Publicada em 03 de Junho de 2014 às 08h10
Sírios fazem fila em local de votação no centro de Damasco nesta terça-feira (3)
Imagem: AFPS?rios fazem fila em local de vota??o no centro de Damasco nesta ter?a-feira (3)?Come?aram nesta ter?a-feira (3) as elei?es presidenciais na S?ria, que vive uma guerra civil h? mais de tr?s anos. O pleito deve confirmar o atual governante, Bashar al-Assad, no poder. Um dos motivos ? que s? deve haver vota??o nas ?reas sob o controle de seu ex?rcito. As ?reas sob controle rebelde n?o devem ter vota??o.
Mais de 15 milh?es de s?rios est?o convocados a votar e o presidente s? ter? como rivais dois candidatos autorizados por ele para tentar legitimar a consulta: o deputado independente Maher al-Hayar e o empres?rio membro da oposi??o tolerada Hassan al-Nuri.?Imagem reproduzida da TV Al-Mayadeen, do L?bano, mostra o presidente s?rio, Bashar al-Assad, e sua mulher, Asmaa, votando em posto eleitoral em Maliki, no Centro de Damasco (Foto: TV Al-Mayadeen / Via AFP)?Nenhum advers?rio real do regime participa da elei??o que, em teoria, ? a primeira em mais de meio s?culo para eleger o chefe-de-Estado s?rio. Tanto Bashar quanto seu pai, Hafez al-Assad, que governou com m?o-de-ferro entre 1970 e 2000, foram designados mediante referendos.
S?o "concorrentes" de Assad nesta vota??o dois candidatos pouco conhecidos: o deputado Maher Abdel Hafez Hayar, membro da oposi??o tolerada, e o ex-ministro Hassan Abdullah al Nouri.Como informa a ag?ncia AFP, os opositores denunciam uma farsa porque o poder se blindou contra qualquer imprevisto ao impedir as candidaturas de exilados e exigir que qualquer aspirante ao cargo contasse com o patroc?nio de 35 deputados de um Parlamento amplamente dominado pelo governismo.
Nascido em 1960, na capital Damasco, Nouri foi ministro de Estado para o Desenvolvimento da Administra??o P?blica e de Assuntos Parlamentares entre 2000 e 2002, al?m de deputado de 1998 at? 2003.
Por sua vez, Hayar (nascido em Aleppo, em 1968) tem um amplo hist?rico de milit?ncia em partidos de esquerda. Em 2003, detalha a ag?ncia Efe, fundou junto com outros dirigentes esquerdistas o Comit? Nacional Comunista da S?ria e foi um de seus l?deres at? que a legenda mudou seu nome para Partido da Vontade Popular, tornando-se secret?rio-geral de seu conselho executivo.
Este grupo ? um dos integrantes da Frente Popular para a Mudan?a e a Liberta??o (FPCL), um dos principais agrupamentos da oposi??o tolerada pelas autoridades e que conta com cadeiras no parlamento.
Tanto Hayar como Nouri desenvolveram campanhas baseadas em an?ncios pela televis?o e nas redes sociais e empregaram um discurso similar ao de Assad, fundamentado na "luta contra o terrorismo" para p?r fim ? guerra na S?ria. saiba mais Jihadistas seq?estram 193 curdos em Alepo, na S?ria Garotos s?rios treinam com armas falsas e formam unidade de combate Ataque rebelde em ato eleitoral deixa 21 mortos na S?ria Metade dos s?rios est? em situa??o alimentar cr?tica Milh?es de s?rios n?o conseguem nenhuma ajuda para viver Leia mais sobre Guerra civil na S?ria
As candidaturas destes dois aspirantes, junto com a de Assad, foram as ?nicas declaradas v?lidas do total de 24 que foram apresentadas ? Suprema Corte Constitucional, que descartou aquelas que n?o cumpriam com os requisitos estabelecidos pela lei eleitoral.
Segundo a norma, aprovada em mar?o pelo parlamento, os aspirantes devem ter o apoio de pelo menos 35 dos 250 deputados do parlamento unicameral, que s? podiam respaldar um candidato por pessoa.
"Esta elei??o n?o se prop?e a medir a popularidade do regime, mas a demonstrar sua capacidade de for?ar o pa?s, ou melhor, as regi?es que controla, a apresentar sua fidelidade", afirma Volker Perthes, diretor do Instituto Alem?o de Pol?tica Externa e Assuntos de Seguran?a.
Teoricamente, todos os s?rios com mais de 18 anos est?o convocados a votar, inclusive os sete milh?es de deslocados internos pela guerra civil. Mas na pr?tica a organiza??o da consulta ? mais complexa.
"As elei?es ser?o realizadas em todas as cidades da S?ria, exceto Raqa", totalmente controlada pela organiza??o jihadista radical Estado Isl?mico do Iraque e Levante (EIIL), disse ? AFP o porta-voz da Corte Constitucional s?ria, Majed Jadra.
Mas a men??o ?s cidades d? a entender que n?o existir?o centros de vota??o em distritos rurais, como os que cercam Damasco, ou os do norte e do leste do pa?s, nem tampouco nos bairros sob controle dos insurgentes em cidades como Aleppo ou Deir Ezzor.?Posto de vota??o em Damasco, capital da S?ria (Foto: Sana/AFP)?Dos tr?s milh?es de s?rios refugiados ou residentes no exterior h? apenas 200 mil inscritos nas listas eleitorais de 38 embaixadas, segundo uma fonte do minist?rio s?rio das Rela?es Exteriores, citada pelo jornal "Al-Watan".
"? um n?mero relativamente aceit?vel, levando-se em conta que pa?ses como Fran?a, Alemanha e B?lgica proibiram os cidad?os s?rios" de participar da vota??o, acrescentou a fonte, em refer?ncia ? posi??o destes pa?ses, que preconizam uma sa?da pol?tica da guerra civil e questionam a legitimidade do regime de Assad.
Os Emirados ?rabes Unidos (EAU) tamb?m proibiram na ter?a-feira a organiza??o da consulta em seu territ?rio, o que lhe valeu a den?ncia por parte de Damasco de ter se unido ao cl? de pa?ses que conspiram contra a S?ria.
O conflito s?rio deixou 162.000 mortos, tanto combatentes dos dois grupos quanto muitos civis. O banho de sangue come?ou em mar?o de 2011 com a brutal repress?o de manifesta?es pac?ficas.?Cartaz eleitoral com a assinatura do presidente
s?rio Bashar al-Assad e a palavra "juntos",
na capital Damasco (Foto: Louai Beshara/AFP)?Um acordo Ir?-Ar?bia
"Bashar quer demonstrar que ? uma alternativa pol?tica e que ? capaz de restabelecer a ordem e a legalidade", afirma Suhail Belhadj, um analista franc?s, autor de um livro sobre o regime de Assad.
As elei?es, denunciadas pelas pot?ncias ocidentais e por v?rios pa?ses ?rabes, contam com o apoio de Ir? e R?ssia. E ocorrem num momento favor?vel para as tropas do regime, apoiadas pelos combatentes do Hezbollah xiita liban?s, embora os avan?os em terra sejam at? agora limitados.
O regime pode, por sua vez, comemorar a sangrenta guerra interna do campo opositor em algumas regi?es, entre o EIIL e a Frente Al-Nosra, bra?o s?rio da rede Al-Qaeda.
Os analistas n?o acreditam que ir?o ocorrer mudan?as importantes depois das elei?es. "Talvez haja uma recomposi??o ministerial, mas n?o h? nenhuma raz?o para esperar uma mudan?a pol?tica", sustenta Aron Lund, autor de v?rias colunas sobre o conflito s?rio em publica?es do Instituto Sueco de Rela?es Internacionais.
Para Volker Perthes, as elei?es "complicam, mas n?o impossibilitam uma sa?da pol?tica".
E ela deve passar, segundo afirma, por "uma discuss?o entre o Ir? e a Ar?bia Saudita (que apoia os insurgentes) sobre uma divis?o do poder em Damasco".?