Piaui em Pauta

Desempenho de candidatos a presidente com pouco tempo de TV pode garantir segundo turno

Publicada em 14 de Julho de 2014 às 21h00


?A elei??o presidencial este ano ter? sete candidatos integrando o pelot?o dos chamados “nanicos”, que disputam por partidos pequenos, normalmente sem coliga?es e com tempo tempo de TV e recursos de campanha mais reduzidos. Segundo a ?ltima pesquisa de inten??o de votos do Instituto Datafolha, eles somam 5% dos votos. Cinco s?o ligados a partidos mais ? esquerda do atual governo e dois t?m propostas mais conservadoras. Por enquanto, a maioria figura com tra?o ou 1% nas inten?es de voto. Eles prejudicam mais a candidatura ? reelei??o da presidente Dilma Rousseff, que lidera as pesquisas : somados aos 4% de inten??o de votos do candidato Pastor Everaldo (PSC), os nanicos exercem o papel de garantir a realiza??o do segundo turno das elei?es presidenciais. saiba mais De olho na reelei??o, Planalto agora quer virar a p?gina da Copa Presidenci?veis n?o dizem como v?o bancar propostas Dilma prev? economia brasileira mais competitiva e ataca pessimismo Campanha para o Senado dever? custar mais de R$ 1 bilh?o Justi?a revalida conven??o do PT, mas diz que Moura tem direito de se lan?ar Leia mais sobre Elei?es 2014 Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Z? Maria (PSTU, Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) criticam muito o atual governo e, tamb?m, os advers?rios mais fortes da presidente: A?cio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Levy Fidelix (PRTB) e Jos? Maria Eymael (PSDC) amenizam as cr?ticas a A?cio, mas batem forte no governo petista. Entre os nanicos, quatro s?o veteranos na disputa presidencial: Eymael e Z? Maria disputar?o pela quarta vez; Levy Fidelix, pela terceira; e Rui Costa Pimenta, pela segunda. Em 2006, Pimenta teve seu registro de candidato ? Presid?ncia negado pelo TSE. Eymael e Levy Fidelix integram o grupo dos candidatos mais conservadores e neoliberais. Z? Maria e Rui Costa Pimenta ganhar?o o refor?o do professor Mauro Iasi (PCB), no campo mais radical ? esquerda. Eduardo Jorge e Luciana devem chamar a aten??o dos eleitores com a defesa de uma bandeira pol?mica: a descriminaliza??o da maconha. O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, n?o cr? que Eduardo e Luciana repitam o desempenho de Marina Silva em 2010. Para Guedes, eles t?m poucas chances de crescer, porque o eleitor tende a n?o desperdi?ar o voto. Ele lembra que a ex-senadora Helo?sa Helena (PSOL) chegou a ter 15% em 2006 e mingou para 7%. — O percentual de nanicos deve cair e se polarizar mesmo. Eduardo perdeu o discurso de terceira via e n?o o vejo conseguindo repetir a terceira via de protesto, como aconteceu com a Marina — diz o diretor do Sensus. Z? MARIA: SUSPENS?O DAS D?VIDAS EXTERNA E INTERNA VICE: Cl?udia Durans TEMPO DE TV: 45 segundos O candidato do PSTU, Z? Maria, disputa a Presid?ncia pela quarta vez. No embalo das manifesta?es de junho do ano passado e das greves que t?m pipocado, Z? Maria defender? a suspens?o do pagamento das d?vidas externa e interna, que segundo ele representam um impacto de R$ 750 bilh?es ao ano. O dinheiro seria investido em Sa?de, Educa??o e moradia. Tamb?m defende a estatiza??o do sistema financeiro, a reestatiza??o de empresas de setores estrat?gicos, como telefonia, e o fim dos subs?dios a empresas. Defender? ainda a garantia de direitos das mulheres e dos homossexuais e mudan?as no sistema pol?tico. Z? Maria diz que A?cio Neves ? a express?o da direita nacional e que as candidaturas de Dilma Rousseff e de Eduardo Campos defendem o mesmo projeto econ?mico do PSDB, com um verniz social. Ele critica as pol?ticas sociais compensat?rias e diz que o PSTU, no segundo turno, n?o se alinhar? com nenhum dos tr?s: — Nossa luta ? para o futuro, n?o depende do resultado desta elei??o. Queremos construir uma massa cr?tica na sociedade, e n?o h? possibilidade de nos aproximarmos de nenhum dos tr?s. O candidato do PSTU critica at? mesmo o Bolsa Fam?lia. Para ele, ? preciso garantir emprego e sal?rio digno, porque as pol?ticas sociais compensat?rias n?o acabam com a pobreza, perpetuam a pobreza. RUI COSTA PIMENTA (PCO): FIM DA PM E CRIA??O DE ‘MIL?CIAS POPULARES’ VICE: Ricardo Machado TEMPO DE TV: 45 segundos Com o bord?o famoso “Quem bate cart?o n?o vota em patr?o”, Rui Costa Pimenta tem entre as principais propostas apresentadas em seu programa de governo um sal?rio-m?nimo de R$ 3,5 mil e a dissolu??o da Pol?cia Militar e de todo o seu aparato repressivo. A pol?cia seria substitu?da por um “sistema de mil?cias populares”. Pretende ainda dar ? popula??o o direito de se armar. O programa critica as UPPs e a ocupa??o da PM e das tropas federais nos morros do Rio, afirmando que elas s?o “realizadas para defender os interesses dos especuladores imobili?rios e outros tubar?es capitalistas e para intensificar o terror contra a popula??o pobre”. Defende ainda a estatiza??o da Sa?de e da Educa??o, liberdades democr?ticas e os direitos democr?ticos de negros, mulheres e demais setores oprimidos da sociedade. O PCO tamb?m prop?e a realiza??o de uma Assembleia Nacional Constituinte, a estatiza??o dos bancos, reforma agr?ria que acabe com o latif?ndio no pa?s, fim das privatiza?es e estatiza??o dos principais meios de produ??o. Rui Pimenta defender? na campanha jornada de trabalho semanal m?xima de 35 horas. O programa do candidato prev? direito irrestrito de greve e iguais condi?es de acesso de todos os partidos aos meios de comunica??o de massa. O GLOBO tentou entrar em contato com Pimenta mas n?o obteve retorno. EYMAEL (PSDC): FOCO NA CONSTITUI??O E NO ‘ESTADO NECESS?RIO’ VICE: Roberto Lopes TEMPO DE TV: 47 segundos O candidato ? Presid?ncia pelo PSDC quer ir al?m da popularidade adquirida com seu jingle “Ey, Ey, Eymael” e mostrar aos eleitores brasileiros, na sua quarta disputa ? Presid?ncia, o conte?do da proposta democrata crist?. Eymael diz que, como deputado constituinte, sua campanha focar? no cumprimento da Constitui??o Federal e o lema ser? “Do Brasil que temos para o Brasil que podemos e queremos”. Entre suas propostas est?o a cria??o de um Minist?rio da Seguran?a P?blica e uma pol?tica externa voltada para o desenvolvimento, n?o “meramente ideol?gica, como ? hoje”. N?o defende o Estado m?nimo, mas o que chama de “Estado necess?rio”, com um n?mero reduzido de cargos de confian?a e servidores de carreira, equipamentos e tecnologia para garantir o atendimento do cidad?o. Nos temas pol?micos, assume posi??o de cautela. Diz que seu partido n?o “? religioso, mas tem compromisso com o cristianismo”. — O jingle serviu para me popularizar, mas nessa elei??o ser? a moldura do quadro. Nossa campanha ser? focada no conte?do. O campo de batalhas dessa elei??o ser?o as redes sociais, onde o que vale ? o conte?do — diz Eymael. Eymael garante que far? uma campanha propositiva, mas justifica que, para falar “do Brasil que querem”, ter? que abordar problemas atuais como a viol?ncia, a Sa?de p?blica que n?o funciona e a Educa??o incapaz de preparar os jovens do pa?s. LEVY FIDELIX (PRTB): EM DEFESA DO CORTE DE JUROS E DO SAL?RIO FAM?LIA VICE: Cel. Jos? Alves TEMPO DE TV: 45 segundos O candidato Levy Fidelix, do PRTB, concorre ? Presid?ncia da Rep?blica pela segunda vez e reage ao fato de ter ficado conhecido como o candidato do aerotrem em 2010. Defende propostas como o corte radical dos juros no pa?s para custear gastos com o pagamento de um Sal?rio Fam?lia de R$ 724 e imposto zero para medicamentos. Segundo ele, o Sal?rio Fam?lia substituiria o Bolsa Fam?lia, mas as pessoas teriam que trabalhar para o Estado para receb?-lo. Por exemplo, no atendimento das crian?as em creches, na limpeza urbana, com homens cavando po?os e ajudando a recapear as estradas. Fidelix diz que sua principal bandeira ser? o desenvolvimentismo, com reformas no sistema financeiro-tribut?rio e federativa. Diz que ? especialista em infraestrutura. Por isso prop?s, na elei??o passada, o debate sobre aerotrem, entre outros, como o uso de hidrovias e o resgate das ferrovias. — Meu Deus, tenho tanto a falar e s? o que dizem ?: “Esse ? o cara do aerotrem”! Eu falo em mobilidade urbana, sou especialista em mobilidade urbana, ? dentro desse contexto, n?o posso ser motivo de galhofa — queixa-se Fidelix. O candidato do PRTB critica o que considera uma op??o da pol?tica externa dos governos do PT: priorizar a rela??o com pa?ses como Cuba e Venezuela, em detrimento das rela?es com Estados Unidos e Inglaterra. MAURO IASI (PCB): DEFESA DO PODER POPULAR E PROPOSTA ANTICAPITALISTA VICE: Sofia Manzano TEMPO DE TV: 45 segundos Mais ? esquerda, a candidatura do professor universit?rio Mauro Iasi, pelo PCB, atacar? o que chama de forma conservadora de fazer pol?tica dos tr?s candidatos mais bem colocados nas pesquisas e a “armadilha” do presidencialismo de coaliz?o, ref?m do leque de alian?as pol?ticas. Ele diz que sua candidatura ? a do poder popular. — Os tr?s candidatos disputam o comando do projeto conservador. O PSDB tem inveja do PT porque n?o conseguiu levar seu projeto at? o fim. O PT, que era mais pr?ximo d classe trabalhadora, tinha chance de romper o modelo econ?mico e cedeu. Nossa proposta ? contra o capitalismo. Recusamos as alternativas do campo burgu?s — afirma Iasi. O professor da UFRJ, que em 2006 concorreu a vice-governador de S?o Paulo na chapa de Pl?nio de Arruda Sampaio (PSOL), defende mudan?as profundas no sistema pol?tico brasileiro. Segundo ele, ? preciso garantir a participa??o direta da popula??o, com a forma??o de assembleias populares e sem o filtro do poder econ?mico. A proposta do PCB ? uma proposta socialista para o Brasil, que garanta voz e poder de decis?o para a classe trabalhadora. Os principais eixos da campanha ser?o: anticapitalismo e desmercantiliza??o da vida, socializa??o da economia, amplia??o de direitos e poder popular. LUCIANA GENRO (PSOL): TAXA??O DE PATRIM?NIO ACIMA DE R$ 50 MILH?ES VICE: Jorge Paz TEMPO DE TV: 51 segundos A candidata do PSOL, Luciana Genro, al?m de bandeiras da esquerda, vem com um discurso inovador na sua primeira disputa ? Presid?ncia pelo partido: a descriminaliza??o da maconha. Segundo ela, os candidatos do PSOL nas ?ltimas elei?es — Helo?sa Helena e Pl?nio de Arruda Sampaio — tinham dificuldade de tratar desse tema. Ela n?o. Al?m disso, para tentar conquistar o voto da classe m?dia no pa?s, a proposta de taxa??o de grandes fortunas ser? focada nos que t?m patrim?nio acima de R$ 50 milh?es. O projeto de Luciana, apresentado em 2008, prev? a taxa??o a partir de patrim?nio acima de R$ 3 milh?es: — O valor de R$ 3 milh?es hoje pode ser um apartamento em S?o Paulo, n?o ? necessariamente um grande ac?mulo de riqueza. O que ? inegoci?vel ? a faixa dos que t?m acima de R$ 50 milh?es. Muitas vezes as pessoas de classe m?dia e classe m?dia alta se entendem como ricas e acham que o governo do PSOL vai empobrec?-las. E o objetivo n?o ? esse. Ela diz que o PSOL quer vocalizar a indigna??o que tomou conta das ruas no ano passado, mostrando algo novo, mas criticando o retrocesso e o continu?smo das candidaturas mais bem posicionadas nas pesquisas: — Vamos mostrar que ? o embate entre o retrocesso (PSDB) e o continu?smo (PT). O que une os tr?s principais candidatos ? o sistema pol?tico desacreditado e a defesa do modelo econ?mico que se centra no mercado. A gente n?o se sente pr?ximo de nenhum. EDUARDO JORGE (PV): ENTRE IDEIAS POL?MICAS, A LEGALIZA??O DA MACONHA VICE: C?lia Sacramento TEMPO DE TV: 1 minuto e 1 segundo Eduardo Jorge, candidato do PV, tem entre os temas da campanha a defesa da legaliza??o e regula??o da maconha, com acesso via Estado. A tese se baseia em estudos recentes sobre o enfrentamento ?s drogas nos ?ltimos 50 anos. M?dico, ele explica a defesa do tema pol?mico: — O PV e eu n?o queremos estimular o uso, mas reduzir o dano e a criminalidade. A legaliza??o, com regula??o, ser? um golpe s?rio na economia do crime. Como m?dico, sei que a maconha ? uma droga relativamente mais leve, mas tem 10% de chance de criar depend?ncia. Por isso, defendo que n?o se deve usar e, se a pessoa for usar, que seja de forma moderada. Al?m disso, se a pessoa ou fam?lia notar exagero e procurar o sistema p?blico de sa?de, este deve ajudar e n?o prender, como ? hoje — diz. O programa do PV prop?e outros pontos pol?micos, como a ado??o do parlamentarismo e do voto facultativo. O candidato n?o poupa cr?tica aos principais advers?rios, embora admita que s?o preparados e pertencem a partidos que “fizeram coisas boas, mas que o povo quer mais”. — Dilma, A?cio e Eduardo s?o representantes da fam?lia socialista; eu tamb?m sou socialista. A cr?tica que o PV faz ? que eles s?o pol?ticos do s?culo XX, n?o incorporaram na mesma dimens?o do PV o respeito aos limites do meio ambiente em cada decis?o pol?tica — diz.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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