Publicada em 04 de Agosto de 2014 às 11h20
Axel Kicillof, ministro da Economia da Argentina
Na reuni?o que antecedeu o calote t?cnico da Argentina, na ?ltima quinta-feira, todas as lentes miravam os olhos verdes de Axel Kicillof. De camisa justa, largas costeletas e cabelos lisos cuidadosamente despenteados, o ministro da Economia criticava a recusa dos credores ?s propostas feitas pelo governo Kirchner.
Imagem: AFPAxel Kicillof, ministro da Economia da Argentina?
Enquanto economistas quebram a cabe?a para avaliar as consequ?ncias da negocia??o, o passe do economista de 41 anos se valorizava nas redes sociais. O ministro ? uma das figuras mais comentadas pelos argentinos no Twitter. Em um m?s, seu marcante sobrenome foi citado 100 mil vezes – apaixonada e raivosamente.
"Muita gente o v? como um s?mbolo, o cara que est? defendendo a p?tria", explica M?rcia Carmo, correspondente da BBC Brasil em Buenos Aires. "Ao mesmo tempo, ? apontado pelos cr?ticos como o respons?vel pela d?vida ter chegado onde chegou. ? isso: ele est? na berlinda".
Disputa
A como??o ? tamanha que defensores e detratores frequentemente embarcam em brigas em seu nome.
"Invej?vel a capacidade e habilidade de orat?ria do ministro da Economia. Nesta tarde eu n?o conseguia acreditar...", disse @sil_176 pelo Twitter.
"N?o sabe ser ministro, n?o pode estar ? frente de nada, ? arrogante e mal educado", respondeu @IrenePol72.
"Kici", como tamb?m ? chamado pelos argentinos na internet, aparece quase todos os dias na imprensa local. Na sexta-feira, por exemplo, o jornal Clar?n publicou reportagem sobre os "memes" que envolvem o ministro – boa parte deles se referem ? sua atratividade f?sica.
Tamb?m n?o s?o raras as declara?es de amor – vindas de homens, mulheres, jovens e idosos.
"Me apaixonei pelo ministro da Economia", escreveu a jovem Isabella Pirchio na rede social. "Agora tamb?m temos o ministro da economia mais lindo", completou o usu?rio Luc Cifuentes.
Sofi Dubin, tamb?m pela rede, foi al?m: "Kicillof, te amo como ministro da Economia e te amo porque te amo, deixe tudo e case comigo".?E at? brasileiros entraram na onda. "Qualquer semelhan?a entre [o ator] Fabio Assun??o e o ministro de economia da Argentina ? mera coincid?ncia", escreveu o usu?rio @rodrigues_F.
"Brilhante"
Sucesso e pol?mica, entretanto, v?o al?m dos olhos verdes. Casado, pai de dois filhos, doutor em economia e professor da Universidade de Buenos Aires, o pol?tico costuma ser apresentado pela imprensa local como "aluno brilhante", gra?as ao "diploma com honras" que recebeu em sua formatura.
Ex-diretor da Aerol?neas Argentinas, Kicillof representa um setor pol?tico chamado La C?mpora, formado principalmente por jovens que apoiam o governo Kirchner. Em 2012, foi nomeado administrador da petroleira YPF, ent?o rec?m-estatizada por Cristina Kirchner – raz?o pela qual costuma ser tachado de "comunista" pelo eleitorado mais conservador.
Ministro da Economia desde dezembro do ano passado, Kicillof ? criticado, principalmente, pela "arrog?ncia" e pelo palavreado informal que adota. O exemplo mais recente ocorreu na ?ltima quinta-feira, em reuni?o oficial, quando disparou: "Es una pavada at?mica decir que hoy entramos en default" ["? uma estupidez at?mica dizer que estamos a partir de hoje em calote"]. O termo pavada ? visto como informal e pejorativo por parte dos argentinos.
Nas redes, a rea??o foi imediata: "Temos como ministro da economia um adolescente que diz "estupidez at?mica"... temos o que merecemos", escreveu Loli AP.?"Um ministro graduado com honras dizer "estupidez at?mica" me d? vontade de fechar a Universidade de Buenos Aires", atacou a jovem Jess Pasteles.
Trapalhadas
Ainda que a economia costume ficar em segundo plano nas men?es a Kiciloff, o "f?-clube" das redes o classifica como "defensor dos interesses do pa?s".
"Um ministro que fala claro e direto, e sobretudo defende os argentinos", comentou Leandro Esperante, logo ap?s o "calote t?cnico" contra os fundos especulativos. "Nos defende com unhas e dentes", disse Denise Magali, na mesma ocasi?o.?Por outro lado, o imbr?glio no pagamento da d?vida argentina tamb?m ? classificado por muitos de "trapalhada".
"Que castigo ter esse homem como ministro", escreveu Marcela Muza. "Kicillof, acha que n?s somos ignorantes?", desafiou o usu?rio Guillote.
A presidente Cristina Kirchner, claro, est? na ala dos elogiosos. "Muitos o tinham como jovem e inexperiente", disse, em maio deste ano. "Mas o problema de qualificados e n?o-qualificados ? um eufemismo. Se voc? olhar para o que os especialistas fizeram neste pa?s... melhor n?o se lembrar", completou.