Piaui em Pauta

Especialistas: aids cresce por país não focar jovens e gays

Publicada em 19 de Julho de 2014 às 18h00


Um relat?rio da Organiza??o das Na?es Unidas (ONU) divulgado quarta-feira (16) mostrou que os novos casos de infec??o pelo HIV ca?ram 38% nos ?ltimos doze anos no mundo, mas cresceram 11% nos ?ltimos oito anos entre os brasileiros. De acordo com dois especialistas ouvidos pelo site de VEJA, os dados referentes ao Brasil merecem aten??o. ? "Os jovens hoje n?o viram a epidemia que aconteceu h? trinta anos e se esqueceram da import?ncia de usar o preservativo. Precisamos trabalhar com eles, especialmente com os homossexuais, e fazer com que a sociedade permita que eles exer?am sua sexualidade de forma segura", diz Georgiana Braga, diretora do Programa Conjunto das Na?es Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). ? Para o infectologista Esper Kall?s, professor da Faculdade de Medicina da USP e m?dico do Hospital S?rio-Liban?s, as estrat?gias de combate ? aids sempre podem melhorar. "Uma campanha de camisinha no carnaval n?o atinge todos os p?blicos. ? preciso ter pol?ticas para grupos espec?ficos, como homens que fazem sexo com outros homens e profissionais do sexo", afirma. ? Crescimento relativo — Com rela??o ? compara??o com o resto do planeta, os dois especialistas concordam que os dados devem ser relativizados. "A queda global aconteceu principalmente em regi?es como a ?frica Subsaariana, que estava atrasada em rela??o ? redu??o da epidemia de aids. O Brasil j? havia apresentado essa diminui??o entre o fim dos anos 1980 e o come?o dos anos 1990", afirma Georgiana Braga. ? J? Esper Kall?s diz que, enquanto alguns pa?ses africanos t?m preval?ncia de infec??o por HIV de 12%, no Brasil a estimativa ? de 0,4%. "O nosso combate mais efetivo contra a doen?a aconteceu h? mais tempo, ent?o n?o podemos dizer que o Brasil vai de mal a pior, mas sim que a epidemia enfrenta diferentes fases de acordo com cada pa?s".? ? P?blico de risco — Estima-se que, atualmente, cerca de 720.000 brasileiros vivam com infec??o pelo v?rus da aids, n?mero que representa quase metade dos casos da Am?rica Latina e 2% do total registrado no mundo. Em 2013, aproximadamente 15.000 pessoas morreram no Brasil por complica?es da doen?a, 7% a mais do que em 2005. ? De acordo com o relat?rio da ONU, a maior preval?ncia de novas infec?es pelo HIV na Am?rica Latina aconteceu entre os homossexuais. No Brasil, 11% dos homens gays vivem com o v?rus da aids. ? Na semana passada, a Organiza??o Mundial da Sa?de (OMS) recomendou que homossexuais passem a tomar antirretrovirais para prevenir o cont?gio do v?rus. De acordo com a entidade, esse grupo tem um risco dezenove vezes maior de ser infectado do que o resto da popula??o. A indica??o de antirretrovirais para evitar a doen?a ainda n?o ? permitida no Brasil. Segundo Esper Kall?s, mais estudos s?o necess?rios para que a abordagem seja inclu?da na pr?tica cl?nica. Atitude Abril — No Brasil, a campanha Atitude Abril, idealizada pela Editora Abril, usa a informa??o como estrat?gia para combater o crescimento da epidemia de infec??o pelo v?rus da aids. Por meio de revistas, sites e redes sociais, a campanha discute com o p?blico espec?fico de cada ve?culo diversos aspectos da doen?a, do cient?fico ao social. A iniciativa tamb?m inclui a campanha publicit?ria “Desinforma??o tem cura”, que conta com o apoio de personalidades como Neymar e Anderson Silva. ? A campanha realizar? uma pesquisa sobre o conhecimento da popula??o brasileira em rela??o ? aids, o comportamento sexual das pessoas no pa?s e as principais barreiras que a doen?a imp?e aos doentes atualmente. O levantamento est? sendo feito pela internet e qualquer pessoa pode participar. ? Para Georgiana Braga, fazer com que informa?es sobre a doen?a cheguem ao p?blico ajuda a combater o HIV por melhorar a conscientiza??o sobre formas de preven??o da infec??o; incentivar as pessoas a fazerem o teste que diagnostica o v?rus, ampliando o acesso ao tratamento; e ajudar a reduzir o preconceito da sociedade em rela??o ? doen?a. "O mais interessante da campanha Atitude Abril ? falar com um p?blico-alvo espec?fico, pois a linguagem usada por um adolescente ? diferente da de uma dona de casa. Isso ajuda as pessoas a entenderem melhor a doen?a e a mudar comportamentos", diz Georgiana.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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