Piaui em Pauta

É como acreditar em 'conversa de bêbado', diz Joesley sobre áudio.

Publicada em 07 de Setembro de 2017 às 22h25


O empres?rio Joesley Batista, um dos donos da holding J&F, disse nesta quinta-feira (7), em depoimento ? Procuradoria-Geral da Rep?blica (PGR), que acreditar no conte?do da conversa gravada entre ele e o diretor de Rela?es Institucionais do grupo, Ricardo Saud, ? como acreditar em uma "conversa de b?bados."

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Joesley, Saud e o advogado da empresa, Francisco de Assis e Silva, prestaram depoimento na sede da PGR em Bras?lia para esclarecer o teor do ?udio, que aponta omiss?o de informa?es dos tr?s delatores aos investigadores da Lava Jato.
Segundo o procurador-geral da Rep?blica, Rodrigo Janot, dependendo do resultado da investiga??o, os benef?cios oferecidos a Joesley Batista e outros delatores poder?o ser cancelados.
O depoimento desta quinta tamb?m atende a pedido da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra C?rmen L?cia, de investigar falas dos delatores envolvendo ministros da Corte.
Na conversa, Joesley e Saud discutem como gravar o ex-ministro da Justi?a Jos? Eduardo Cardozo para ele "entregar" ministros do STF, o que poderia refor?ar a dela??o dos executivos.


Fontes com acesso aos depoimentos informaram ? TV Globo que Joesley disse nesta quinta que acreditar no audio ? como acreditar em dois b?bados dizendo que a Coreia do Norte vai invadir os EUA.
Ainda de acordo com essas fontes, Joesley inocentou o procurador-geral da Rep?blica, Rodrigo Janot, de qualquer atitude ilegal e tamb?m negou qualquer irregularidade em seu contato com o ex-procurador da Rep?blica Marcelo Miller, que foi acessor de Janot.
O audio levantou suspeitas de que Miller teria ajudado os executivos da J&F nas negocia?es para fechar o acordo de dela??o premiada. O procurador, que atuou na Lava Jato, deixou a PGR em abril deste ano e, uma semana depois, come?ou a trabalhar em um escrit?rio de advocacia que atuou no acordo de leni?ncia da J&F.

Joesley admitiu no depoimento que se encontrou com Miller em fevereiro deste ano, mas que tinha sido informado que ele j? havia pedido exonera??o. O pedido realmente ocorreu em fevereiro, mas Miller s? deixou o ?rg?o em abril.
No acordo com a PGR, Joesley e outros executivos apresentaram provas para incriminar pol?ticos, entre eles o presidente Michel Temer e o senador A?cio Neves (PSDB-MG) e, em troca, receberam benef?cios, entre eles a imunidade (garantia de que os delatores n?o seriam denunciados criminalmente), que foram duramente criticados.
Joesley, ainda de acordo com as fontes, negou que grava??o tenha sido entregue por engano e afirmou que foi uma iniciativa de transpar?ncia.
Em nota, a J&F informou nesta quinta que "n?o ? poss?vel fornecer detalhes" dos depoimentos prestados por Joesley, Saud e Silva "em raz?o de sigilo." "O empres?rio e os executivos continuam ? disposi??o para cooperar com a Justi?a", diz a nota.
Novo ?udio
A grava??o que pode levar ? anula??o dos benef?cios dos delatores da J&F foi feita, aparentemente por descuido, no dia 17 de mar?o. Na conversa que dura quatro horas, Joesley Batista e Ricardo Saud falam de uma suposta atua??o do ex-procurador da Rep?blica Marcelo Miller para ajud?-los a fechar a dela??o, que acabou garantindo a eles imunidade penal. ? ?poca, Miller ainda trabalhava no Minist?rio P?blico.
Em um dos trechos da grava??o que est? sendo investigada pela PGR, Joesley Batista relata ao diretor de Rela?es Institucionais que Marcelo Miller incentivou o procurador-geral da Rep?blica a fechar acordo de dela??o premiada com os executivos da J&F.
O dono da JBS ressalta ainda a import?ncia de eles se aproximarem de Miller para "chegar no Janot" e, com isso, negociarem a dela??o premiada com imunidade penal, que assegurou que os delatores da empresa n?o seriam denunciados pelo Minist?rio P?blico.
No bate-papo, Ricardo Saud tamb?m conta que Marcelo Miller repassava informa?es a Janot por meio de um "amigo em comum".

Miller trabalhou com Janot durante tr?s anos, per?odo no qual atuou nos casos ligados ? Lava Jato. Ele deixou a PGR em abril deste ano e passou a atuar no escrit?rio de advocacia Trench Rossei e Watanabe, que atende a JBS.
Como advogado, o ex-procurador Miller chegou a atuar nas negocia?es da JBS para fechar um acordo de leni?ncia, mas o escrit?rio no qual ele trabalhava deixou o caso antes do fechamento do acerto. Em julho, Miller foi desligado do escrit?rio. Agora, a PGR tamb?m quer apurar os motivos da sa?da do ex-procurador da banca de advocacia.
Tags: É como acreditar em - O empresário Joesley

Fonte: globo  |  Publicado por: Claudete Miranda
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