Publicada em 31 de Maio de 2014 às 08h51
Richard Martinez durante discurso emocionado na Califórnia
Imagem: O GloboClique para ampliarRichard Martinez durante discurso emocionado na Calif?rnia ? ?Acostumado a manejar armas desde cedo, o americano Richard Martinez cresceu atirando em p?ssaros na fazenda de sua fam?lia. Adulto, serviu no Ex?rcito na Alemanha por sete anos antes de se tornar um advogado criminalista, que costumava defender casos de jovens ligados ? viol?ncia. Pai de Kristopher Michaels-Mart?nez, de 20 anos, que comia um hamb?rguer em Isla Vista, Santa B?rbara, quando levou um tiro de Elliot Rodger, Martinez agora ? mais que um pai de luto: transformou-se na voz mais recente na luta pelo controle de armas nos EUA.
Apesar de seu hist?rico de transtornos emocionais, nenhuma lei impediu que Rodger, de 22 anos, pudesse comprar tr?s armas e 400 balas. Outras cinco pessoas morreram no ataque. saiba mais Aumenta 14% o n?mero de armas entregues na Campanha do Desarmamento Saiba o passo-a-passo da entrega volunt?ria de arma Rob? vai desarmar bombas em casa de suspeito de matan?a na estreia de "Batman" Mulher inaugura campanha do desarmamento e entrega primeira arma ? destrui??o Leia mais sobre Desarmamento
Na ter?a-feira, ap?s um discurso emocionado e agressivo, em que culpou a Associa??o Nacional de Rifles — e os pol?ticos “irrespons?veis e covardes” — pelo crime, Martinez pediu aos membros do Congresso para parar de oferecer apenas condol?ncias.
— Eu n?o dou a m?nima para o fato de voc?s sentirem pena de mim. Receber um telefonema de um pol?tico n?o me impressiona. Comecem a trabalhar para fazer algo a respeito. E se o presidente me telefonar, vou dizer a mesma coisa — disse durante uma longa entrevista, enquanto as l?grimas rolavam. — Hoje, vou pedir a todas as pessoas que eu encontrar para enviarem um cart?o aos pol?ticos com tr?s palavras: “Nem mais um”.
Afirmando que “somos todos culpados” pela morte do filho, Martinez exortou o p?blico a se juntar a ele na exig?ncia de uma a??o imediata de membros do Congresso e do presidente Barack Obama para conter a viol?ncia armada, aprovando leis mais rigorosas.
— N?o vou escrever um livro ou processar todo mundo. Tudo que eu quero ? que as outras pessoas n?o tenham que passar pelo que eu estou passando.
O discurso surtiu efeito. No Twitter, a hashtag #Notonemore (nem mais um) recebeu ades?o de artistas e ativistas. E tamb?m ganhou eco. Mark Barden, pai de uma das 26 v?timas do massacre de Sandy Hook, em dezembro de 2012, publicou uma carta aberta a Martinez.
“N?s n?o nos conhecemos, mas agora voc? ? parte da nossa fam?lia. N?o ? uma fam?lia que escolhemos, mas que nasceu a partir da circunst?ncia horr?vel de se perder um filho para a viol?ncia com armas de fogo que s? est? crescendo a cada dia. Publicamente queria dizer a voc? e ?queles que sentem a mesma tristeza, raiva e frustra??o, que n?o est?o sozinhos. (...) Juntos, n?s podemos e vamos construir um mundo mais seguro para nossos filhos”.
Barden passou mais de um ano fazendo lobby para aprovar leis de controle de armas que acredita que possam ser apoiadas por pol?ticos sem violar a Segunda Emenda. Seu ?ltimo esfor?o foi para ajudar a passar uma lei que reduza o tamanho dos cartuchos de muni??o vendidos no estado de Nova Jersey. O projeto de lei est? agora na mesa do governador Chris Christie, aguardando a sua assinatura.