Publicada em 30 de Julho de 2014 às 13h00
DEPUTADO-BOMBA - Luiz Moura entrou na mira do Gaeco
O deputado estadual Luiz Moura (PT), flagrado pela Pol?cia Civil em uma reuni?o da qual participaram dezoito criminosos da fac??o Primeiro Comando da Capital (PCC), passou a ser investigado pelo Minist?rio P?blico de S?o Paulo por ter sido s?cio de uma empresa de transporte de passageiros suspeita de lavar dinheiro para o PCC. O nome do parlamentar ? citado em apura??o de promotores do Grupo de Atua??o Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre v?nculos da fac??o criminosa com cooperativas de perueiros que operam na capital paulista.
Imagem: Vera Massaro/ALESP/VEJAClique para ampliarDEPUTADO-BOMBA - Luiz Moura entrou na mira do Gaeco Moura figurou, ainda que temporariamente, no quadro societ?rio da empresa Happy Play Tour, uma das que comp?em o Cons?rcio Leste 4, suspeito de v?nculos com o PCC e que j? foi alvo de interven??o judicial. Em 2010, o parlamentar declarou ? Justi?a Eleitoral ter 4 milh?es de reais em cotas da companhia. Um ano depois, j? havia deixado a sociedade, conforme registros da Junta Comercial do Estado. O petista tamb?m foi diretor da cooperativa Transcooper, em cuja garagem foi flagrado pela pol?cia, em mar?o, reunido com integrantes do PCC.
H? uma semana o site de VEJA revelou que o procurador-geral de Justi?a de S?o Paulo, M?rcio Fernando Elias Rosa, apresentou ao Tribunal de Justi?a do Estado uma representa??o criminal contra o deputado. Elias Rosa vai investigar se Moura cometeu sete crimes: organiza??o criminosa, extors?o, constrangimento ilegal, apropria??o ind?bita, sonega??o fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de autoridade. Por ter foro privilegiado, Moura s? pode ser investigado pelo chefe do Minist?rio P?blico paulista, e o processo deve correr direto na segunda inst?ncia da Justi?a.
Segundo promotores do Gaeco, Moura tamb?m chegou a ser citado em depoimentos como uma das pessoas influentes no ramo das cooperativas que atuam na Zona Leste. A suspeita mais forte que pesa contra o deputado at? aqui, por?m, ? o elo entre Moura e a Happy Play. Ele n?o foi citado em intercepta?es telef?nicas feitas contra outros suspeitos. Por causa do foro privilegiado, toda a investiga??o contra Moura foi deslocada para o ?rg?o de compet?ncia origin?ria do MP, que assessora o procurador-geral. A apura??o contra os demais suspeitos seguir? com o Gaeco.
Moura nega qualquer rela??o com o crime organizado. Seu defensor, o advogado Jo?o de Oliveira, disse ao site de VEJA que a representa??o do procurador-geral ? "oportunismo pol?tico".
Inqu?rito - Edi??o desta quarta-feira do jornal O Estado de S. Paulo revela trechos do inqu?rito produzido pelo Gaeco. Segundo os autos, o Cons?rcio Leste 4, contratado pela SPTrans em 2007 para operar linhas de ?nibus na Zona Leste da capital paulista, era integrado por tr?s empresas cujos s?cios, segundo os autos, eram “indiv?duos que estariam lavando dinheiro, produto do cometimento de crimes” para a fac??o criminosa.
Ao longo das investiga?es o MP descobriu ainda, de acordo com a reportagem, casos de perueiros com patrim?nio superior a 22 milh?es de reais e motoristas com seguros de vida superiores a 1 milh?o de reais. Dois suspeitos, Gerson Adolfo Sinzinger e Vilson Ferrari, o Xuxa, levantaram, segundo as investiga?es, 4 milh?es de reais cada, no intervalo de dois anos, enquanto trabalhavam nas cooperativas da cidade. O dinheiro serviu para o ac?mulo de capital da Happy Play, de acordo com a investiga??o do Minist?rio P?blico. “A empresa n?o possu?a nenhum ve?culo, mas recebia repasses do Cons?rcio Leste 4”, diz trecho do auto citado pelo jornal. A investiga??o aponta que a dupla chegou a fazer parte das tr?s empresas que compunham o Cons?rcio Leste 4. Diante das evid?ncias de enriquecimento il?cito, os promotores do caso conseguiram a quebra do sigilo financeiro de Moura, de outros sete suspeitos e de cinco empresas (Cons?rcio Leste 4, Himalaia, Novo Horizonte, Happy Play, Transcooper e Alian?a Paulista), em 2011. Os bancos, contudo, levaram mais de 1 ano para repassar os dados.
Deputado-bomba - Ex-presidi?rio – foi condenado por assalto ? m?o armada nos anos 1990 –, o deputado tamb?m ? alvo de um processo disciplinar interno no PT. A c?pula do partido pretende expuls?-lo da sigla at? o in?cio de agosto. Na ?ltima sexta, a Comiss?o Executiva do PT estadual deu prazo de dez dias para o parlamentar se defender formalmente – ? a ?ltima fase do processo. Em junho, Moura chegou a ser suspenso por sessenta dias da legenda e ficou impedido de concorrer ? reelei??o em outubro. No entanto, como o site de VEJA revelou, ele conseguiu, por meio de uma liminar, anular a suspens?o e invalidar a conven??o estadual do PT na Justi?a comum. Moura registrou o pedido de candidatura na Justi?a Eleitoral, e obteve registro. Mas o partido insiste em deixar Moura fora da chapa de deputados estaduais. Na Assembleia Legislativa, o Conselho de ?tica e Decoro Parlamentar postergou para o segundo semestre a abertura de um processo que pode resultar na cassa??o do mandato de Moura.