Piaui em Pauta

Em 20 anos de real, salário mínimo subiu 142% acima da inflação

Publicada em 18 de Julho de 2014 às 07h43


 ?Imagem: O sal?rio m?nimo no Brasil acumulou um ganho de 142% acima da infla??o desde julho do ano passado, quando o real come?ou a circular, at? junho de 2014. saiba mais Seattle quer maior sal?rio m?nimo do mundo Novo m?nimo injeta R$ 32 bilh?es na economia Comiss?o aprova Or?amento de sal?rio m?nimo de R$ 674,96 em 2013 Sal?rio m?nimo em 2013 ser? R$ 670,95, determina Minist?rio do Planejamento Or?amento prev? sal?rio m?nimo de 667, 75 em 2013 Leia mais sobre Sal?rio m?nimo Naquela ?poca, o m?nimo foi definido em R$ 64,79. Hoje, est? em R$ 724, o que significa uma alta de R$ 1.017% no per?odo. Enquanto isso, o indicador oficial de infla??o (IPCA, ?ndice de pre?os ao Consumidor Amplo) subiu 362%. O resultado foi um aumento real de 142% no sal?rio m?nimo. Caso tivesse sido apenas corrigido pelo IPCA ao longo desses anos, o m?nimo hoje estaria em R$ 299. O gr?fico abaixo mostra a evolu??o do sal?rio m?nimo nominal e como ele estaria de fosse reajustado pelo ?ndice oficial de pre?os a cada ano. Para tornar as coisas um pouco menos abstratas, podemos recorrer ? pesquisa da cesta b?sica do Dieese (Departamento Intersindical de Estat?stica e Estudos Socioecon?micos). Segundo a institui??o, a cesta b?sica custava R$ 67,40 na cidade de S?o Paulo em julho de 1994. Hoje, est? R$ 354,63. Isso quer dizer que quem ganhava o sal?rio m?nimo naquela ?poca conseguia comprar, no m?ximo, uma cesta b?sica. Hoje, quem recebe o m?nimo adquire duas cestas. ?ndice de infla??o Sempre que cito algum ?ndice de infla??o neste blog, uma pequena e barulhenta parte dos leitores vem dizer que os dados n?o batem com o que eles veem no supermercado. Curiosamente, nenhum deles traz alguma informa??o precisa. Dizem sempre de forma gen?rica coisas do tipo: “A carne subiu muito mais do que isso"; “N?o ? isso que eu vejo no mercado" etc. A essas pessoas que tentam impor ideias apenas na base do “caps lock", ofere?o tr?s argumentos. O primeiro ? o de que os ?ndices de infla??o do setor privado trazem n?meros muito pr?ximos aos dos indicadores oficiais. O IPC-DI, por exemplo, ? um ?ndice de pre?os ao consumidor da Funda??o Getulio Vargas (FGV) que registrou uma alta de 6,5% nos ?ltimos 12 meses, exatamente o mesmo n?mero apresentado pelo IPCA, do governo. J? o IGP-M, tamb?m da FGV, marcou 6,2%. Ainda, o IPC da Fipe (Funda??o Instituto de Pesquisa Econ?mica), entidade ligada ? USP, registrou alta de 5,07% em S?o Paulo. No ICV, do Dieese, o aumento do custo de vida foi de 6,2%. Situa??o bem diferente acontece na Argentina, onde os ?ndices calculados pelo setor privado d?o um resultado duas ou at? tr?s vezes maior do que os n?meros oficiais. Se o IBGE est? manipulando os dados de infla??o, ent?o ele combinou direitinho com a FGV, com a Fipe e com o Dieese. O segundo argumento ? o de que as pessoas que tomam decis?es de neg?cios usam essas estat?sticas. Relat?rios de bancos citam abundantemente n?meros do IBGE. Refiro-me a an?lises econ?micas que grandes institui?es financeiras oferecem aos seus clientes para ajud?-los a decidir onde investir. Ou seja, antes aplicar seus milh?es, investidores olham para dados do governo, entre outros. Essas pessoas n?o s?o ing?nuas e n?o tomariam uma decis?o de investimento com base em estat?sticas que n?o fossem confi?veis. O terceiro e ?ltimo argumento ? o de que ? poss?vel checar os n?meros. No caso do Dieese, que foi citado neste post, ? mais f?cil porque ele divulga o pre?o dos produtos encontrados. Por exemplo, o instituto diz que a carne em S?o Paulo est? R$ 19,61 o quilo. Para a pesquisa da cesta b?sica, o valor usado ? a m?dia entre o cox?o mole e outros dois cortes de pre?o parecido. Pois bem, fazendo uma busca por “cox?o mole" rapidamente no site do P?o de A?car, vejo que o quilo est? R$ 18,99 – mais barato, portanto, do que o apontado pelo Dieese. J? o leite longa vida integral est? R$ 3,14 em S?o Paulo, segundo o Dieese. No site do P?o de A?car, a marca mais barata (Parmalat) sai por R$ 2,85, e a mais cara (Ninho Nestl?), por R$ 3,95. O n?mero do Dieese, desse modo, est? dentro da faixa. Outro exemplo: o feij?o carioca est? R$ 4,01 o quilo, de acordo com a pesquisa. No P?o de A?car, est? R$ 3,55 o mais barato (Qualit?) e R$ 4,79 o mais caro (Broto Legal). Enfim, n?o ? t?o dif?cil checar se os ?ndices de infla??o est?o corretos. Basta ir aos supermercados no dia 1? de agosto e anotar o pre?o de todos os itens que s?o pesquisados pelos institutos (no caso do IBGE, a lista est? aqui). Depois, ? s? voltar aos mesmos estabelecimentos no dia 1? de cada m?s e ver qual foi a varia??o. Quanto mais mercados a pessoa visitar, e quanto mais espalhados eles estiverem, mais consist?ncia os dados ter?o. Os que t?m certeza de que o IBGE, a FGV, a Fipe e o Dieese est?o manipulando os ?ndices podem dar uma grande contribui??o ao pa?s se fizerem esse exerc?cio.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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