S?O PAULO — A recria??o de um imposto sobre transa?es financeiras, proposta apresentada por Paulo Guedes, respons?vel pelo programa econ?mico de Jair Bolsonaro (PSL), foi alvo de cr?ticas dos advers?rios, na debate na noite de quinta-feira entre candidatos ? Presid?ncia, na TV Aparecida. O tema provocou confus?o na campanha do deputado federal, que pediu maior comedimento do economista em pronunciamentos p?blicos.
Coube a Henrique Meirelles (MDB) trazer o tema para o centro do encontro. O ex-ministro perguntou a Marina Silva (Rede) qual seria sua opini?o sobre a recria??o do imposto.
— J? no come?o da hist?ria (da rela??o entre Bolsonaro e Guedes) eu vejo que est? tendo um inc?ndio no posto Ipiranga. Alguma coisa est? acontecendo porque eles n?o est?o se entendendo. Essa proposta ? nefasta para economia e para os mais pobres — disse Marina Silva, seguindo por Meirelles, que aproveitou para tamb?m atacar:
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— A CPMF ? um exemplo do que n?o pode ser feito. ? o resultado de algu?m que n?o tem preparo para administrar o pa?s. Isso ? perigoso, ? grave e a popula??o tem que ser alertada sobre isso. N?o podemos aumentar ainda mais a carga tribut?ria pra os brasileiros.
Numa tabelinha, Fernando Haddad (PT) — que participou pela primeira vez de um debate na campanha — e Ciro Gomes (PDT) defenderam a tributa??o de lucros e dividendos e ainda a cobran?a de impostos sobre a heran?a dos mais ricos, sem citar a proposta de Guedes.
Ciro perguntou para Haddad qual seria sua proposta para resolver a distor??o do sistema tribut?rio. Haddad respondeu que deveria haver cobran?a maior de impostos para os mais ricos.
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Outros candidatos que participaram do debate evitaram discutir a proposta do economista Paulo Guedes. Alckmin vem usando os programas na TV para atacar Bolsonaro.
O debate foi marcado tamb?m pela tentativa de Haddad e de Geraldo Alckmin (PSDB) de desvincularem suas imagens a do presidente Michel Temer. Num enfrentamento direto, o petista e o tucano trocaram acusa?es sobre alian?as com o MDB de Temer, que foi vice de Dilma Rousseff e teve apoio do PSDB no impeachment da ent?o presidente.
Haddad, que na campanha tem evitado ataques diretos aos advers?rios, chamou a aten??o pelo tom incisivo. Ele questionou Alckmin sobre o apoio do PSDB ? reforma trabalhista de Temer e a pol?tica do teto de gastos, aprovada pelo Congresso. O tucano reagiu, e culpou o PT pelo recrudescimento da viol?ncia e o do desemprego no pa?s.
— Quem escolheu o Temer foi o PT. Ele era vice da Dilma — disse Alckmin. — Para ganhar a elei??o vale tudo. Mas quem paga a conta ? o povo. Temos 63 mil assassinatos e nove milh?es de pessoas abaixo da linha da pobreza — continuou.
Haddad devolveu e afirmou que a responsabilidade pela pol?tica de Temer era do PSDB, que deu apoio ao impeachment de Dilma.
— Ele (PSDB) que colocou o Temer l? com um programa completamente diferente do apoiado nas urnas em 2014 — disse Haddad, que prometeu revogar a reforma trabalhista do emedebista, sob o argumento de que “fragiliza o trabalhador".
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Houve tamb?m embate entre os candidatos Guilherme Boulos (PSOL) e Alvaro Dias (Podemos). Dias foi atacado por se apresentar como novo e fazer o discurso da ?tica, mesmo tendo sido filiado ao PSDB por 20 anos.
— Participei do PSDB durante muito tempo e ? verdade, mas sempre na oposi??o.
No debate, os presidenci?veis n?o mencionaram a proposta apresentada ontem pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que uma frente de centro deveria ser consolidada contra o que ele chamou de candidaturas radicais.