Publicada em 14 de Julho de 2014 às 11h10
Usina térmica da Petrobras na Bahia: falta de chuvas levou ao acionamento das termelétricas, cuja energia é mais cara
Usina t?rmica da Petrobras na Bahia: falta de chuvas levou ao acionamento das termel?tricas, cuja energia ? mais cara?
Os consumidores brasileiros est?o pagando um pre?o muito alto pela redu??o de 20% nas tarifas de energia el?trica feita pelo governo federal no ano passado. O desequil?brio financeiro no setor provocado pelas medidas impostas para for?ar a queda nas tarifas, somado ? opera??o a plena carga das termel?tricas em decorr?ncia da forte estiagem, est? batendo nas contas de luz, cujos reajustes j? chegam a dois d?gitos. De acordo com c?lculos feitos pelas consultorias especializadas em energia Safira e Thymos, os aumentos m?dios nas contas de energia dos consumidores residenciais neste ano devem ficar entre 16% e 17%, o que praticamente anula a redu??o do ano passado. E em 2015 ser? pior: o reajuste ficar? entre 21% e 25%.
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Alguns analistas consideram que esses reajustes podem servir para p?r mais combust?vel na infla??o e fazer com que ela feche 2014 acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC), ou seja, superior a 6,5%. Segundo a MB Associados, as contas residenciais de luz devem acumular avan?o de 17,4% neste ano, o que faria o ?ndice Nacional de Pre?os ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo BC, fechar 2014 com alta de 6,7%. At? junho, as contas de luz acumulam aumento de 4,98% e, nos ?ltimos 12 meses, de 8,01%.
AT? AGORA, 27 ALTAS DE DOIS D?GITOS
Segundo o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a energia se tornou o grande vil?o dos pre?os no ano. Ele tamb?m endossa a avalia??o das consultorias do setor e diz esperar aumentos ainda mais significativos ao longo de 2015.
— N?s estamos com IPCA de 6,7% este ano porque os alimentos devem ajudar um pouco no segundo semestre, o que tem sido a grande sorte do governo depois do choque da seca no come?o do ano. Contamos ainda com uma piora no c?mbio caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita, o que deve pressionar no ?ltimo trimestre de 2014. Para o ano que vem, mantemos nossa proje??o de IPCA de 6,8% — explica Vale.
J? para o banco ABC Brasil, o IPCA deve terminar este ano em 6,4%, abaixo da meta. Por?m, s?o esperados mais reajustes nas tarifas em 2015, o que dever? elevar o impacto da energia residencial no ?ndice de pre?os. Pelos c?lculos do banco, se a alta ficar em torno de 21% no ano que vem, as contas de luz devem pesar 0,6 ponto percentual no ?ndice de pre?os. Este ano, a contribui??o das tarifas deve ficar em 0,4 ponto.
E o consumidor j? sente no bolso o custo da energia mais cara. De acordo com levantamento feito pelo GLOBO na base de dados da Ag?ncia Nacional de Energia El?trica (Aneel), das 34 concession?rias que j? tiveram os seus reajustes autorizados entre janeiro e 4 de julho deste ano, 31 aumentaram seus pre?os. Desse total, 27 distribuidoras tiveram altas acima de dois d?gitos, com percentuais que variam de 11% a 36,54%. Isso significa que, at? agora, cerca de 43,2 milh?es de resid?ncias j? pagam mais caro pela conta de luz. At? dezembro, ainda haver? reajuste em outras 30 distribuidoras de energia. A Light s? deve divulgar seu reajuste em novembro.
Segundo a Aneel, os aumentos concedidos ?s distribuidoras est?o atrelados aos “custos com compra de energia”. Por causa do baixo n?vel dos reservat?rios, as usinas t?rmicas — que t?m um megawatt/hora (MWh) mais caro em rela??o ?s hidrel?tricas — v?m sendo acionadas desde o ano passado. Al?m disso, como algumas empresas de gera??o (Celesc, Cesp, Copel e Cemig) n?o aderiram ao processo de renova??o das concess?es, previsto na medida provis?ria 579, as distribuidoras ficaram com parte de sua energia descontratada, sendo obrigadas a recorrer ao mercado ? vista, no qual os pre?os chegaram R$ 822 o MWh.
— A desacelera??o, tanto da economia como do setor de servi?os, pode minimizar esse choque tarif?rio que vamos ter — afirma Luis Otavio de Souza Leal, economista-chefe do ABC Brasil.
F?bio Cuberos, gerente de Regula??o da Safira, destacou que, apesar dos elevados aumentos que est?o sendo concedidos pela Aneel neste ano — o reajuste m?dio entre as 31 distribuidoras est? em 15,43% at? julho —, as tarifas ainda est?o represadas. O executivo explicou que os custos adicionais com as usinas t?rmicas em 2013, que seriam repassados ao consumidor neste ano, foram dilu?dos em quatro anos a partir de 2015. Al?m disso, o impacto nas tarifas do empr?stimo de R$ 11,2 bilh?es, feito por meio da C?mara de Comercializa??o de Energia El?trica (CCEE), via cons?rcio de bancos, para as distribuidoras em abril, s? ser? repassado ?s tarifas em 2015 e 2016.
— Os reajustes que v?m por a? a partir do pr?ximo ano ser?o bem mais salgados, porque j? v?o partir de uma base muito elevada, fora o reajuste normal que seria dado — ressalta Cuberos.
O executivo da Safira considera, no entanto, que o mais preocupante ? o fato de que os problemas do setor continuam. As distribuidoras ainda t?m dificuldades no fluxo de caixa e j? usaram todos os R$ 11,2 bilh?es disponibilizados pelo cons?rcio de bancos. Para arcar com os contratos de maio, as empresas n?o tiveram recursos suficientes, o que levou o governo a postergar para o fim deste m?s o pagamento de R$ 1,3 bilh?o. E j? se pensa em um novo financiamento, no valor de R$ 2 bilh?es. Cuberos ressalta que, apesar de as distribuidoras terem reduzido sua exposi??o ao mercado livre, ainda est?o sendo obrigadas a comprar no mercado ? vista cerca de 700 megawatts (MW) m?dios.
— Um dos motivos das dificuldades financeiras das distribuidoras ? o fato de comprarem essa energia no mercado ? vista por um pre?o muito elevado, por causa dos reservat?rios baixos. O custo da energia tem ficado alto no mercado livre — afirma Cuberos.
TARIFA EM PATAMAR DE 2014, S? EM 2020
Apesar de o pre?o no mercado livre ter ca?do para R$ 674 o MWh atualmente, os pre?os tendem a se manter em patamares elevados devido ? falta de chuvas. Essa ? a avalia??o de Ricardo Savoia, diretor da Thymos, que lembra que haver? reajustes at? 2018, j? que o pagamento dos empr?stimos foi escalonado para os pr?ximos anos. Para 2015, Savoia diz que o aumento nas tarifas pode chegar a 25%.
— A evolu??o das tarifas ? crescente. S? entre 2019 e 2020 voltaremos para o patamar de pre?os de 2014. Nos pr?ximos cinco anos estimamos um aumento de R$ 80 bilh?es no custo de energia, com a falta de chuvas, os atrasos das obras e o processo de renova??o das concess?es. Mas os custos podem ser ainda mais significativos se as condi?es clim?ticas continuarem adversas, e as t?rmicas permanecerem operando a pleno vapor a partir de 2015 — afirma Savoia.