Piaui em Pauta

Em pronunciamento na TV, Bolsonaro muda o tom e não critica o isolamento social.

Publicada em 31 de Março de 2020 às 22h18


O presidente Jair Bolsonaro fez nesta ter?a-feira, em rede nacional de televis?o, o quarto pronunciamento sobre a crise do coronav?rus. Desta vez, ele n?o criticou diretamente o isolamento social como forma de conter a pandemia, m?todo defendido pela Organiza??o Mundial de Sa?de (OMS) e pelo pr?prio Minist?rio da Sa?de. No ?ltimo dia 24, ele chegou a pedir na TV a “volta ? normalidade” e o fim do “confinamento em massa”.

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Nesta ter?a, diferentemente do que fez pela manh?, na portaria do Pal?cio da Alvorada, Bolsonaro n?o usou a interpreta??o equivocada da fala do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, para criticar o isolamento social. Bolsonaro ? um dos poucos chefes de Estado no mundo que defende a retomada da atividade econ?mica em meio ? pandemia do coronav?rus.

? noite, na TV, ele recorreu a trechos de uma fala de Adhanom, mas n?o criticou diretamente as medidas de isolamento. O presidente se disse preocupado com a vida e tamb?m com a manuten??o dos empregos. Afirmou que o rem?dio n?o pode ser pior que os efeitos que a pandemia provocar?.

"Minha preocupa??o sempre foi salvar vidas. Tanto as que perderemos pela pandemia como aquelas que ser?o atingidas pelo desemprego, viol?ncia e fome", afirmou.

Ele disse n?o pretender negar a import?ncia das medias preventivas, mas ressalvou que ? preciso pensar nos cidad?os "mais vulner?veis".

"N?o me valho dessas palavras para negar a import?ncia das medidas de preven??o e controle da pandemia, mas para mostrar que, da mesma forma, precisamos pensar nos mais vulner?veis. Essa tem sido a minha preocupa??o desde o princ?pio. O que ser? do camel?, do ambulante, do vendedor de churrasquinho, da diarista, do ajudante de pedreiro, do caminhoneiro e dos outros aut?nomos, com quem venho mantendo contato durante toda minha vida p?blica?"

Bolsonaro elencou as medidas que o governo j? tomou e destacou o congelamento dos pre?os dos rem?dio por 60 dias, que ele pr?prio anunciou nesta ter?a.

O presidente disse ter como miss?o "salvar vidas, sem deixar para tr?s os empregos".

"Por um lado, temos que ter cautela e precau??o com todos, principalmente junto aos mais idosos e portadores de doen?as pr?-existentes. Por outro, temos que combater o desemprego que cresce rapidamente, em especial entre os mais pobres", disse.

Segundo afirmou no pronunciamento, Bolsonaro considera que o efeito colateral das medidas de combate ao coronav?rus "n?o pode ser pior que a pr?pria doen?a".

O pronunciamento desta ter?a foi o quarto de Bolsonaro sobre o coronav?rus. No primeiro, no ?ltimo dia 6, o presidente disse que n?o havia motivo para p?nico, mesmo que o problema do coronav?rus se agravasse. No segundo, dia 12, disse que as manifesta?es previstas para o dia 15 eram “leg?timas” e “espont?neas”, mas deveriam ser repensadas – o presidente participou do ato em Bras?lia. No terceiro, dia 24, pediu a “volta ? normalidade”, o fim do “confinamento em massa” e afirmou que a impressa espalhou “pavor”. Esse pronunciamento gerou forte repercuss?o entre pol?ticos, partidos e entidades de diversos setores da sociedade.

?ntegra
Leia abaixo a ?ntegra do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro:

Boa noite.

Venho, nesse momento importante, me dirigir a todos voc?s. Desde o in?cio do governo, temos trabalhado em todas as frentes para sanar problemas hist?ricos e melhorar a vida das pessoas.

O Brasil avan?ou muito nesses 15 meses. Mas agora, estamos diante do maior desafio da nossa gera??o.

Minha preocupa??o sempre foi salvar vidas. Tanto as que perderemos pela pandemia como aquelas que ser?o atingidas pelo desemprego, viol?ncia e fome.

Me coloco no lugar das pessoas e entendo suas ang?stias. As medidas protetivas devem ser implementadas de forma racional, respons?vel e coordenada.

Nesse sentido, o senhor Tedros Adhanom, diretor-geral da Organiza??o Mundial da Sa?de, disse saber que muitas pessoas de fato t?m que trabalhar todos os dias para ganhar seu p?o di?rio. E que os governos t?m que levar essa popula??o em conta.

Continua ainda: se fecharmos ou limitarmos movimenta?es, o que acontecer? com essas pessoas que tem que trabalhar todos os dias e que t?m que ganhar o p?o de cada dia, todos os dias?

Ele prossegue: ent?o cada pa?s, baseado em sua situa??o, deveria responder a essa quest?o. O diretor da OMS afirma ainda que, com rela??o a cada medida, temos que ver o que significa para o indiv?duo nas ruas.

E complementa: eu venho de fam?lia pobre, eu sei o que significa estar sempre preocupado com seu p?o di?rio. Isso deve ser levado em conta, porque todo indiv?duo importa. A maneira como cada indiv?duo ? afetado pelas nossas a?es tem que ser considerada.

N?o me valho dessas palavras para negar a import?ncia das medidas de preven??o e controle da pandemia, mas para mostrar que, da mesma forma, precisamos pensar nos mais vulner?veis.

Essa tem sido a minha preocupa??o desde o princ?pio. O que ser? do camel?, do ambulante, do vendedor de churrasquinho, da diarista, do ajudante de pedreiro, do caminhoneiro e dos outros aut?nomos, com quem venho mantendo contato durante toda minha vida p?blica?

Por isso, determinei ao nosso ministro da Sa?de que n?o poupasse esfor?os, apoiando atrav?s do SUS todos os estados do Brasil. Aumentando a capacidade da rede de sa?de e preparando-a para o combate ? pandemia.

Assim, est?o sendo adquiridos novos leitos, j? com respiradores, equipamentos de prote??o individual, kits para testes e demais insumos necess?rios.

Determinei, ainda, ao nosso ministro da Economia que adotasse todas as medidas poss?veis para proteger sobretudo o emprego e a renda dos brasileiros.

Fizemos isso atrav?s de ajuda financeira aos estados e munic?pios. Linhas de cr?ditos para empresas, auxi?io mensal de R$ 600 aos trabalhadores informais e vulner?veis. Entrada de mais de 1,2 milh?o de fam?lias no programa Bolsa Fam?lia.

Adiamos tamb?m o pagamento de d?vidas dos estados e munic?pios, s? para citar algumas das medidas adotadas.

Al?m disso, no dia de hoje, em comum acordo com a ind?stria farmac?utica, decidimos adiar em 60 dias o reajuste de medicamentos no Brasil.

Temos uma miss?o: salvar vidas, sem deixar para tr?s os empregos. Por um lado, temos que ter cautela e precau??o com todos, principalmente junto aos mais idosos e portadores de doen?as pr?-existentes. Por outro, temos que combater o desemprego que cresce rapidamente, em especial entre os mais pobres.

Vamos cumprir essa miss?o, ao mesmo tempo em que cuidamos da sa?de das pessoas.

O v?rus ? uma realidade. Ainda n?o existe vacina contra ele ou rem?dio com efici?ncia cientificamente comprovada, apesar de a hidroxicloroquina parecer bastante eficaz.

O coronav?rus veio e, um dia, ir? embora. Infelizmente, teremos perdas no caminho. Eu mesmo j? perdi entes queridos no passado, e sei o quanto ? doloroso. Todos n?s temos que evitar, ao m?ximo, qualquer perda de vida humana.

Como disse o diretor-geral da OMS, todo indiv?duo importa. Ao mesmo tempo, devemos evitar a destrui??o de empregos que j? vem trazendo muito sofrimento para os trabalhadores brasileiros.

Na ?ltima reuni?o do G-20, n?s, os chefes de Estado e de governo, nos comprometemos a proteger vidas e a preservar empregos. Assim o farei.

Desde fevereiro, determinei o emprego das For?as Armadas no combate ao coronav?rus. O Minist?rio da Defesa realizou o resgate de brasileiros na China. Agora, as For?as Armadas atuam em apoio ?s ?reas de sa?de e seguran?a em todo o Brasil.

Foi ativado um centro de opera?es que coordena as a?es e dez comandos conjuntos foram criados, cobrindo todo o territ?rio nacional. Realizam a?es que v?o desde a montagem de postos de triagem em pacientes, apoio a campanhas informativas e campanhas de vacina??o, log?stica e transporte de medicamentos.

Os laborat?rios qu?mico-farmac?uticos militares entraram com for?a total. E, em 12 dias, ser?o produzidos 1 milh?o de comprimidos de cloroquina, al?m de ?lcool em gel.

Repito: o efeito colateral das medidas de combate ao coronav?rus n?o pode ser pior que a pr?pria doen?a.

A minha obriga??o como presidente vai para al?m dos pr?ximos meses. Preparar o Brasil para a sua retomada, reorganizar a nossa economia e mobilizar todos os nossos recursos e energia para tornar o Brasil ainda mais forte ap?s a pandemia.

Aproveito a oportunidade para me solidarizar e agradecer o empenho e sacrif?cio pessoal de todos os profissionais da sa?de, da ?rea de seguran?a, caminhoneiros e todos os trabalhadores de servi?os considerados essenciais, que est?o mantendo o pa?s funcionando. Bem como aos homens e mulheres do campo, que produzem nossos alimentos.

Com esse mesmo esp?rito, agrade?o e reafirmo a import?ncia da colabora??o e a necess?ria uni?o de todos num grande pacto para preserva??o da vida e dos empregos. Parlamento, Judici?rio, governadores, prefeitos e sociedade.

Deus aben?oe o nosso amado Brasil.

JAIR BOLSONARO
Tags: Em pronunciamento - O presidente Jair

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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