Piaui em Pauta

Estreia: Terry Gilliam busca sentido da vida em O teorema zero

Publicada em 10 de Julho de 2014 às 08h30


Cena de O teorema zero. Cena de O teorema zero. Imagem: Divulga??oCena de O teorema zero. Chega a ser curioso que o cineasta Terry Gilliam, ?nico integrante americano da trupe de comediantes brit?nicos Monty Python, volte a buscar as raz?es para a exist?ncia 30 anos depois do cl?ssico “O sentido da vida”, co-dirigido e estrelado por ele em 1983 e que volta a cartaz em S?o Paulo tamb?m nesta quinta-feira (10). Mas seu novo filme, “O teorema zero”, tem muito mais a ver com sua expressiva carreira solo do que com o humor escrachado do grupo que o tornou conhecido. Respons?vel pelos cultuados “Brazil – O filme” (1985), “Os doze macacos” (1995) e “Medo e del?rio em Las Vegas” (1998), Gilliam surpreende como autor visual, muitas vezes exagerado e tendendo a bizarrices, mas sem perder o senso de ritmo ou uma s?lida narrativa. Qualidades, enfim, que demonstrou em seu trabalhos no Python “O mundo imagin?rio do Dr. Parnassus” (2009), e que vem apurando durante as ?ltimas d?cadas. Nesta nova empreitada, estrelada por Christoph Waltz (“Bastardos ingl?rios”) e Matt Damon (uma participa??o especial, na verdade), ele volta a situar o espectador em um futuro estilizado, de uma modernidade retr?. Embora reflita sobre a tecnologia e a era da Internet nas rela?es humanas, o ponto m?ximo de Gilliam aqui ? a informa??o. Na hist?ria, Qohen Leth (Waltz) ? um especialista em arquitetura de informa??o, cujo trabalho incessante ? construir e desconstruir as bases em que ela se agrupa, contratado pela figura misteriosa da Administra??o (Damon). Afogado em algoritmos, ? ap?tico, recluso e sua ?nica preocupa??o ? atender a um telefonema que, mais tarde se entende, vai lhe explicar o seu prop?sito de vida. Diferentemente dos personagens de seu cotidiano, como o supervisor (David Thewlis) ou a terapeuta (Tilda Swinton), Qohen Leth ? reservado e beira ? insanidade.?Fala em terceira pessoa, usando “n?s” em vez de “eu”, quer trabalhar em casa (uma antiga abadia, em mais um dos s?mbolos que Gilliam deixa pelo caminho) para atender a tal liga??o e ? avesso a qualquer contato humano. Por sua exponencial aptid?o ao trabalho e seu estilo de vida, a Administra??o o convoca para um experimento, cujo resultado ? responder ? ?ltima quest?o: o pr?prio sentido da vida. Para ajud?-lo na iniciativa, ainda que de forma um tanto invasiva, a Administra??o envia uma garota de programa (M?lanie Thierry), que faz as vezes do interesse amoroso de Leth, e o pr?prio filho da Administra??o, o jovem g?nio (Lucas Hedges). No caminho para encontrar a resposta, o vazio do protagonista funciona como um catalisador das reflex?es colocadas por Gilliam, que ele mesmo diz n?o conseguir responder sobre a vida moderna, a tecnologia e como a intelig?ncia coletiva (no fim, a grande base de dados da Administra??o) serve a um prop?sito maior. Quest?es compartilhadas pela equipe e elenco (excepcionais), que trabalharam com baixo or?amento e prazo apertado de filmagens (dois meses), em Bucareste (Rom?nia). Com grande destaque para Christoph Waltz que se despe (literalmente) para seu personagem com muita sobriedade. Talvez Terry Gilliam n?o seja um cineasta para grandes massas, por causa de sua liberdade de imagina??o e excentricidades, que v?o ao limite da maluquice. Mas h? qualidades superlativas em seu cinema, que o fazem t?o cultuado por buscar, ele mesmo como autor, um sentido de vida.

? Siga-nos no Twitter

Tags:

Fonte: Vooz  |  Publicado por:
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas