento ? dist?ncia. At? a mudan?a dela para Florian?polis, onde se deu a maior parte da hist?ria do namoro dos dois. Ap?s quatro anos, veio o pedido de casamento, em 2014, em Santorini, na Gr?cia.



Um ano e oito meses depois, foi realizada, ent?o, a cerim?nia de casamento em Jurer? Internacional, hoje apontada como foco de desvio de verbas da Lei Rouanet, com direito a megashow do sertanejo L?o Rodriguez.
Opera??o Boca Livre
A Pol?cia Federal, em parceria com a Controladoria Geral da Uni?o (CGU), realizou na manh? desta ter?a-feira, em S?o Paulo, Rio e Bras?lia, uma opera??o contra uma quadrilha acusada de praticar fraudes contra Lei Rouanet, que d? incentivos fiscais para empresas investirem em projetos culturais. Batizada de “Boca Livre”, a opera??o tem um grupo que teria desviado R$ 180 milh?es dos cofres p?blicos.
De acordo com a PF, as investiga?es tiveram in?cio em 2014, depois que a CGU repassou informa?es sobre irregularidades na concess?o de incentivos. Foi constatado que at? a tal festa de casamento foi bancada com recursos obtidos por meio da Lei Rouanet.
Ainda segundo a Pol?cia Federal, as fraudes ocorriam de diversas maneiras, como superfaturamento, apresenta??o de notas fiscais fict?cias e projetos duplicados. As investiga?es apontaram ainda o uso de dinheiro obtido pela Lei Rouanet para realiza??o de eventos corporativos, shows com artistas famosos em festas privadas para grandes empresas e livros institucionais.
O Grupo Bellini, que atua h? 20 anos na ?rea cultural, seria o cabe?a do esquema. O dono da empresa, At?nio Carlos Bellini, foi preso junto com a mulher. O apartamento do casal, em S?o Paulo, foi alvo de busca e apreens?o. De acordo com investigadores, o casamento bancado com dinheiro de benef?cios foi de um parente de Bellini. A festa teria sido realizada na badalada praia de Jurere Internacional, em Florian?polis. Bellini costuma dar palestras sobre como captar recursos pela Lei Rouanet.



Entre os outros alvos da opera??o, est?o as empresas Scania, Rold?o, Notredame Interm?dica, Cecil, Intercapital, KPMG, Lojas Cem, Cristalia, Nycomed e o escrit?rio de advocacia Demarest.
Est?o sendo cumpridos 14 mandados de pris?o tempor?ria contra lobistas, empres?rios e servidores p?blicos. Policiais tamb?m est?o fazendo busca e apreens?o de documentos no Minist?rio da Cultura e em mais 36 endere?os de empresas e pessoas suspeitas de envolvimento nas fraudes. No total, 124 agentes federais est?o nas ruas para cumprir as ordens judiciais. Os mandados foram determinados pela 3? Vara Federal Criminal em S?o Paulo.



A Justi?a Federal tamb?m concedeu liminares para inabilitar algumas empresas para a apresenta??o de projetos culturais junto ao Minist?rio da Cultura e ? Secretaria da Cultura do Estado de S?o Paulo. Tamb?m houve bloqueio de bens e o sequestro de im?veis e ve?culos de luxo.
Os investigados dever?o ser indiciados por associa??o criminosa, peculato, estelionato, crime contra a ordem tribut?ria, falsidade ideol?gica e lavagem de dinheiro (Jailton de Carvalho/Stella Borges/O Globo)


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Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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