Publicada em 12 de Julho de 2014 às 08h59
?Imagem: A presidente Dilma Rousseff afirmou em entrevista ? TV Globo que no futuro, seus quatro anos de governo ficar?o marcados pelos investimentos em infraestrutura. Para ela, seu per?odo ? frente do Executivo criou as condi?es para que a economia do Brasil torne-se a partir de agora mais competitiva. A presidente tamb?m criticou o pessimismo em rela??o ao pa?s, o que, segundo ela, dificulta a resolu??o de problemas e pode se tornar uma "profecia autorrealiz?vel". saiba mais Campanha para o Senado dever? custar mais de R$ 1 bilh?o Justi?a revalida conven??o do PT, mas diz que Moura tem direito de se lan?ar Pastor Everaldo carrega a bandeira do pragmatismo evang?lico S?o Paulo ter? campanha mais cara para governador; Acre, a mais barata SE prev? Dilma com 11min48 de TV, A?cio com 4min31 e Campos, 1min49 Leia mais sobre Elei?es 2014 "Acredito que a caracter?stica principal desse momento, desses quatro anos, quando se olhar para tr?s, que ser? visto, ? o fato de que nunca se investiu tanto no pa?s em infraestrutura, como n?s investimos agora", disse a presidente ? jornalista Renata Lo Prete, que no programa entrevista os principais candidatos ? Presid?ncia. Dilma afirmou que o governo encaminhou os investimentos p?blicos e privados em aeroportos, portos e rodovias. Para entrar num "ciclo de competitividade" na produ??o de bens, a presidente disse que o Brasil dever? aplicar recursos em ferrovias e hidrovias, na amplia??o da banda larga e tamb?m na educa??o, que "tem de ser nossa obsess?o", com foco no ensino t?cnico e na inova??o, assinalou. Outra medida necess?ria, segundo disse, "? superar todos os ran?os da burocracia". "N?s somos o pa?s que gostava muito do carimbo e do selo", afirmou. "H? que ter essa reforma do Estado, a extin??o da burocracia como pr?tica e m?todo de rela??o do Estado com a sociedade, com os empres?rios, com as pessoas". Crise e pessimismo Confrontada com dados da macroeconomia – como o baixo crescimento do PIB, a infla??o perto do teto da meta, os juros maiores que no in?cio do governo e sinais de menor cria??o de empregos – Dilma atribuiu ? crise internacional as dificuldades atuais. "As taxas de crescimento de todos os pa?ses est?o extremamente baixas", mencionando desacelera??o nos Estados Unidos, na Europa e pa?ses emergentes, como China e ?ndia. "O que acho terr?vel no Brasil ? que algu?m possa supor que n?s podemos ter um comportamento de crescimento econ?mico compat?vel com outro momento internacional. N?s n?o somos uma ilha. Esses efeitos nos atingem". Ela ressaltou, contudo, que o Brasil n?o precisou demitir "milh?es e milh?es de pessoas", como ocorreu em outros pa?ses e que o n?vel de emprego deve se manter. Dilma disse que o pa?s tem condi?es de crescer a taxas maiores e "dar um salto". No momento seguinte, a presidente criticou o pessimismo sobre o Brasil. "O pessimismo n?o ? uma boa rea??o ? crise. O pessimismo ? uma p?ssima rea??o ? crise", afirmou. "O risco do pessimismo em economia ? de ser uma profecia autorrealiz?vel. Em alguns casos, isso pode acontecer. Mas o que eu acho mais grave no pessimismo ? ele diminuir a capacidade das pessoas de entender a realidade, e superar os desafios, resolver os problemas encaminhando solu?es", completou. A presidente apontou como exemplos previs?es negativas sobre a realiza??o da Copa e sobre o abastecimento de energia. Tarifas de luz Ao falar sobre a pol?tica energ?tica, Dilma negou erro de planejamento no aumento recente das tarifas de eletricidade. Ela disse que a alta se d? em raz?o da seca, que diminui os reservat?rios das hidrel?tricas e obriga a acionar as termel?tricas, com produ??o mais cara. Ela ressaltou, no entanto, que o aumento poderia ser maior caso o governo n?o tivesse, no ano passado, condicionado a renova??o de contratos com as geradoras e distribuidoras ? diminui??o dos lucros. "N?s conseguimos reduzir a tarifa em 20%. Isso foi vantajoso, porque naquela ?poca n?s n?o sab?amos nem ningu?m sabia se ia haver um tempo, um clima chuvoso ou n?o. E vivemos a maior seca, em alguns lugares, dos ?ltimos 50 anos, em outros, dos ?ltimos 100 anos". Corrup??o e mensal?o No terceiro bloco do programa, Dilma foi questionada sobre se recentes casos de corrup??o, inclusive envolvendo o PT, n?o revelam dificuldade do governo em combater os malfeitos. Dilma respondeu que existe corrup??o "em todas as ?reas", nos setores p?blico e privado, e que ? necess?rio "apostar n?o nos homens, mas nas institui?es". Ela mencionou a?es do governo por mais transpar?ncia, refor?o na atua??o da Controladoria-Geral da Uni?o e Pol?cia Federal e tamb?m a Lei Anticorrup??o, que pune tamb?m as empresas e agentes privados que corrompem servidores. Depois, pregou uma reforma pol?tica que mude "radicalmente" as pr?ticas eleitorais e feita com participa??o popular, via plebiscito. Ao falar do PT, disse que "nenhum partido est? acima de qualquer suspeita" e defendeu apura??o sobre casos envolvendo a sigla. "Mas o que serve para o PT tem que servir para todos os partidos. O que n?o ? poss?vel ? s? tratar o PT como sendo o PT que criou a corrup??o no pa?s". Ela disse que, como presidente, n?o pode se manifestar sobre decis?o do Supremo Tribunal Federal que condenou ex-dirigentes do partido no processo do mensal?o. Lula Dilma tamb?m foi questionada se ainda h? alguma chance de desistir de concorrer ? reelei??o para dar lugar ao ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva. Ela respondeu que "essa possibilidade foi descartada desde sempre". Antes, destacou a "intimidade" e a "confian?a" que construiu com o antecessor numa rela??o di?ria quando era ministra de seu governo. "Para mim, ? at? interessante que as pessoas recorram a ele que transmitir para mim aguma coisa que est?o descontentes, que querem mais isso, querem mais aquilo. Ter o presidente Lula ao meu lado ? uma vantagem [...] Para mim, os conselhos do presidente Lula s?o sempre bem-vindos". "Elite branca", Copa e futebol Dilma tamb?m foi indagada sobre a opini?o do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presid?ncia) a respeito dos xingamentos que recebeu na abertura da Copa, em S?o Paulo. Para o ministro, os insultos n?o vieram somente da chamada "elite branca". "Essa ? a opini?o dele. N?o h? por que chegar e falar: "n?o, ? um absurdo". Agora, eu acho que quem compareceu aos est?dios – isso a gente n?o pode deixar de considerar – foi dominantemente quem tinha poder aquisitivo para pagar o pre?o dos ingressos da Fifa. E a?, ? dominantemente uma elite branca. Em alguns casos, eu acho que devia ser 90, em outros 80, em outros 75 [%], mas era dominantemente elite branca." Ao final da entrevista, Dilma disse ter sido uma "dor imensa" a derrota da sele??o brasileira para a Alemanha. Disse, por?m, que deixou como aprendizado a "consci?ncia que temos que mudar o futebol brasileiro". Ela criticou o fato de jogadores talentosos deixarem o Brasil muito jovens para atuar no exterior. "Eu acho que tem que fazer o que a Alemanha fez quando perdeu a Eurocopa em 2000. N?s temos de fazer uma reforma no futebol brasileiro. N?s precisamos de futebol de base, precisamos garantir que nossos t?cnicos tenham condi?es de viver no Brasil nas condi?es similares a que vivem na Europa". Ela defendeu transpar?ncia, gest?o e melhores gastos pelos clubes e que os est?dios constru?dos para a Copa s? n?o ficar?o ociosos se os craques brasileiros puderem jogar no pa?s.