Publicada em 30 de Julho de 2014 às 20h20
Eduardo Campos em sabatina na Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Brasília
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Imagem: O GloboEduardo Campos em sabatina na Confedera??o Nacional da Ind?stria (CNI) em Bras?lia ?? Aplaudido em v?rios momentos pelos empres?rios e tendo a vice Marina Silva ao lado, o candidato do PSB a Presid?ncia da Rep?blica, Eduardo Campos, recheou sua exposi??o inicial com alfinetadas aos advers?rios Dilma Rousseff, do PT, e A?cio Neves, do PSDB, na sabatina promovida nesta quarta-feira pela Confedera??o Nacional das Ind?strias (CNI). Disse ser ele a ?nica possibilidade de quebrar o presidencialismo de coaliz?o e a divis?o dos ?ltimos 20 anos entre PT e PSDB. Sobrou at? para o ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva. De olho no voto lulista anti-Dilma, ele vem poupando o ex-presidente em suas cr?ticas. Mas come?ou ironizando Lula, que em 2008 disse que a crise de internacional chegaria no Brasil como uma marolinha:
- Esse conjunto de not?cias sobre a economia nos imp?e uma reflex?o sobre o momento que o mundo vive, de busca de novos valores de conceito de desenvolvimento da maior crise do capitalismo. Pensamos que era apenas uma marolinha, mas agora vimos o tamanho do desafio que est? posto - disse o pernambucano.
Ele foi aplaudido a primeira vez quando disse que o Brasil precisa de um novo padr?o de governan?a. Criticou o balc?o de entrega de minist?rios em troca de apoio e governabilidade, e disse que o padr?o pol?tico no Brasil faliu, esclerosou, n?o tem ambiente para competitividade.
Nesse momento Campos se vendeu como a candidatura que ser? capaz de mudar o sistema de governan?a “patrimonialista, fisiologista, atrasado, com a cabe?a na velha Rep?blica”.
- Eu e Marina somos a ?nica possibilidade de quebrar o presidencialismo de coaliz?o - disse Eduardo Campos, provocando o candidato tucano, A?cio Neves, sem cit?-lo nominalmente:
- O que vem a?, por mais biografia que tenha, n?o tem condi?es de fazer o novo.
Ele disse que respeitava A?cio e Dilma, mas que seu entorno n?o lhes permitiria fazer as mudan?as. Disse que conhecia a est?ria dos dois, mas que eles n?o teriam condi?es de fazer as reformas cercados por Jos? Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor.
- A vida da gente s?o as nossas circunst?ncias. E as circunst?ncias que cercam Dilma e A?cio ? a de conservar essa velha pol?tica que j? faliu - disse.
Confiante em sua vit?ria, Eduardo Campos adiantou a?es de sua gest?o: n?o aumentar impostos ou retirar direitos trabalhistas.
- Eu vou comandar a agenda da produtividade do Brasil a partir do dia 1? de janeiro - disse ele, sendo novamente aplaudido.
- O que falta ? uma palavrinha m?gica que eu conhe?o muito bem: gest?o - completou.
PROMESSA DE UMA REFORMA TRIBUT?RIA
Eduardo Campos citou a incapacidade dos governos anteriores para fazer a reforma tribut?ria. Disse que n?o saiu no governo do presidente Fernando Henrique, nem no governo seguinte, sem citar Lula, por causa da guerra federativa.
- Serei o primeiro presidente da Rep?blica que irei mandar a reforma tribut?ria na primeira semana de governo - disse Eduardo, sob aplausos, completando que ser? o primeiro da era democr?tica que n?o aumentar? carga tribut?ria em sua gest?o.
Ele tamb?m se preocupou em negar que v? retirar direitos trabalhistas. Disse que sua hist?ria pol?tica n?o lhe permite ser um presidente que acabe com o direito dos trabalhadores. Mas que ir? discutir “situa?es insuport?veis” com os empres?rios.
- N?o ? poss?vel que tenhamos tantas a?es trabalhistas no Brasil. Isso n?o ? natural - disse o candidato do PSB.
E voltou ao tom pol?tico para concluir sua exposi??o:
- O Brasil precisa de unidade, e dizer os valores que quer para o s?culo XXI: ?tica, coragem e compet?ncia.
MUDAN?A DE ESTRAT?GIA
Eduardo Campos rompeu nesta quarta-feira com sua estrat?gia de focar as cr?ticas na presidente Dilma Rousseff e preservar o governo Lula e alfinetou, em ao menos duas oportunidades, o ex-presidente Lula. Al?m de considerar errada a previs?o da “marolina”, em 2008, em outro momento, quando respondia a perguntas de representantes da ind?stria brasileira, Campos apontou uma "falha do governo Lula" em rela??o ? regula??o de parcerias p?blico-privadas.
- O desafio da infraestrutura no Brasil ? de todo um processo hist?rico de baixo investimento que vivemos nas d?cadas perdidas, depois na d?cada de ajuste fiscal sobrou muito pouco recurso para infraestrutura. E o processo de privatiza??o canalizou para o que j? existia, e n?o para novas possibilidade. Atrasamos tamb?m o processo de parcerias p?blico-privadas, uma falha no segundo governo Lula - afirmou.
Depois, em uma cr?tica indireta, Campos n?o poupou o governo Lula quando se referiu a alta carga tribut?ria existente hoje o Brasil.
- A? ningu?m escapa, todos foram aumentando a carga tributaria, ? o sujo falando do mal lavado - pontuou.
POL?TICA EXTERNA E CAPITALISMO
Em rela??o ? pol?tica externa, Campos adotou um discurso intermedi?rio entre o de Dilma e o de A?cio, afirmando que o Brasil n?o pode ficar "travado" pelo Mercosul na costura de acordos bilaterais. Para o candidato, o pa?s deve fortalecer suas rela?es com pa?ses economicamente mais importantes, como Estados Unidos e os da Uni?o Europeia:
- O Brasil precisa de uma pol?tica de rela?es exteriores que n?o seja de partido, mas de estado. N?o podemos ter preconceitos de nenhuma ordem no mercado global. Precisamos voltar a discutir nossa pauta de rela??o com parceiros mais maduros do Brasil, Estados Unidos, Europa e China. E tamb?m destravar o Mercosul, as rela?es n?o s?o excludentes. N?o podemos ficar travados pelo Mercosul, o mundo est? fazendo acordos bilaterais em seq??ncia e o Brasil fica com o com?rcio exterior comprometido se n?o tomar essa iniciativa.
Apesar de representar um partido socialista, o PSB, Eduardo Campos defendeu que n?o haja preconceito com o lucro no capitalismo. Nesse momento, o candidato voltou a ser aplaudido.
- N?o deve haver preconceito com o lucro no pa?s capitalista. Pode-se at? sonhar com outra realidade. Mas preconceito com lucro mata investimento. O crescimento n?o vem e mata a prosperidade.